Destaques Linha 13 Linha 15 Linha 17 Linha 18 Linha 2 Linha 4 Linha 5 Linha 6 Linha 9

Saiba o status das obras de expansão do Metrô e da CPTM

Atualizado mensalmente, post mostra em que estágio está a expansão da rede metroferroviária

Acesso secundário da Estação AACD-Servidor em outubro de 2017

Antes que a crise financeira e política se abatesse sobre o Brasil e os efeitos da operação Lava Jato no setor de construção civil estivessem sendo sentidos, os planos de expansão da rede metroferroviária da Grande São Paulo eram ousados em que pese o atraso constante nas previsões de entrega. O governador Geraldo Alckmin disse em várias oportunidades que existiam nove linhas em construção simultânea.

Hoje a situação é bem diferente, mas não para melhor. Sem recursos e com vários problemas em quase todas as frentes de trabalho, há menos linhas em obras e entregas bastante atrasadas. Algumas delas, inclusive, talvez nem fiquem prontas nesta década, postergando um alívio para os passageiros e mantendo alto o custo de mobilidade para a região.

Para acompanhar a evolução desses nove projetos, o blog mantem esse post atualizado mensalmente com o status de cada linha bem como um indicador sobre o andamento das obras.

Atualizado em 08 de novembro de 2017. Confira como estão as obras:

Linha 2-Verde
Projeto: expansão no sentido leste, com 14,5 km de extensão entre Vila Prudente e a cidade de Guarulhos, com 13 estações.
Status: sem previsão.

A extensão da Linha 2 é um dos mais importantes projetos de expansão do Metrô por permitir um certo reequilíbrio nos deslocamentos. Além de ligar parte de Guarulhos com a malha férrea, a Linha 2 terá a função de dividir o fluxo de passageiros do eixo Leste onde hoje a Linha 3 e a Linha 11 sofrem para levar milhões de passageiros.

Em novemobro as desapropriações seguiam em curso na região da Zona Leste, mas não houve nenhuma novidade a respeito da ordem de serviço para que as obras comecem.

Poço secundário da estação Oscar Freire

Poço secundário da estação Oscar Freire (Metrô)

Linha 4-Amarela
Projeto: entrega da fase 2 da Linha, compreendendo mais quatro estações e ampliação do pátio.
Status: em andamento

Depois de passar anos sendo tocada de forma lenta e mais um ano em processo de relicitação, a segunda fase da Linha 4-Amarela voltou a ser construída em agosto de 2016.

As obras estão aceleradas mas o Metrô reviu suas previsões. Em 2017, apenas Higienópolis-Mackenzie será entregue no final do ano. Oscar Freire ficou para março de 2018 e São Paulo-Morumbi, para o 3º trimestre do ano que vem. Vila Sônia permanece prevista para o final de 2020.

Em outubro era possível constatar que as plataformas de Oscar Freire e Higienópolis-Mackenzie já contavam com escadas rolantes e revestimentos. Em São Paulo-Morumbi a parte pesada de obra civil também caminhava para o final e em Vila Sônia estava escavando o túnel que ligará a linha à futura estação. Uma data não oficial circula a respeito da abertura de Higienópolis: dia 20 de dezembro, mas não confirmada pelo Metrô.

Linha 5-Lilás
Projeto: expansão entre Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin, com pouco mais de 10 km de extensão.
Status: em andamento

É a maior obra ferroviária em São Paulo atualmente e a que mais deve causar efeitos benéficos na cidade. Em maio o sistema CBTC enfim entrou em operação e os novos trens da Frota P puderam ser usados. O restante da linha segue em construção, incluindo as vias que devem ficar prontas em fevereiro para início da instalação dos trilhos e sistemas. A entrega final deve ocorrer em 2018.

Em 6 de setembro, enfim, as três primeiras estações (Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin) foram abertas em operação assistida das 10h às 15h. Mas várias partes ficaram faltando incluindo as portas de plataforma. O Metrô anunciou que elas passarão a funcionar em horário integral e com cobrança de tarifa até o final da primeira quinzena, mas chegou-se a dizer que isso ocorreria antes. O blog conversou com o Secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, que previu que isso ocorreria até o dia 20 de novembro.

Entre as seis estações prometidas para o final do ano, o blog visitou AACD-Servidor, que está praticamente pronta. As demais estão um pouco mais atrasadas, mas andando. Porém, o Metrô já fala em abri-las “nos próximos meses”, ou seja, dezembro já não é mais uma certeza.

O edital que concederá a linha 5 e também a 17 à iniciativa privada deveria ter o leilão no dia 28 de setembro, porém, uma ação do PT conseguir suspendê-lo por meio do TCE. A previsão era que isso se resolvesse na segunda quinzena de novembro.

8

Linha 6-Laranja
Projeto: nova linha subterrânea ligando a região da Brasilândia a estação São Joaquim, com 15,3 km de extensão e 15 estações
Status: parada

É, sem dúvida, o maior ‘abacaxi’ do governo do estado. Vendida como solução para acelerar a expansão do metrô, a PPP da Linha 6-Laranja acabou tornando-se um grande problema. Não só não acelerou as obras, que ficaram em banho maria enquanto eram resolvidos os casos de desapropriação como o consórcio vencedor, o Move São Paulo, não obteve financiamento do BNDES por ter entre seus sócios empresas investigadas na Lava Jato, incluindo a Odebrecht. Sem dinheiro, a Move São Paulo interrompeu a obra em 5 de setembro de 2016.

Depois de vários ultimatos do governo, a Move SP anunciou que está negociando a venda da concessionária para um grupo estrangeiro. Por isso a Secretaria de Transportes Metropolitanos deu mais um prazo até o final de setembro para que apresentassem uma solução. O mês terminou e o governo não oficializou a mudança, porém, o secretário da pasta disse num evento do setor que um grupo chinês já teria assumido a Move, mas que só iria ter o negócio divulgado após outubro. Estamos em novembro e até agora nenhum anúncio a respeito.

Linha 9-Esmeralda
Projeto: extensão entre Grajaú e Varginha.
Status: Prestes a recomeçar parcialmente

A mais simples das obras do governo do estado, a expansão da Linha Esmeralda até Varginha, incluindo a futura estação Mendes, é mais um caso de gestão atrapalhada. Sem grandes desapropriações, com a via já existente, a obra segue em ritmo lento, para prejuízo de milhares de pessoas. O problema nesse caso foi contar com uma verba do governo federal que não chegou, entre outro motivos, porque o tipo de licitação feito pela CPTM não ser permitido pelo governo federal.

Em outubro do ano passado, o governo do estado anunciou que estava encerrando os dois lotes atuais para relicitar o restante da obra nos moldes requisitados pela União com intuito de liberar a verba congelada. Licitações de alguns trechos e serviços da linha foram publicados este ano e o governo até comemorou a volta da ajuda do governo federal mas a obra principal segue sem previsão. O governo promete retomá-la por inteiro apenas em 2018.

Projeção do viaduto estaiado da Linha 13 (Reprodução)

Linha 13-Jade
Projeto: nova linha da CPTM que ligará o aeroporto de Guarulhos à Linha 12-Safira.
Status: em andamento

A primeira nova linha construída e operada pela CPTM está num ritmo forte de obras. Das três estações previstas, Engenheiro Goulart foi reaberta em julho para voltar a atender a Linha 12.

O viaduto estaiado sobre a rodovia Ayrton Senna já recebe os primeiros estais e deve ser finalizado no início de 2018. O restante das vias já está no final das obras e recebendo a base para os trilhos, postes de energia e outros serviços.

A licitação dos oito trens que serão usados na linha, que havia sido suspensa por uma liminar de um concorrente derrotado – uma empresa chinesa fará as composições – teve o recurso negado pela CPTM que confirmou o resultado do edital. Mesmo assim, os trens só chegaram à linha em 2019. Enquanto isso não ocorre, uma das novas frotas fará o serviço.

O governo também revelou que oferecerá três serviços para o Aeroporto de Guarulhos, o normal, entre Engenheiro Goulart e a estação Aeroporto Guarulhos, o “Connect”, que sairá de Brás nos horários de picos e fará paradas pelo caminho, e outro Expresso, que sairá da estação da Luz direto para o aeroporto em quatro horários diários em cada sentido.

Linha 15-Prata
Projeto: extensão entre Oratório e São Mateus, com oito estações e 13 km de vias.
Status: em andamento

As obras do monotrilho da Zona Leste estão em ritmo acelerado após um período em que foi preciso desviar um córrego que passava embaixo das futuras fundações de três estações.

Em outubro, as oito estações já recebiam acabamento, incluindo pisos, telhado e portas de plataforma, entre outros. No dia 27 de agosto, um trem de monotrilho percorreu pela primeira vez o trecho entre o pátio e a estação Sapopemba em modo manual e no mês passado os testes com os trens começaram a ficar mais intensos. Já há até a desmobilização de alguns canteiros e início do paisagismo e construção de ciclovia em alguns trechos.

Linha 17-Ouro
Projeto: nova linha de monotrilho cuja primeira fase ligará o aeroporto às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda.
Status: em andamento

O monotrilho da Zona Sul é, sem dúvida, um exemplo claro de projeto mal planejado e executado. Seu percurso passa por áreas complicadas, incluindo córregos, áreas ocupadas por habitações provisórias, cemitério e avenidas que ainda não saíram do papel, além de um trecho beirando o rio Pinheiros e de difícil execução. Não fosse apenas isso, foi licitado sem que os projetos estivessem prontos, mas quis aproveitar as verbas destinada às obras de mobilidade da Copa do Mundo de 2014, sem sucesso.

Seguiu em frente, porém, em vez de priorizar a construção do pátio, uma obra complexa sobre um piscinão, o governo optou por iniciar a construção das vias primeiro. No meio do caminho, detectou que a futura estação Morumbi, conjugada a homônina da Linha 9, seria insuficiente para dar conta da demanda e a retirou do escopo da obra, enquanto projeta uma nova e maior estação.

Tudo corria bem, apesar disso, mas em junho de 2014 um acidente com uma das vigas-trilho matou um funcionário da obra e fez com que o Ministério do Trabalho proibisse os lançamentos. De lá para cá, o consórcio formado pelas construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida abandonou as obras do pátio e das estações, foi afastado e apenas nos últimos meses os dois lotes foram retomados.

Para fechar a sequência desastrosa, o governo congelou as duas fases restantes da linha, uma que ligará o monotrilho à Linha 1-Azul no Jabaquara, e outra que passará pela região do Morumbi, incluindo Paraisópolis indo até a avenida Francisco Morato, onde se conectará à Linha 4-Amarela. Os dois trechos passam por comunidades carentes, mas envolvem a contrapartida da prefeitura da cidade. Na gestão Haddad, no entanto, as obras previstas foram suspensas, algo que agora, com a posse do prefeito eleito João Doria, do mesmo partido do governador Alckmin, pode ocorrer.

Em outubro, a estação Chucri Zaidan recebeu a estrutura da cobertura enquanto Vereador José Diniz e Campo belo começaram a receber peças metálicas de elevadores e laterais. O túnel entre o aeroporto de Congonhas e a estação recebia acabamento e o pátio tinha obras aceleradas. O pátio, no entanto, é onde os trabalhos estão mais intensos por conta do atraso.

A Scomi, fabricante do monotrilho, disse em evento em julho que o primeiro trem está em testes na Malásia, será inspecionado pelo Metrô em setembro e embarcado para o Brasil no início de 2018.

A estação Morumbi teve a licitação confirmada e a construtora Camargo Correa venceu o certame. Já o consórcio Monotrilho Integração chegou a um acordo com o Metrô e retomou o lançamento das vigas-trilho faltantes e instalação das passarelas de emergência.

Linha 18-Bronze
Projeto: nova linha em monotrilho que ligará o ABC Paulista às linhas 10-Turquesa e 2-Verde na estação Tamanduateí.
Status: não iniciada

Segunda PPP de metrô do estado, a Linha 18-Bronze está há três anos aguardando um empréstimo para o governo do estado executar as desapropriações do trecho. O valor deveria ter vindo originalmente de um repasse do PAC, mas o governo federal, endividado, só ficou na promessa. Sem essa verba, o governo do estado tentou obter autorização para um empréstimo no exterior, mas  foi proibido pelo Ministério da Fazenda por conta da situação fiscal. Agora, a gestão Alckmin aguarda a votação de uma mudança no cálculo da dívida dos estados para estar apto a contrair um novo empréstimo.

A situação segue indefinida já que o Tesouro Nacional manteve a nota do estado em C-, o que impede novos empréstimos. A esperança agora é a revisão desse rating até o final de 2017. O consórcio VEM ABC, no entanto, segue interessado no projeto.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

12 Comments

  • Até parece uma pagina oficial, mas bem diferente quando se busca uma informação realista porem sem idealismo, também sou um apaixonado pela mobilização urbana e agora tenho um veiculo de informação confiável e ativa. Parabéns pelo blog, não estamos mais no escuro.

  • Olá Ricardo, como vai? Este post é espetacular, parabéns pela qualidade e precisão nas informações, tenho esperança que essas linhas um dia sejam todas concluídas, pois querendo ou não, de 2011 para cá se iniciou uma grande expansão, se continuar neste ritmo e superado a crise econômica, com certeza poderemos ficar mais otimistas.
    Abraço!

  • Querido Ricardo, durante a reportagem notei uma foto falando sobre um túnel de ligação ao aeroporto, por favor, me diz sobre o que isso se trata?

  • O fato é que as obras estão atrasadas, por motivos,que vão desde de a crise econômica,a erros de projetos e gestão. No entanto, por mais que se tenha investido no metrô nos últimos 10 anos, SP, assim como outras grandes capitais, contam com redes pequenas de metrô e trens. Mesmo que todas as obras saiam do papel a rede continuará aquém das necessidades. Há uma discussão nos blogs sobre mobilidade urbana em São Paulo, ao meu ver estéril, se deve-se contar a CPTM como metrô ou não. Se contássemos a CPTM como metrô, teríamos cerca de 335 km de trilhos. Aí, não ficaríamos tanto atrás de Londres e Paris, por exemplo, com 408 km e 213 km de metrô,respectivamente. Mas temos que ver que Londres tem 8 milhões de habitantes e Paris, com a Grande Paris, 14 milhões. SP mais Grande SP têm 21 milhões. Paris tem ,além do metrô, um serviços de trens (RER) que tem mais de 350 km, ou seja mais de 560 km para 12 milhões. Londres está construindo uma extensão de 120 km, o que dará 520 km para 8 milhões. Ou seja,SP e outras capitais brasileiras estão bem atrás,mesmo contando com a CPTM, o que leva a conclusão que devemos nos preocupar em expandir mais rapidamente a rede e encontrar soluções para isso, o que ao meu ver, deveria ser o principal motivo de preocupação dos blogs. Infelizmente, dada a ausência de recursos, será imprescindível o estado buscar outras fontes de recursos.Elas terão que vir do transporte individual : pedágio urbano, vinculação do IPVA, da CIDE, para não faltar recursos para outras áreas como saúde, segurança e educação e também não comprometer mais ainda a situação fiscal dos entes. Não poderão prescindir de recursos federais que devem ser doados a fundo perdido como foi e é feito no primeiro mudo.A participação do setor privado, por meio de PPPS será importante, mas é limitada, como mostram as experiências da linha 4 e 6 do metrô paulista. Na real, resolver o dificílimo problema da mobilidade urbana requer vontade política e medidas impopulares para provocar mudanças estruturais na forma de financiar grandes projetos de metrô e trens.

Leave a Comment