Obras da Linha 2-Verde do Metrô ganham ritmo, mas Cetesb pode comprometer avanço

Canteiros da extensão do ramal até Penha mostram evolução nítida. Porém, companhia ambiental do estado ainda impede início dos trabalhos no Complexo Rapadura por falta de licença
Poço da estação Vila Formosa (Márcia Alves/CMSP)

Quem acompanha os canteiros de obras da extensão da Linha 2-Verde do Metrô até a Penha deve ter notado que os trabalhos finalmente ganharam ritmo acelerado nas últimas semanas.

Praticamente todas as frentes estão avançando de forma célere, um bom sinal de que os trâmites burocráticos parecem ter sido quase todos superados.

Mas há uma exceção e ela é crucial para que toda essa evolução não seja perdida, o Complexo Rapadura. A área de estacionamentos, e que servirá de primeira partida para o “tatuzão”, ainda não havia recebido a licença ambiental da Cetesb até esta quinta-feira, 05 – ao menos em relação ao Diário Oficial, onde é preciso publicar o fato.

A demora em emitir a autorização impede que o consórcio responsável pelas obras possa iniciar a escavação no local. O canteiro já está demarcado e limpo, e agora tem recebido materiais e equipamentos para início dos trabalhos após oito meses de paralisação por conta de protestos de moradores da região.

Embora as escavações em outros poços possam ser realizadas sem impedimentos é fato que o atraso na passagem da tuneladora poderá impedir a execução de certas fases, comprometendo o cronograma geral.

Vale observar que assim que for liberado, o consórcio CML2, que fará a operação do “tatuzão”, terá de escavar a imensa vala, preparar o fundo do poço para receber o equipamento, além de montá-lo, testá-lo e então iniciar a construção dos túneis.

O tempo que tem sido preciso para que a Acciona prepare uma das duas tuneladoras da Linha 6-Laranja é bastante ilustrativo. A empresa espanhola assumiu o projeto há 10 meses e só deverá dar início às escavações em janeiro, mesmo já tendo a vala construída e os “shields” disponíveis.

Vila Formosa, a mais avançada

A despeito do Rapadura, o que se vê nas oito estações é bastante animador. A estação visivelmente mais avançada é Vila Formosa, que já escavou boa parte do poço circular onde ficará o corpo da estação.

A imensa Anália Franco também parece evoluir de forma significativa. Por envolver uma área maior que inclui parte das plataformas da futura Linha 16-Violeta (a ser confirmada), a obra é bastante volumosa. O método de Vala a Céu Aberto (VCA), no entanto, envolve concretar as paredes diafragma antes da escavação propriamente dita.

Orfanato, Santa Clara e Guilherme Giorgi passaram a ter bastante movimentação de terra e início da concretagem das paredes diafragma. Algo que também é feito em Penha, que já mostra trabalhos variados diante da importância que ela terá na rede metroferroviária.

As duas estações que ainda estão nos estágios iniciais são Santa Isabel, cuja construtora estava finalizando a demarcação do poço circular, e Aricanduva, cujo terreno estava sendo limpo e preparado para as primeiras intervenções.

É um panorama promissor para a obra de 8 km e que deve transformar a Linha 2-Verde na maior e mais movimentada da malha sobre trilhos de São Paulo a partir de 2025. Claro, se a Cetesb colaborar.

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  1. Boa matéria, mas o problema dessa manchete é que coloca a culpa na CETESB quando na verdade é culpa dos políticos que não contratam mais servidores para o tão sucateado serviço público.

  2. Como desculpa esfarrapada, a incompetência do atraso agora vira culpa dos moradores que protestaram legitimamente em defesa do verde e do politicamente correto? Perdoem me senhores do concreto. Havia uma área maior e melhor ( área da antiga fábrica)que não comprometeria nada nem nenhuma residência, mas como sempre no mundo “homem”, o dinheiro falou mais alto. Pêsames a todos os envolvidos. E viva a indecência!

  3. Esta reportagem novamente distorce a verdade. As obras no Rapadura não atrasaram oito meses devido aos protestos dos moradores locais. As obras foram paralisadas devido a uma ação civil pública aberta pelo Ministério Público Ambiental na qual o Metrô e a Cetesb são réus.
    O Metrô que afirmou ter todas as licenças e autorizações para realizar as obras no Parque Linear Rapadura estava mentindo e agora não pode mais culpar os moradores. Cortaram 150 árvores em uma área de preservação permanente sem as licenças ambientais. Lamentável.

  4. Para que a tuneladora faça seu serviço, os poços das demais estações devem estar prontos, isso é do cronograma da obra. A matéria da a entender que o tatuzão já poderia estar atuando, mas não seria possível.

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