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CPTM aposta na iniciativa privada para reformar e construir novas estações

Segundo presidente da companhia, exemplos como o da futura estação João Dias deverão ser replicados em outras linhas da CPTM
Estação João Dias: obras tocadas pela iniciativa privada (KSM Arquitetos)

Além de abordar a retomada da implementação do sistema CBTC, o presidente da CPTM, Pedro Moro, também revelou que a companhia está empenhada em repetir a fórmula de parceria com a iniciativa privada para a construção ou reforma de estações em suas linhas. O relato foi feito em entrevista à Revista Ferroviária em sua edição mais recente.

Segundo Moro, o exemplo da futura estação João Dias “caiu como uma luva” nos planos da CPTM. A nova parada que ficará entre as estações Santo Amaro e Granja Julieta, da Linha 9-Esmeralda, será construída pela Tegra Incorporada, que é proprietária de um imenso conjunto comercial em frente ao local. Ainda antes de os dois edifícios começarem a ser construídos, a empresa contatou a CPTM e propôs ajudar no projeto da estação, como forma de facilitar o acesso ao empreendimento, mas os trâmites têm sido extremamente demorados e a obra em si ainda deve demorar para ser iniciada.

Apesar disso, o presidente da CPTM viu o caso como referência para outras iniciativias semelhantes. Na visão de Moro, a estação João Dias não só atenderá o edifício, mas também o entorno, que tem uma demanda crescente de transporte sobre trilhos. A ideia é procurar outras oportunidades semelhantes na rede, que possam atender a um bom público e também exista interesse da iniciativa privada –  além, é claro, de viabilidade técnica.

Um projeto que está seguindo na mesma linha é a nova estação Pirelli, da Linha 10-Turquesa. Embora a iniciativa de resgatar a parada, hoje desativada, seja da Prefeitura de Santo André, o objetivo do governo do estado é buscar um parceiro privado para viabilizá-la. O munícipio já está investindo no projeto da estação com apoio da CPTM para futuramente ser oferecido para uma empresa que se interesse por ele. Na região onde ficará a estação há vários empreendimentos residenciais e comerciais surgidos após a requalificação do entorno.

No alto da imagem é possível notar as velhas plataformas da estação Pirelli da Linha 10-Turquesa: prefeitura e CPTM querem ajuda da iniciativa privada para reativá-la (GE)

Mas a proposta da companhia não se resume apenas à novas estações, mas também a reforma e ampliação de paradas existentes. De fato, há diversas estações e de portes variados que poderiam receber uma injeção de recursos e em contrapartida ganharem uma infraestura comercial que atrairia mais passageiros além de atender aos usuários atuais. O caso de Palmeiras-Barra Funda, onde a CPTM e o Metrô estão buscando projetos para transformá-la em um imenso pólo de comércio e serviços é um exemplo clássico, mas mesmo pequenas estações poderiam receber melhorias caso houvesse oportunidades para o capital privado.

Só espera-se que o processo de parceria não seja tão longo e complicado quanto está sendo o da estação João Dias sob pena de o interesse pela obra se perder na burocracia.

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

5 Comentários

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  • Seria interessante se empresas também fizessem isso com estações de metrô, fico triste em pensa que a estação eucaliptos poderia ter uma entrada/saída dentro do shopping ibirapuera

  • Acho até interessante termos iniciativas assim mas temos que prestar atenção também em lugares onde não é interessante para iniciativa privada. Que construam e ampliem onde é vantajoso pro capital privado, desde que haja mais investimentos públicos onde o privado não quer investir.

  • Investir pesado numa estação e logo em seguida a linha passar para a iniciativa privada? Só sendo sócio da concessionária ganhadora (CCR).

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