Estação Júlio Prestes: governo diz que estação será desativada, mas depois volta atrás
Histórico edifício no centro de São Paulo pode ser transformado em espaço cultural e memorial ferroviário. Atualmente apenas a Linha 8-Diamante utiliza local
A histórica estação Júlio Prestes, um dos marcos arquitetônicos de São Paulo, deverá ser desativada, chegou a ser anunciado pelo governo do estado nesta sexta-feira, 21, em um comunicado.
Mais tarde o texto foi alterado para suprimir o trecho que afirmava que Júlio Prestes será transformada em um espaço cultural e memorial ferroviário. Veja o que dizia a nota original:
“Está prevista a implantação do Parque do Moinho, ao longo do trajeto de intervenção, além da instalação da atração turística do Trem do Moinho, que percorrerá o parque preservando, para fins turísticos. Também haverá remanejamento da linha 8-Diamante, que será desativada no trecho entre a Barra Funda e Julio Prestes, que será transformada em espaço cultural e um memorial ferroviário. Por outro lado, será criada a Estação Bom Retiro, que ficará no complexo.”
A informação sobre o fim do atendimento em Júlio Prestes envolve um projeto mais amplo que prevê a implantação do Parque do Moinho, onde hoje está a favela de mesmo nome. Ele também prevê a construção da Estação Bom Retiro na região para atender a Linha 11-Coral e o Expresso Aeroporto, hoje operados pela CPTM.
Em contato com o site, a CDHU, companhia de habitação do estado, disse que na verdade, há uma possibilidade, citada em um anteprojeto, e que os estudos vão avançar para definir como de fato vai ocorrer a implantação.
Por agora, o governo diz que pretende fazer um parque e a estação Bom Retiro. Todo o resto seria uma possibilidade, ainda em fase inicial de estudo, cuja análise de viabilidade será aprofundada com esses estudos.
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Estação centenária
Atualmente apenas a Linha 8-Diamante utiliza a gare, erguida em 1926 pela Estrada de Ferro Sorocabana. Caso a mudança seja confirmada, o ramal operado pela ViaMobilidade deixará de percorrer o trecho Barra Funda-Júlio Prestes.
Concluída em 1938, a estação teve parte de suas instalações convertida para outros fins como abrigar a Sala São Paulo, onde são realizados concertos de música.

A estação perdeu demanda desde o fim dos trens regionais e a falta de uma conexão gratuita com Luz tornou o local pouco atraente.
Em julho, por exemplo, a média diária de usuários foi de apenas 3.260 pessoas – a estação Palmeiras-Barra Funda teve um movimento 25 vezes maior.

Recentemente a ViaMobilidade anunciou uma reforma da estação que inclui restauro e obras de acessibilidade.
A passarela metálica da estação, implantada pela Fepasa, deverá ser removida. A retirada desse item fará com que a estação retorne às suas características originais.
Nota do editor: o título e o texto acabaram alterados após esclarecimentos de integrantes do governo. No entanto, causou estranheza à essa redação que a informação original tenha sido tão clara sobre o fim da função de transporte da estação. Os planos da atual gestão, contudo, indicam esse cenário como o de maior probabilidade já que sem mudanças profundas em Júlio Prestes não há como justificar sua permanência na rede sobre trilhos.

