Documentos revelam plano para transferir bilheterias do Metrô e CPTM ao sistema TOP
Contratos mostram que modelo original previa que a Autopass assumisse as principais bilheterias da rede, enquanto relação entre operadora e associação responsável pela bilhetagem segue sob questionamento
A relação entre a Associação de Apoio e Estudos da Bilhetagem e Arrecadação (Abasp) e a Autopass voltou ao centro das discussões sobre a bilhetagem do transporte metropolitano paulista após uma reportagem do UOL revelar documentos que detalham a estrutura do contrato firmado entre as duas entidades.
Segundo o artigo, os documentos mostram que o modelo concebido para o sistema TOP previa que a Autopass assumisse a operação das dez bilheterias com maior volume de vendas da CPTM e do Metrô, entre elas a estação Palmeiras-Barra Funda. A medida fazia parte do planejamento inicial de implantação da nova plataforma de bilhetagem que substituiu gradualmente o Cartão BOM.
Além da transferência das bilheterias, um documento interno da Abasp apontava que a adoção ampla do QR Code poderia gerar economia aos operadores ao permitir o fechamento dos postos de venda físicos mantidos pelo Metrô e pela CPTM. A proposta chegou a ser anunciada pelo governo estadual em 2021, mas acabou abandonada após críticas de passageiros, problemas operacionais e investigações sobre fraudes.
O tema ganhou relevância nos últimos anos porque a própria estrutura do TOP é considerada incomum. A Abasp foi criada por empresas operadoras de ônibus intermunicipais e recebeu a atribuição de administrar a arrecadação do transporte metropolitano. Metrô e CPTM aderiram à associação como membros especiais, permitindo que a entidade assumisse a gestão do sistema de bilhetagem sem que houvesse uma licitação pública.
Cartão TOP: sócio da Autopass acumula posições em conselho de operadores e associação que movimenta bilhões de reais no transporte (Jean Carlos)
Foi a própria Abasp que contratou a Autopass para operar o TOP. Desde então, críticos do modelo questionam a ausência de concorrência pública para a escolha da empresa responsável pela arrecadação e pelos sistemas tecnológicos utilizados pelos passageiros.
A discussão se intensificou após sucessivas revelações sobre vínculos entre integrantes da associação e empresas ligadas à estrutura societária da Autopass. Levantamentos publicados nos últimos anos apontaram a existência de relações empresariais entre fundadores da Abasp e grupos que participam do controle indireto da operadora da bilhetagem.
Segundo os documentos agora revelados, o contrato firmado entre as partes possui vigência até 2040 e estabelece remuneração mínima por transação processada pelo sistema. O TOP concentra atualmente a arrecadação de ônibus intermunicipais, trens metropolitanos e metrô, movimentando bilhões de reais por ano.
Catraca exclusiva para pagamento por aproximação (Willian Moreira)
A legalidade do arranjo continua sendo analisada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). O processo tramita desde 2022 e ainda não teve julgamento concluído.
Em manifestações anteriores, a Abasp afirmou que a contratação da Autopass observou seu regulamento interno, foi aprovada pelos órgãos de governança da associação e já teve sua regularidade examinada pelo Ministério Público. A Autopass, por sua vez, sustenta que atua exclusivamente como fornecedora de tecnologia, sem participação na gestão financeira dos recursos arrecadados nem nas decisões sobre operação de bilheterias.

Até onde se sabe, a maior acionista da Autopass/cartões TOP é justamente o… Veja só! NEXT Mobilidade, a queridinha dos políticos do ABC, responsável pela interminável obra do BRT ABC.
Absurdo atrás de absurdo