Vídeo: Estação Fernão Dias da Linha 2-Verde já exibe poço profundo

Parada ficará próxima à Marginal Tietê, perto das rodovias Ayrton Senna e Fernão Dias, e poderá servir como ‘cartão de visitas’ para quem mora no interior

Estação terá dois poços secantes no acesso principal
Estação terá dois poços secantes no acesso principal (iTechdrones)

Um dos maiores canteiros da nova etapa de expansão da Linha 2-Verde começa a revelar a dimensão da futura estação Fernão Dias. Imagens aéreas feitas pelo canal iTechdrones, parceiro do MetrôCPTM, mostram o avanço da escavação do primeiro dos dois grandes poços que formarão a parada, localizada pouco depois da travessia subterrânea do Rio Tietê.

O trabalho mudou bastante a paisagem desde o último sobrevoo realizado pelo canal. Em junho, quando o MetrôCPTM mostrou o início da escavação, estimávamos que o poço tivesse atingido cerca de 10 metros de profundidade. Agora, as paredes de concreto já se estendem por vários níveis, enquanto máquinas continuam retirando terra no fundo da estrutura.

E esse é apenas um dos poços previstos para Fernão Dias. A planta da estação mostra uma configuração incomum, formada por duas grandes estruturas circulares secantes, ou seja, parcialmente sobrepostas. O segundo poço será construído ao lado daquele que aparece nas imagens atuais, formando em conjunto o corpo principal da estação.

O enorme terreno também chama atenção nas imagens. A estação está sendo construída na Avenida Educador Paulo Freire, no Parque Novo Mundo, em uma área próxima da Marginal Tietê e da divisa entre São Paulo e Guarulhos.

Obras da estação Fernão Dias em agosto de 2026 (iTechdrones)

Sua posição é peculiar dentro da futura Linha 2. Depois de sair de Penha de França, os trens passarão por Gabriela Mistral e cruzarão subterraneamente o Rio Tietê antes de chegar a Fernão Dias. A partir dali, o ramal seguirá para Ponte Grande e Dutra, estas duas já em Guarulhos.

Localização próxima de grandes rodovias

Fernão Dias também ficará próxima de alguns dos principais acessos rodoviários à capital. Além da Marginal Tietê, estão nas proximidades as rodovias Fernão Dias e Ayrton Senna.

Essa localização poderá tornar a estação um ponto de entrada no sistema metroviário para passageiros provenientes de municípios ao norte e nordeste da capital, sobretudo caso sejam criados serviços de ônibus ou outras formas de integração aproveitando sua posição junto aos grandes eixos viários.

Não se trata, entretanto, do grande terminal intermodal previsto pelo Metrô para essa etapa da Linha 2. Essa função está associada à estação Dutra, no final do prolongamento, junto à Rodovia Presidente Dutra e no mesmo terreno por onde também deverá passar a futura Linha 19-Celeste.

Poços secantes duplos na estação Fernão Dias (Willian Moreira)

No caso de Fernão Dias, a disponibilidade de uma área extensa permitiu uma implantação bastante diferente de estações construídas em regiões mais adensadas da capital. As imagens do iTechdrones mostram que, mesmo com as grandes dimensões do primeiro poço, há uma ampla área de canteiro ao redor da estrutura.

Pátio Paulo Freire será vizinho

A intervenção nessa região será ainda maior porque, praticamente ao lado da estação, será implantado o Pátio Paulo Freire, futura instalação de manutenção e estacionamento dos trens da Linha 2-Verde.

O pátio ficará do outro lado da Avenida Educador Paulo Freire e terá diversas vias para estacionamento, manutenção e movimentação das composições. Sua implantação é necessária diante da ampliação significativa da Linha 2, que atualmente dispõe do pequeno Pátio Tamanduateí.

A ligação ferroviária entre a linha e o novo pátio também ajuda a explicar a complexidade do conjunto mostrado nas plantas do projeto. Além das vias principais da Linha 2, haverá túneis de acesso às instalações de manutenção, que se separam do traçado nas proximidades de Fernão Dias.

Remoção de terra do primeiro poço de Fernão Dias (iTechdrones)

Cinco estações rumo a Guarulhos

Fernão Dias integra o trecho final da expansão da Linha 2-Verde, entre Penha e Dutra. São cerca de 6,2 km e cinco novas estações: Penha de França, Gabriela Mistral, Fernão Dias, Ponte Grande e Dutra.

O estágio das obras ainda varia bastante entre elas. Penha de França também possui um grande poço central com escavação bastante avançada, enquanto Gabriela Mistral ainda passa pelas primeiras intervenções no terreno. Em Guarulhos, Ponte Grande ainda depende da liberação de áreas para que os trabalhos ganhem escala, enquanto o grande terreno de Dutra já foi disponibilizado para a implantação da estação.

Fernão Dias, portanto, passou a ser um dos locais onde a obra civil está mais visível nessa nova frente da Linha 2. A escavação do primeiro poço permite agora dimensionar uma estação que ficará ainda maior quando a segunda estrutura circular prevista no projeto começar a tomar forma.

A expansão também terá pela frente uma das etapas mais complexas da obra: a construção dos túneis entre Penha e Guarulhos, incluindo a passagem sob o Rio Tietê. Esse trecho será escavado pela tuneladora Hebe Camargo, segunda máquina destinada às obras de ampliação da Linha 2-Verde.

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