Estudo da Linha 3 do Metrô será debatido na Câmara do Rio em setembro
Encontro marcado para 15 de setembro terá participação de pesquisadores da Coppe/UFRJ, responsáveis pelo projeto Prisma-RJ
O estudo que tenta dar uma nova base técnica à histórica Linha 3 do Metrô do Rio será tema de um debate público na Câmara Municipal em 15 de setembro. Pesquisadores da Coppe/UFRJ deverão apresentar o estágio atual do projeto Prisma-RJ, que analisa uma ligação metroviária entre o Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
O encontro, chamado “Linha 3 do Metrô – Conexão da Baía de Guanabara”, será realizado entre 10h e 13h, no Salão Nobre do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara. A iniciativa é do vereador Flávio Valle, presidente da Comissão de Turismo da casa.
A apresentação deverá ser conduzida pela equipe coordenada pelo professor Rômulo Orrico, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe. O grupo vem desenvolvendo desde 2025 estudos de demanda, traçado, operação, custos e viabilidade para uma nova versão da Linha 3.
A realização do debate não significa que a implantação do ramal tenha sido decidida. O Prisma-RJ continua sendo um estudo técnico e ainda não há obra contratada, financiamento definido ou cronograma para a construção da linha.
Projeto ganhou traçado preliminar em junho
Parte importante do trabalho que será discutido na Câmara já foi apresentada publicamente pela Coppe e noticiada pelo MetrôCPTM em junho.
A versão preliminar desenvolvida pelos pesquisadores possui aproximadamente 50 km e 29 estações. Diferentemente de algumas propostas anteriores da Linha 3, concentradas no Leste Fluminense, o traçado atravessaria a Baía de Guanabara e chegaria ao Centro do Rio.
Traçado preliminar com 50 km de extensão (COPPE)
Pela configuração apresentada em junho, a linha partiria da região da Carioca, atenderia o Aeroporto Santos Dumont e cruzaria a baía por túnel antes de chegar a Niterói. Dali seguiria por São Gonçalo até Itaboraí.
O estudo considera um metrô pesado, inteiramente subterrâneo, com bitola larga, alimentação elétrica por catenária e sinalização CBTC. Os pesquisadores chegaram a trabalhar com intervalos mínimos de 90 segundos entre trens, embora essas especificações ainda façam parte de uma proposta em desenvolvimento.
A Coppe estima que cerca de 1,7 milhão de pessoas estejam na área potencialmente atendida pelo projeto.
Estudo começou em 2025
O Prisma-RJ foi lançado em junho de 2025 com prazo de 30 meses para desenvolvimento. O projeto recebeu cerca de R$ 26 milhões provenientes de emendas parlamentares da bancada federal do Rio de Janeiro.
Naquela ocasião, ainda não havia sequer um traçado definido. Desde então, os pesquisadores realizaram levantamentos de campo e consolidaram bases de dados socioeconômicos e de mobilidade, além de desenvolver diagnósticos urbanos, operacionais, jurídicos e regulatórios.
Trens terão bitola larga e catenária (COPPE)
A etapa seguinte inclui o aprofundamento da modelagem de demanda, dimensionamento da operação e da infraestrutura, estimativas de custos e avaliação econômico-financeira.
O escopo do Prisma-RJ prevê ainda estudos sobre a forma de implantação do empreendimento e apoio à estruturação de uma futura licitação. Essas etapas, entretanto, não substituem uma decisão do poder público de executar e financiar a Linha 3.
A ligação metroviária entre o Rio e o Leste Fluminense é discutida há décadas e já passou por sucessivas propostas sem que as obras fossem iniciadas. A versão desenvolvida pela Coppe é mais uma tentativa de estabelecer uma solução técnica para o corredor, desta vez incluindo a conexão direta sob a Baía de Guanabara.
