Linha 16-Violeta: Empresários dizem ter obtido apoio de Tarcísio para mudar projeto na Mooca

Grupo de empresas da Mooca tenta há meses deslocar pátio e outras estruturas previstas no projeto desenvolvido pela Acciona

Linha 16-Violeta está em meio a estudos do governo e da Acciona
Linha 16-Violeta está em meio a estudos do governo e da Acciona (Montagem com uso de IA)

A pressão de empresários da Mooca para retirar de seus terrenos estruturas da futura Linha 16-Violeta ganhou um novo capítulo. O Polo Empresarial Mooca afirmou que o atual governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas se comprometeu, durante um encontro de campanha, a discutir mudanças no projeto desenvolvido pela Acciona e atualmente conduzido pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI).

Segundo nota divulgada pela associação nesta segunda-feira (24), ele teria se comprometido a conversar com o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, sobre a localização do pátio intermediário previsto na região.

Não havia, no entanto, uma manifestação oficial do governo estadual ou da SPI confirmando qualquer alteração no projeto. A informação sobre o compromisso assumido por Tarcísio parte do próprio Polo Empresarial Mooca, diretamente interessado na mudança.

O encontro ocorreu no Mooca Plaza Shopping e contou também com a presença do prefeito Ricardo Nunes e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A associação afirma ainda que Nunes se dispôs a promover uma reunião com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento para discutir alternativas.

Receba notícias quentes sobre mobilidade sobre trilhos em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do MetrôCPTM.

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante coletiva no Metrô de São Paulo. (MetrôCPTM)

Pátio Henry Ford é alvo de disputa

A principal preocupação dos empresários é o Pátio Henry Ford, estrutura prevista em uma extensa área industrial da Mooca e que seria utilizada para estacionamento e manutenção dos trens da Linha 16.

A concepção atual prevê o pátio nas proximidades da Linha 6-Laranja, ocupando terrenos e galpões na Avenida Henry Ford. O projeto também inclui túneis para conectar a estrutura à Linha 16 e utiliza a região como ponto de apoio para a construção do ramal.

Segundo o Polo Empresarial Mooca, a área afetada reúne centenas de empresas e concentra atividades industriais e logísticas. A associação afirma que seus associados possuem mais de R$ 1 bilhão em investimentos planejados e argumenta que as desapropriações obrigariam algumas operações a deixar a região.

A entidade tenta modificar essa configuração há meses. Durante a consulta pública realizada em 2025, apresentou 29 contribuições ao projeto, incluindo alternativas para deslocar o pátio.

Uma delas seria utilizar uma área de 144 mil m² nas proximidades do Viaduto São Carlos, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Outra possibilidade apontada pelos empresários é a antiga área da Antárctica. As propostas também envolvem mudanças em outras estruturas previstas para a implantação da linha na Mooca.

O complexo São Carlos, da Linha 16-Violeta e a Vala Henry Ford, de onde partirão os tatuzões (GESP)

Projeto passou do Metrô para a SPI

Embora a Linha 16-Violeta tenha sido originalmente estudada pelo Metrô, o projeto que está atualmente em desenvolvimento não é conduzido pela companhia.

O Metrô chegou a realizar uma concorrência para contratar o anteprojeto, projeto básico e estudos ambientais da linha. Esse processo acabou interrompido depois que a Acciona apresentou ao governo paulista, em 2024, uma Manifestação de Interesse Privado para desenvolver o empreendimento.

A Secretaria de Parcerias em Investimentos passou então a conduzir a Linha 16 e autorizou a elaboração dos estudos privados. A Acciona apresentou em 2025 uma nova concepção, acompanhada de estudos técnicos, de demanda, jurídicos e econômico-financeiros.

Foi essa proposta que posteriormente passou por consulta pública e que prevê o Pátio Henry Ford hoje contestado pelos empresários.

A SPI recebeu durante esse processo contribuições de diferentes interessados e pode incorporar alterações antes da estruturação definitiva da futura parceria público-privada. Portanto, o projeto já estava sujeito a ajustes antes mesmo do encontro realizado com Tarcísio.

Projeto referencial sugere dois blocos de desapropriações ao longo da Av. Henry Ford (GESP)

Pressão chega à campanha eleitoral

A novidade agora é a tentativa do Polo Empresarial Mooca de obter diretamente do governador apoio político para suas reivindicações.

A associação afirma ser favorável à implantação da Linha 16, mas defende que pátio, estruturas de obras e outros elementos sejam deslocados para preservar as empresas instaladas na região.

A eventual mudança, porém, não depende apenas de uma decisão política. As alternativas precisam ser avaliadas dentro dos estudos da Linha 16, considerando aspectos como geometria do traçado, operação dos trens, construção dos túneis, desapropriações e custos.

Por enquanto, portanto, permanece válida a concepção submetida à consulta pública. O que existe de novo é a afirmação dos empresários de que conseguiram levar sua reivindicação diretamente a Tarcísio e receberam dele a sinalização de que o assunto será discutido com a SPI.