CPTM apresenta seu novo veículo de manutenção de rede aérea

A nova composição foi projetada e produzida no Brasil e conta com diversos aparatos de suporte à manutenção. A composição foi encomendada para a Linha 13-Jade
Novo CMRA de fabricação nacional (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

A CPTM recebeu recentemente o seu mais novo veículo de manutenção, o CMRA. A sigla se refere à Composição de Manutenção de Rede Aérea, um equipamento formado por uma unidade motorizada e um vagão de apoio que auxiliará os funcionários na revisão dos cabos de eletricidade que alimentam os trens nas vias. O site foi convidado para cobrir todos os detalhes dessa nova composição.

A composição de manutenção de rede aérea, diferentemente dos outros veículos de manutenção da mesma categoria, é composto por duas partes principais denominadas como VMR (Veiculo de Manutenção de Rede Aérea) e o VMB (Vagão Reboque Porta Bobinas). Em conjunto, ambos os veículos conseguem suprir todas as necessidades para uma manutenção de qualidade.

O VRM é o principal veiculo da composição e o que possui a maioria dos equipamentos. Trata-se de um material rodante com propulsão própria equipado para a realização diversos serviços na rede aérea, mas também inclui suporte para a manutenção de linhas de alta tensão (sinalização e energia de tração), implantação de bases de estruturas, troca de postes e pintura.

Ele é composto por duas cabines de condução, uma em cada extremidade do veiculo. A principal possui suporte para um co-piloto enquanto segunda é uma meia cabine mais compacta. Na parte central da composição, temos uma área de convivência com bancos, mesa, pia, micro-ondas e um refrigerador. A composição também conta com banheiro.

Ainda temos uma área destinada aos serviços técnicos com uma série de ferramentas e equipamentos à disposição. No centro do veículo temos uma sala técnica onde ficam alocados os equipamentos de controle e gerenciamento das funções vitais, um gerador de emergência e o motor diesel.

Na parte superior do veículo se encontra a plataforma elevatória, e o mastro telescópico. Apesar do contar com dois pantógrafos, eles não alimentam o trem com eletricidade. A função deles no CMRA é de realizar o aterramento, procedimento que garante a segurança dos funcionários nas atividades de manutenção.

O VMR possui 21 metros de comprimento e pode acessar trechos com raio de curva de 100 metros e em rampa de 4%. A plataforma móvel tem capacidade para 1.000 kg e pode se elevar até 7,6 metros do topo dos trilhos. O veículo possui dois modos de condução, o lento para inspeções e trabalho dos funcionários que é limitado à 10 km/h, e o modo rápido para o deslocamento geral que pode chegar a 80 km/h. Detalhe especial: a composição pode ser comandada via controle remoto.

A propulsão é feita por um motor diesel V8 da Scania que fornece uma potencia de 620 hp. Cabe lembrar que o motor em questão está dentro das normas ambientais, emitindo menor quantidade de partículas poluentes. A transmissão é hidráulica para os serviços em baixa velocidade e hidrodinâmica pra atuações em alta velocidade.

A capacidade de tração do equipamento permite com que o mesmo possa tracionar uma carga de 100 toneladas em via reta sem rampas em até 80 km/h. Em situações mais críticas a composição pode tracionar 60 toneladas em rampa máxima de 4% à 30 km/h.

O vagão reboque porta-bobina é o segundo componente do CMRA. Ele possui comprimento de 18 metros, leva 3 porta-bobinas, um grupo gerador diesel dedicado, além de um guindaste com capacidade para 42 toneladas.

O vagão possui também estabilizadores laterais para auxiliar nos trabalhos do guindaste. Cada uma das bases de apoio dos equipamentos estabilizadores possui diâmetro de 45 centímetros. Outra vantagem é o controle via rádio do guindaste.

As três bobinas possuem diâmetros diferentes, sendo uma de maior dimensão para o cabo mensageiro (fio superior da rede aérea) e as duas menores para o fio de contato, parte da catenária que entra em contato com o pantógrafo. As bobinas podem ser rotacionadas em até 45° permitindo sua instalação em trechos com curvas.

O vagão possui quatro acessos nas extremidades, sendo dois de cada lado. O piso é coberto por uma placa antiderrapante. Além disso, o espaço pode ser otimizado para que até 2 postes de rede aérea possam ser armazenados e posteriormente instalados no trecho.

A composição de manutenção de rede aérea é um equipamento completo e atende a praticamente todas as funcionalidades necessárias para a execução de serviços desta natureza. O trabalho foi realizado com bastante entrosamento entre a CPTM e a Empretec, empresa fabricante do produto. Em linhas gerais, o veiculo desponta entre a frota de manutenção da CPTM e é um exemplo da capacidade técnica da indústria ferroviária nacional.

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2 comments
  1. Pena que todo esse material de última geração será entregue de graça pra CCR, quando a máfia do PSDB privatizar as linhas da CPTM.

  2. Boa reportagem, mas chama a atenção no texto introdutório “A composição foi encomendada para a Linha 13-Jade” sendo que diferente do Metrô que possui diversidades de modais, ela poderia ser utilizada na totalidade das linhas da CPTM, a não ser que tenha algumas caracteristicas não mencionadas na descrição.

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