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Coronavírus “empurra” desfecho da Linha 6-Laranja por até dois meses

Governo anunciou que estenderá o prazo de caducidade do contrato até 24 de maio, mas entrada da construtora Acciona poderá ocorrer antes disso
Linha 6-Laranja: mais uma postergação (Divulgação)

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tem afetado a economia brasileira a cada dia que passa e também contribuiu para atrasar ainda mais o desfecho da Linha 6-Laranja do Metrô. Nesta segunda-feira, o governo do estado confirmou que postergará até o dia 24 de maio o prazo para vigência da caducidade do contrato com a Move São Paulo, concessionária que deveria construir e operar o ramal, mas que está em negociações para repassá-la para a construtora espanhola Acciona.

Até então, a data-limite seria esta terça-feira, 24 de março, e que foi anunciada no início de fevereiro pela gestão Doria para dar tempo à Acciona acertar os detalhes com o governo a respeito do novo contrato de PPP (Parceria Público-Privada). Os 45 dias, no entanto, não teriam sido suficientes para resolver todas arestas da mudança, que exige também a anuência da PGE, a Procuradoria Geral do Estado. A expansão dos casos da doença e as medidas tomadas para contê-la acabaram colocando o assunto em segundo plano, segundo apurou o site.

Apesar da nova data, a expectativa é que a negociação final seja resolvida antes do prazo de 60 dias, desde que, é claro, existam condições para que isso ocorra nas próximas semanas – um cenário que hoje não se vislumbra diante da gravidade da pandemia.

O texto que altera o Decreto nº 63.915, assinado em 12 de dezembro de 2018, deverá ser publicado do Diário Oficial desta terça-feira. Trata-se da quarta prorrogação do prazo de caducidade, originalmente previsto para 13 de agosto de 2019. A primeira ocorreu quatro dias antes desse prazo quando o governo Doria dizia que existiam interessados em assumir o projeto. Para isso, adiou a vigência para 11 de novembro do ano passado.

No início de novembro, o governo do estado confirmou que a espanhola Acciona havia se acertado com a Move São Paulo para ficar com a Linha 6 e para dar tempo para que a negociação de venda fosse fechada remarcou a caducidade para 9 de fevereiro deste ano. O tempo não foi suficiente para que o acordo final saísse, mas o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, garantiu que o negócio era “irrevogáel e irretratável”, para afastar quaisquer dúvidas sobre uma possível desistência.

Estima-se que para tirar do papel a linha de 15,3 km e 15 estações, seja preciso investir mais de R$ 10 bilhões, metade do valor a cargo do estado que já tem uma linha de crédito aprovada com o BNDES de R$ 1,7 bilhão. Quando foi concluída, num prazo estimado de quatro anos a partir da retomada das obras, a Linha 6-Laranja deverá transportar diariamente 630 mil passageiros.

Fábrica dos anéis dos túneis da Linha 6-Laranja, em Perus
Fábrica dos anéis dos túneis da Linha 6-Laranja, em Perus: à espera do novo acordo

 

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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