Destaques Linha 4

Gestão Alckmin já revê prazos de entrega das estações da Linha 4

Expectativa agora é que apenas Higienópolis-Mackenzie seja aberta em 2017, mas mais uma vez governo cai na tentação de prometer o impossível

Higienópolis-Mackenzie, a mais adiantada, estava assim em março (CMSP)

O mandato anterior do governador Geraldo Alckmin foi marcado por promessas impossíveis na área de transportes sobre trilhos. A Linha 13 da CPTM, por exemplo, ficaria pronta em apenas 18 meses, afinal, como disse o ex-secretário de Transportes Metropolitanos Jurandir Fernandes, “quase não há desapropriações no percurso”. Na prática, a obra, que teve vários problemas com licenciamento e financiamento, deve ser aberta após cerca de 60 meses de trabalho.

Em outra ocasião, Fernandes prometeu entregar novas estações da Linha 15-Prata do Metrô em questão de meses – era ano de eleição em 2014. O que ele não disse é que as estações prometidas nem haviam começado a ser construídas, o que só começou de fato há poucos meses após um problema com o desvio do córrego Moóca todo o cronograma. Clodoaldo Pelissioni, que assumiu o lugar de Jurandir Fernandes nessa gestão do governo Alckmin tem sido mais prudente nos prazos, mas até ele prometeu demais.

Há quase um ano, quando o imbróglio do atraso da Fase 2 da Linha 4 estava perto de ser resolvido, com uma nova licitação, o governo Alckmin declarou que as quatro estações restantes estariam prontas num prazo de variava de 12 a 36 meses, a partir do momento em que fosse retomado o trabalho: “Com a retomada, o consórcio seguirá o seguinte cronograma: 12 meses para concluir a estação Higienópolis-Mackenzie; 15 meses para a estação Oscar Freire, 18 meses para a estação São Paulo-Morumbi; 36 meses para a estação Vila Sônia e o terminal de ônibus integrado; e 14 meses para a complementação do Pátio”, dizia o comunicado oficial.

Acesso principal de São Paulo-Morumbi: previsão permanece em 2018, mas é difícil acreditar nesse prazo (CMSP)

Quanto mais distante a data, mais se promete o que não é possível

Pois nesta semana o governador já falou em novos prazos. Higienópolis-Mackenzie, a mais ‘adiantada’, deve ser aberta no final do ano enquanto Oscar Freire ficou agora para o começo de 2018, sem estipular, desta vez, uma data. São Paul0-Morumbi permanece com inauguração prevista para 2018 (deveria ocorrer em fevereiro se a promessa fosse seguida à risca), mas é pouco provável que seja aberta por Alckmin visto que há muito a se fazer.

Quanto à Vila Sônia, estação que não começou a ser erguida ainda, Alckmin voltou a cair na tentação das promessas impossíveis: “Vamos tentar até o fim de 2018”, disse o governador, contrariando o bom senso, afinal se uma estação quase pronta levará quase 18 meses para ser entregue por que acreditar que uma construção que nem começou pode levar na pior das hipóteses 17 meses para ficar pronta – as obras foram retomadas na prática em agosto de 2017.

Os prazos dilatados não são novidade para quem acompanha as obras de perto. É nítido que o novo consórcio, embora esteja trabalhando num bom ritmo, tem muito a fazer. Higienópolis, por exemplo, ainda não concluiu as obras civis e há toda uma série de serviços que serão feitos até o final do ano para que ao menos essa nova promessa seja cumprida.

Apesar de toda a descrença com a classe política, a impressão é que o hábito de prometer o impossível não consegue abandonar os mandatários. E quanto mais crua está a obra, mais se promete coisas irreais. A culpa certamente vai recair em toda a sorte de motivos, do tempo à crise econômica.

Em vez da estação, o que se vê em obras é o terminal de ônibus e pátio em Vila Sônia (CMSP)

Veja como ficaram os prazos aproximados:

Higienópolis-Mackenzie
Promessa anterior: agosto de 2017 (12 meses)
Atual promessa: dezembro de 2017* (16 meses)

Oscar Freire
Promessa anterior: novembro de 2017 (15 meses)
Atual promessa: fevereiro de 2018* (18 meses)

São Paulo-Morumbi
Promessa anterior: fevereiro de 2018 (18 meses)
Atual promessa: 2018*

Vila Sônia (que praticamente nem começou a ser feita)
Promessa anterior: agosto de 2019 (36 meses)
Atual promessa: 2018* (até 17 meses)

Estação Oscar Freire: de 2017 para 2018 (CMSP)

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

4 Comments

  • Caro leitor, esse comentário foi editado por ter apenas a reprodução de um texto da agência Senado. Se quiser alterá-lo e acrescentar seu comentário indicando o que essa informação tem a ver com post, além do link da referida matéria, fique à vontade.

  • Peço perdão, eu sou um aficionado por assuntos de infraestrutura e salvo todas as noticias relacionados ao tema e por engano colei aqui uma decisão do senado sobre as concessões que estão com problemas.
    Eu acompanho seu trabalho no Airway, no skyscraprecity e aqui neste blog. Os seus textos são muito bons e construtivos. O que eu iria postar anteriormente, mas que me equivoquei envio, foi informar que existe um conflito de informações entre o que o governador alardeia para a imprensa em contraposição as previsões realizadas pelo metrô. Segundo o último relatório de administração da estatal, publicado em 1 de dezembro de 2016(pg 26), os prazos para conclusão das estações da linha 4 são os seguintes:
    Estação Higienópolis – Mackenzie- dezembro/2017

    Estação Oscar Freire- dezembro2017

    Estação São Paulo Morumbi- julho de 2018

    Estação Vila Sônia- novembro de 2020

    Link para acessar o relatório:
    http://www.metro.sp.gov.br/metro/institucional/pdf/rel-administracao.pdf

    • Não precisa se desculpar! É que do jeito que estava o comentário ficou sem sentido apenas com o texto na íntegra, mas vi que você queria falar de algo importante, por isso lhe avisei. Obrigado por participar!

      Abs,
      Ricardo Meier

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