Duas cenas que pareciam impossíveis na Linha 17-Ouro viraram realidade

Além de receber as primeiras vigas-trilho no trecho da Marginal, ramal de monotrilho do Metrô finalmente contará com cobertura do pátio de manutenção Água Espraiada
As quatro primeiras vigas-trilho lançadas na Marginal (iTechdrones)

Como se fosse uma escultura de algum artista, a fileira de colunas que forma a via da Linha 17-Ouro do Metrô na Marginal Pinheiros transformou-se numa cena congelada no tempo. Há pelo menos quatro anos o quadro era o mesmo, com colunas e vigas suportando apenas o ar enquanto ferragens permaneciam expostas à ação do tempo.

Mas algo finalmente mudou nessa paisagem degradante. Quem passou pela via expressa na altura da rua Américo Brasiliense nos últimos dias viu surgirem finalmente as quatro primeiras vigas-trilhos assentadas na estrutura, encerrando o longo período de espera para que a obra voltasse à região.

De fato, já há movimento desde o primeiro semestre, mas apenas em agosto, quando a Coesa Engenharia, vencedora da licitação de obras civis complementares da Linha 17, ganhou a companhia da KPE (nome utilizado pela problemática construtora OAS) é que o ritmo de trabalhos ganhou velocidade.

As colunas da Linha 17 na Marginal Pinheiros em outubro de 2017: quatro anos como uma escultura de mau gosto (Google)

Hoje não só as vigas-trilho instaladas mas imensas estruturas metálicas necessárias para levá-las até a posição de fixação estão tornando o canteiro bastante agitado. Até então, a única evolução real foi a construção da isolada estação Morumbi, que está praticamente pronta há meses.

Iniciado há quase dez anos, o projeto do monotrilho da Linha 17 teve alguns períodos de evolução satisfatória em meio a eternas interrupções. Por isso, ver alguma mudança é motivo para comemorar.

O telhado do pátio Água Espraiada finalmente sendo instalado (Reprodução/Instagram)

Esse efeito ainda não foi percebido nas sete estações tocadas pelo consórcio Monotrilho Ouro, por conta de tarefas iniciais mais simples e internas, mas ao menos outra paisagem repetitiva também está com os dias contados.

Trata-se da cobertura do prédio A do pátio de manutenção Água Espraiada. O imenso edifício servirá de principal base de manutenção dos trens da BYD e permanecia descoberto dez meses após o reinício das obras.

Nos últimos dias, no entanto, as chapas metálicas que serão instaladas na estrutura montada pelo consórcio anterior começaram a chegar ao canteiro, o que levou o presidente do Metrô, Silvani Pereira, a comemorar em seu perfil no Instagram. Segundo ele, logo será a vez das coberturas das estações.

A cobertura do prédio A do pátio Água Espraiada antes de ser finalizada (CMSP)

Inauguração em 2022, só com milagre

Os marcos atingidos recentemente são boas notícias numa obra que coleciona reveses. Significa que, a despeito de problemas seguidos, o Metrô está conseguindo se aproximar da conclusão do trecho prioritário, de oito estações e 6,7 km de extensão.

Nada disso, no entanto, faz a previsão de entrega em 2022 factível. Seria preciso uma mobilização maciça para que a Linha 17 resolvesse todos os gargalos existentes para ficar pronta em apenas 14 meses. E a tendência é que novos percalços surjam, como no contrato de fornecimento de energia, que até hoje mal começou.

Espera-se também que a “antecipação eleitoreira” do primeiro trem do monotrilho para março de 2022 tenha sido esquecida, assim como o ex-secretário Alexandre Baldy, que deixou o cargo nesta segunda-feira. Melhor que a BYD entregue essa composição em dezembro, como consta do cronograma e que chegaria num momento em que o projeto teria condições de fato de avançar.

Afinal, tudo o que a Linha 17 menos precisa é de um “teatro” com um trem e vias incompletas apenas para servir de propaganda nas eleições.

Maquete do monotrilho SkyRail que será usado na Linha 17: que o primeiro trem chegue em dezembro de 2022, mas pronto para ser testado de fato (STM)

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6 comments
  1. É prática recorrente do partido que comanda SP a décadas. Deixar as obras paradas durante praticamente toda a gestão e retomar quando se aproxima o ano eleitoral. Foi assim durante a implantação do corredor metropolitano na Av. Cupecê. Obra que durou umas 4 gestões e era reativada sempre próximo dos anos eleitorais, ficando abandonada depois.

  2. Estranho como uma linha enfrenta tantos imbroglios jurídicos. Parece que alguns não veem com bons olhos unir a zona sul de São Paulo e Morumbi ao Paraisópolis… Com o retrospecto de casos como das estações Três Poderes, na linha amarela, e a estação Angélica, da linha laranja, não é difícil…

  3. O pior de tudo isso Ed e Wilson é ver a verba das obras, proveniente de impostos municipais, estaduais, federais e EMPRÉSTIMOS EXTERNOS “sumirem” quebrando a previsão orçamentária e “travando” a solução para qual foi proposta.
    Infelizmente esta é o “modus pulitucos” que eu assisto há mais de 40 anos.
    Ainda dizem que o Brasil é uma economia “emergente”. Até quando?

    1. Lembram do trem bala para a copa do mundo e olimpíada? Criaram um órgão federal para isto, pagaram funcionário por anos, e a obra ficou restrita à uma selfie!

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