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Governo pretende instalar portas de plataformas no Metrô com sobras de empréstimo

Projeto que tramita na Assembléia Legislativa prevê utilizar cercade R$ 360 milhões que restaram de financiamento para a Linha 5 a fim de contratar 88 fachadas de PSDs
Adolfo Pinheiro é a única estação da Linha 5 com portas de segurança (CMSP)

A gestão Alckmin quer utilizar um saldo remanescente de um empréstimo da Linha 5-Lilás para instalar 88 fachadas de portas de plataforma nas estações do Metrô até 2023. É o que consta de um projeto de lei que o governo do estado publicou neste sábado no Diário Oficial e revelado pelo site Diário do Transporte.

De acordo com o projeto de lei nº 82, o governo relata ter um valor de US$ 111 milhões restantes (cerca de R$ 360 mihões) de um financiamento que seria utilizado na Linha Lilás mas que, por conta, da concessão do ramal não será usado – o escopo desses desembolsos agora faz parte do trabalho da concessionária.

A ideia é remanejar esse valor para dar início à instalação de portas de plataforma, também chamadas pela sigla ‘PSD’, em 37 estações das linhas 1, 2 e 3. O projeto, que ao todo deve consumir R$ 455 milhões, levaria 56 meses para ser executado com previsão de conclusão em 2023 desde que iniciado até o segundo semestre de 2018.

O governo não detalha que estações são essas, porém, é de se supor por algumas declarações anteriores que se tratam das paradas mais movimentadas e onde o uso de PSDs ajudaria não apenas na segurança dos passageiros mas também na eficiência da operação já que elas evitam atrasos nos embarques e desembarques.

Uma estação simples necessita de duas fachadas, uma em cada plataforma, mas casos como Paraíso, certamente uma das estações previstas nessa proposta, precisão de mais PSDs – nesse caso são quatro conjuntos, assim como na Sé serão necessárias oito fachadas, por exemplo.

Tabela mostra o cronograma de instalação e o custo das PSDs (Reprodução/Diário Oficial)

Interferência até do vento

Instalar portas de plataforma em linhas já em operação não é uma tarefa fácil. O próprio Metrô sentiu na pele quando decidiu contratar o serviço para a estação Vila Matilde, da Linha 3. O projeto acabou custando muito mais do que o previsto por questões variadas como a dificuldade de reforçar a plataforma para receber o equipamento já que não há uma base de concreto nessa estação e sim brita. As PSDs também sofrem interferência do vento e precisam ser analisadas em túneis de vento em estações na superfície a fim de suportarem rajadas que possam afetá-las.

A preocupação do governo tem a ver com o aumento da demanda na rede metroviária com a ampliação das linhas 4, 5 e 15 que atrairão mais passageiros para o sistema. Em 2020, por exemplo, o Metrô estima acrescentar quase 700 mil passageiro por dia útil o que deve ampliar situações como dificuldades de organizar embarques, riscos para pessoas com mobilidade reduzida, entradas indevidas nos túneis e até mesmo tentativas de suicídio, atropelamentos e quedas acidentais nas vias, segundo o texto publico do Diário Oficial.

Casos como o da estação Conceição da Linha 1-Azul, que por pouco não vitimou uma passageira, mostram que o uso das PSDs é positivo, porém, seria hipocrisia crer que todo o sistema sobre trilhos terá um dia esse equipamento. Além de caro e de funcionamento complexo, eles amenizam problemas mas não podem evitar o mau uso em algumas situações como nas cenas lamentáveis de foliões andando nas vias da Linha 4-Amarela durante o Carnaval. Justamente o ramal que possui portas de plataforma em todas as oito estações.

Veja também: Saiba o status das obras de expansão do Metrô e CPTM

A Linha 4-Amarela possui PSDs em todas as estações (CMSP)

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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