CPTM acumulou mais de R$ 11 bilhões em benefícios para a sociedade em 2020

Apesar do prejuízo no ano passado, a operação da CPTM gerou economia de custos importantes para sociedade
Mesmo diante da crise a CPTM obteve bons resultados operacionais (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

A pandemia impôs uma nova maneira de viver. Para as empresas de transporte foi um momento de se reinventar e de lidar com os grandes desafios impostos pela queda do número de passageiros, distanciamento social, novas normas de higiene e o desfalque de pessoal. No relatório de administração da CPTM no ano de 2020, é possível ter um panorama mais detalhado daquele ano e atestar que, apesar das circunstâncias adversas e do grande prejuízo, o sistema ferroviário desempenha papel indispensável para a dinâmica de transporte na região metropolitana de São Paulo.

Dados operacionais

O primeiro ponto que deve ser observado é a demanda de passageiros da CPTM no ano de 2020. Devido às medidas de restrição impostas pela pandemia, a queda do número de passageiros transportados foi alta. No ano de 2019 foram 867,7 milhões de passageiros transportados contra 415,7 milhões em 2020, uma queda de 52%. A título de comparação, a média de passageiros transportados por dia útil, que antes batia 2,9 milhões por dia, atingiu 1,4 milhão por dia em 2020.

Passageiros transportados totais e MDU (CPTM)

O número de viagens também acabou sendo reduzido. Em 2019 foram registradas aproximadamente 861 mil viagens nas sete linhas da empresa, enquanto no ano passado esse número foi de aproximadamente 783 mil viagens, ou seja, uma redução de quase 9%.

O intervalo médio praticado nos horários de pico da manhã e da tarde sofreu um leve acréscimo comparado com 2019. No período da manhã os passageiros esperaram os trens 4 segundos a mais em média, enquanto no período vespertino esse aumento foi menor, apenas 1 segundo adicional ao headway médio.

No quesito regularidade é possível analisar se a CPTM cumpriu o seu planejamento de viagens e intervalos. O relatório de administração mostra que, apesar da situação de crise, houve aumento desse indicador, o que pode revelar que a organização por parte das equipes de controle de tráfego e de tração foram importantes para manter a confiabilidade. No ano de 2020 o índice de viagens cumpridas sem alterações no planejamento foi de 98,9% enquanto o intervalo seguiu com 97,9% de cumprimento.

Dados técnicos

A apreciação dos dados técnicos é importante para verificar se internamente a CPTM tem preservado seu sistema de forma adequada. No relatório de administração de 2020 é possível visualizar dados como quilometragem percorrida, o MKBF (Mean Kilometer Between Failure ou Quilometragem Média entre Falhas), consumo de energia elétrica e disponibilidade de material rodante.

O primeiro dado a ser analisado é a quilometragem dos carros que é medida pela métrica “carro.Km”. No ano de 2020 esse indicador registrou 217,9 milhões de quilômetros. Quando se observa o gráfico é possível notar que esse número é superior ao de 2018, que registrou 211,7 milhões de quilômetros. Uma possível justificativa para esse resultado é a desativação de composições antigas das série 1100 e 4400 que eram compostas por 6 carros, dessa forma registrando menor quilometragem.

O consumo de energia elétrica para tração se refere apenas a energia despendida para a alimentação dos trens. A título de curiosidade, a rede aérea é alimentada por tensão contínua de 3.000 volts proveniente de uma série de subestações ao longo das linhas. O consumo em 2020 foi de 464 GWh enquanto no ano anterior foi registrado consumo de 494 GWh.

O índice de MKBF é importantíssimo. Ele representa a quilometragem média entre falhas de um trem de forma que, quanto maior a quilometragem, melhor é o índice. No ano de 2020 o MKBF registrado para os trens da CPTM foi de 5.932 quilômetros contra 4.134 de 2019. Isso significa que os trens percorrem maiores distâncias antes de apresentar uma falha.

As melhorias no MKBF influenciam diretamente no índice de disponibilidade de trens. Esse fator delimita a quantidade de trens que estão aptos para a operação. No ano de 2020 a disponibilidade foi de 99,7%, um aumento de 0,2% comparado com o ano anterior.

Benefícios sociais

Existe um motivo muito importante para que uma empresa como a CPTM, mesmo depois de registrar 1 bilhão de reais em prejuízo, seja fortalecida e tenha sua importância preservada. Esse motivo é o benefício socioambiental. Enquanto o Metrô de São Paulo registrou mais de R$ 7 bilhões em benefícios a CPTM segue o mesmo caminho obtendo um valor de R$ 11,33 bilhões em benefícios para a sociedade.

Para entender o que essa cifra significa é necessário realizar um exercício: Quais seriam os custos adicionais para a sociedade caso a CPTM não existisse? Partindo desse pressuposto é possível mensurar a importância que a Companhia tem no dia a dia de milhões de pessoas que são beneficiadas com maior qualidade de vida, saúde e mais tempo para suas atividades. Veja abaixo os principais pontos:

Conclusão

O relatório da administração é um importante instrumento que revela de forma transparente as principais ações da companhia. É através dele que a sociedade pode tomar conhecimento pleno das principais atividades da companhia e acompanhar o seu desenvolvimento ao passar dos anos.

Seria muito bom se as empresas privadas (Alô CCR!) pudessem divulgar de forma mais clara suas ações, dados operacionais e estratégias ao público de interesse que, certamente, vai além da restrita parcela de acionistas.

O relatório de 2020 também pode marcar o fim de uma série histórica, uma vez que ele possivelmente será um dos últimos balanços que contemplará de forma precisa os dados das Linhas 8 e 9, que foram arrematadas pela Via Mobilidade Linhas 8 e 9. Assim que a nova empresa tomar posse da operação e administração das linhas uma nova série histórica vai se iniciar e as comparações com os anos anteriores vai se tornar mais difícil.

Apesar dos desafios, a CPTM cumpriu o seu papel perante a sociedade transportando milhões de pessoas com segurança e responsabilidade.

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  1. A CPTM que por muitos anos foi criticada pela mídia e cidadãos, percebem agora que após uma concessão, a conpanhia não era tão ruim assim.

    Espero muito que esse monopólio da CCR que está sendo formado não prospere. Empresa que explora funcionários, não paga direitos, e finge que está tudo lindo. Toda parte Oeste e Sul do transporte metropolitano, agora está nas mãos de uma só empresa. Logo isso trará inúmeros malefícios aos paulistas. Alô MP e autoridades fiscalizadoras, não está claro que uma lavagem de dinheiro está acontecendo na cara dura?

    1. a CPTM e o METRO são ótimas prestadoras de transporte publico, e no caso especifico da CPTM, sempre tirou leite de pedra com o pouco recurso que teve.

      o problema é que mídia e usuários só sabem enxergar os defeitos, vide redes sociais. a questão é que é mais fácil culpar a empresa e seus funcionários, que o governo que estes mesmos elegem desde 93 e que é o grande responsável pelas mazelas do transporte publico.

      sobre a CCR, só não enxerga quem não quer. o governo deu 1 bilhão em multas, duas semanas depois arrematam a linha por 900 e poucos milhões. trata-se de um conglomerado multibilionário, que vive exclusivamente de concessões publicas. não precisa dizer mais nada.

  2. Essa reportagem é interessante, pois, mostra os benefícios da CPTM para a sociedade. As pessoas, sobretudo aquelas com menos conhecimento, ficaram batendo na tecla do R$ 1 bilhão de “prejuízo”, sendo que alguns chegaram a afirmar que foi correta a concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, justamente por conta desse “prejuízo”. E coloquei o termo entre aspas de propósito, porque é preciso ter muito cuidado ao dizer que um sistema de transporte tem prejuízo.
    Vejam, em nenhum lugar do mundo um sistema de transporte se sustenta apenas com o dinheiro das tarifas. Então, quando se tem uma queda abrupta de demanda, como vem acontecendo desde o início da pandemia, é natural que sistemas entrem colapso. Nessas horas percebemos que esse modelo, mantido apenas pelo passageiro, já deveria ter sido revisto há muito tempo.
    Lá no Rio de Janeiro, SuperVia e MetroRio quase pararam suas operações. Aqui em São Paulo, nenhuma empresa de trilhos ameaçou parar, nem mesmo as privadas, porque todas recebem subsídios públicos. Assim como o serviço de ônibus municipal.
    Falar que CPTM ou Metrô deram “prejuízo” é fácil. Difícil é entender a dinâmica de um sistema de transporte.
    Repito: fuja do senso comum o quanto antes. Não propague falácias.

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