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Metrô e CPTM estudam concessão do Polo Intermodal da Estação Palmeiras-Barra Funda

Intenção é oferecer complexo que reúne estações de metrô e trens além de rodoviária para a iniciativa privada
Estação Palmeiras-Barra Funda: complexo deve reformado e explorado pela iniciativa privada

Uma das estações mais movimentadas do sistema metroferroviário de São Paulo, Palmeiras-Barra Funda deve ser objeto de uma concessão para exploração comercial pela iniciativa privada. Para isso, o Metrô e a CPTM publicaram no Diário Oficial desta quarta-feira (21) uma consulta ao mercado para receber sugestões e manifestações a respeito do assunto. Essas contribuições poderão ser entregues na sede do Metrô na Rua Boa Vista, 175 nos próximos dois meses e não implicam em qualquer ressarcimento das duas companhias.

O objetivo do governo é conceder não apenas a área das estações mas também o terminal rodoviário anexo e o entorno para que o possível concessionário possa inclusive reformar e construir eficações para fins comerciais cuja exploração traria o retorno para os investimentos. Em outras palavras, ao conceder o imenso espaço, seria possível modernizar as instalações, hoje bastante ultrapassadas e desconfortáveis, além de criar por exemplo, um shopping anexo e outros tipos de serviços e comércio, dependendo, é claro, do tempo de concessão.

A medida está em linha com a visão da gestão Doria de maximizar as chamadas receitas acessórias das duas empresas, ou seja, tudo que não envolva a venda de passagens. O Metrô tem tido sucesso ao fazer parcerias com a iniciativa privada na instalação de shoppings ligados às suas estações mais movimentadas como Tatuapé, Corinthians-Itaquera e Tucuruvi, mas Palmeiras-Barra Funda tem um potencial enorme por reunir três linhas e uma rodoviária. Em um futuro breve, a estação deve receber o Trem Intercidades para Campinas, caso os planos não optem por usar a futura estação Água Branca.

Para se ter uma ideia do movimento de Palmeiras-Barra Funda, basta dizer que apenas pela CPTM circulam 150 mil pessoas diariamente em suas plataformas. Já a estação homômina do Metrô recebe quase 200 mil passageiros, a segunda mais movimentada da rede, atrás apenas da Sé.

Estação Brás da CPTM: governo tem várias estações com potencial comercial elevado

Gare

Embora exista potencial para diversas estações da malha metroferroviária, paradas como Palmeiras-Barra Funda, Brás e Luz possuem uma capacidade imensa de gerar receita pela exploração comercial. No exterior, esse tipo de estação geralmente está associada com diversos outros serviços, escritórios e comércio que inclui até hotéis integrados.

Em Londres, que possui diversas dessas estações, também conhecidas como “Gare” na França, uma chama bastante a atenção, a Saint Pancras, de onde parte o Eurostar, trem de alta velocidade que liga a capital britânica à Paris e Bruxelas. O suntuoso prédio que abriga a estação possui um hotel, restaurantes e shopping além de ser conectado a diversas linhas de metrô e trens regionais.

Palmeiras-Barra Funda, guardadas as proporções, pode se transformar em um importante polo gerador de empregos e de receita para um concessionário e, por tabela, para o Metrô e a CPTM, hoje limitados pela baixa arrecadação tarifária.

Embora não tenha detalhado ainda o que pretende fazer após a consulta, imagina-se que a atual gestão vá então modelar essa proposta para licitá-la talvez em 2020. Espera-se que a mesma ideia seja aplicada à outras estações o quanto antes.

Estação St. Pancras, em Londres: complexo com hotel, restaurantes e lojas (MaryG90/Wikimedia)

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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