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CPTM irá retomar instalação do CBTC nas linhas 10-Turquesa e 11-Coral neste ano

Sistema de sinalização, cujo contrato é de 2009, prevê reduzir intervalos e aumentar a regularidade dos trens nos dois ramais
CPTM vai retomar instalação do CBTC nas linhas 10 e 11 (CPTM)

A CPTM pretende retomar um antigo contrato para instalar o sistema CBTC de sinalização nas linhas 10-Turquesa e 11-Coral. A afirmação foi feita pelo presidente da companhia, Pedro Moro, em entrevista à Revista Ferroviária. Hoje em uso apenas em linhas de Metrô de São Paulo como a 4-Amarela, 5-Lilás, 2-Verde e 15-Prata, o CBTC é uma tecnologia muito superior à utilizada pela CPTM em seus ramais e tem entre suas principais características a redução de intervalos entre os trens, além de tornar o serviço mais regular e confiável.

A intenção da companhia é retomar o contrato ainda em 2019, afirmou Moro, que acrescentou que o prazo de implementação é de 36 meses a partir do início dos serviços. A licitação, que foi vencida há exatos dez anos pelo Consórcio Turquesa, tinha um custo de 170 milhões de euros, ou R$ 443 milhões em valores da época. Atualmente, essa quantia equivale a R$ 770 milhões em uma simples conversão, mas é preciso atentar para a cláusula de reajuste do contrato.

O consórcio Turquesa era formado pelas empresas MPE, Dimetronic, Infoglobal e Invensys Rail, porém, em junho de 2018, a alemã Siemens assumiu o projeto sem que isso implicasse em acréscimos ao valor do contrato, segundo o aditivo divulgado pela CPTM.

Segundo Moro, embora tenha sido homologado em setembro de 2009, não foi efetivado. Apesar disso, ocorreram testes em uma via entre as estações São Caetano e Tamanduateí, onde foram instaladas balizas e antenas do CBTC que serviram para orientar trens das séries 2000 e 2100 no começo da década, segundo relatos de funcionários.

Requalificação do serviço

O presidente da CPTM explicou que a retomada da implementação do CBTC envolve também outras etapas como a modernização do sistema de energia da Linha 10 a fim de suprir o aumento de demanda com mais trens modernos circulando por suas vias. Na Linha 11, a preocupação é outra, adequar o cronograma para que se adapte ao projeto do Metrô na Linha 3-Vermelha, que também está instalando o CBTC no ramal. De acordo com Moro, a preocupação é que uma obra não atrapalhe a outra, sem que o serviço seja interrompido em uma região altamente dependente dos trilhos.

O presidente da CPTM promete retomar instalação do sistema CBTC nas linhas 10 e 11 ainda em 2019

Apesar de ser capaz de reduzir o intervalo para três minutos, Moro admite que que essa meta é pouco provável atualmente. Para isso seria preciso um reforço da frota, o que pode acontecer indiretamente com a nova encomenda de 34 composições que deve ser licitada nos próximos meses. Para ele, importa mais ter um intervalo regular de 4 a 6 minutos, melhorando o padrão de serviço, hoje um dos pontos fracos da companhia.

A intenção de retomar o CBTC na CPTM é uma ótima notícia, afinal a sinalização é um dos pontos em que a companhia ainda fica muito atrás do Metrô, que mesmo no sistema ATC possui uma operação mais “redonda” e automatizada. A pergunta que fica no ar é saber como o governo do estado conseguirá viabilizar esses recursos para retomar o contrato. A gestão Doria tem anunciado vários projetos com custos elevados em um período em que os estados andam com o caixa apertado e a economia do país não embala.

Outro temor diz respeito à Siemens. A empresa, que foi alvo de um processo de leniência com o Cade, tem atrasado o projeto de implementação do sistema de sinalização da Linha 13-Jade, o que é uma das causas para os longos intervalos do ramal e da baixa velocidade dos trens. Nesse caso, uma linha nova em que o acesso às vias era praticamente pleno até abril do ano passado. Após inúmeros escândalos de carteis e de conluios, é difícil não enxergar uma certa dose de descrença na capacidade dessas empresas de cumprirem contratos, ainda mais um delicado como esse, que foi concebido há uma eternidade.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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