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Saiba o status das obras de expansão do Metrô e da CPTM

Atualizado mensalmente, post mostra em que estágio está a expansão da rede metroferroviária

Estação Jardim Planalto em julho de 2017 (CMSP)

Antes que a crise financeira e política se abatesse sobre o Brasil e os efeitos da operação Lava Jato no setor de construção civil estivessem sendo sentidos, os planos de expansão da rede metroferroviária da Grande São Paulo eram ousados em que pese o atraso constante nas previsões de entrega. O governador Geraldo Alckmin disse em várias oportunidades que existiam nove linhas em construção simultânea.

Hoje a situação é bem diferente, mas não para melhor. Sem recursos e com vários problemas em quase todas as frentes de trabalho, há menos linhas em obras e entregas bastante atrasadas. Algumas delas, inclusive, talvez nem fiquem prontas nesta década, postergando um alívio para os passageiros e mantendo alto o custo de mobilidade para a região.

Para acompanhar a evolução desses nove projetos, o blog mantem esse post atualizado mensalmente com o status de cada linha bem como um indicador sobre o andamento das obras.

Atualizado em 22 de agosto de 2017. Confira como estão as obras:

Linha 2-Verde
Projeto: expansão no sentido leste, com 14,5 km de extensão entre Vila Prudente e a cidade de Guarulhos, com 13 estações.
Status: sem previsão.

A extensão da Linha 2 é um dos mais importantes projetos de expansão do Metrô por permitir um certo reequilíbrio nos deslocamentos. Além de ligar parte de Guarulhos com a malha férrea, a Linha 2 terá a função de dividir o fluxo de passageiros do eixo Leste onde hoje a Linha 3 e a Linha 11 sofrem para levar milhões de passageiros.

Em agosto, o governo do estado ainda não havia revelado o que pretende fazer com o trecho embora as desapropriações estejam acontecendo em várias regiões. Uma das vencedoras da licitação, a espanhola Somague declarou que tem interesse em tocar seus lotes.

Estação São Paulo-Morumbi em julho de 2017 (CMSP)

Linha 4-Amarela
Projeto: entrega da fase 2 da Linha, compreendendo mais quatro estações e ampliação do pátio.
Status: em andamento

Depois de passar anos sendo tocada de forma lenta e mais um ano em processo de relicitação, a segunda fase da Linha 4-Amarela voltou a ser construída em agosto de 2016.

As obras estão aceleradas mas o Metrô reviu suas previsões. Em 2017, apenas Higienópolis-Mackenzie será entregue no final do ano. Oscar Freire ficou para março de 2018 e São Paulo-Morumbi, para o 3º trimestre do ano que vem. Vila Sônia permanece prevista para o final de 2020.

Linha 5-Lilás
Projeto: expansão entre Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin, com pouco mais de 10 km de extensão.
Status: em andamento

É a maior obra ferroviária em São Paulo atualmente e a que mais deve causar efeitos benéficos na cidade. Atrasada, a expansão deve entregar as primeiras três estações em agosto de 2017. Em maio o sistema CBTC enfim entrou em operação e os novos trens da Frota P puderam ser usados. O restante da linha segue em construção, incluindo as vias que devem ficar prontas em fevereiro para início da instalação dos trilhos e sistemas. A entrega final deve ocorrer em 2018.

A estação Brooklin tem trabalhos nas portas de plataforma enquanto Borba Gato e Alto da Boa Vista estão na fase final de acabamento também. Na outra ponta, estações como Santa Cruz e Hospital São Paulo já tiveram as obras civis praticamente encerradas. Outra estação bem adiantada é AACD-Servidor, que deve ser concluída nos próximos meses.

O edital que concederá a linha 5 e também a 17 à iniciativa privada terá o leilão ocorrendo em 28 de setembro. Apesar dos problemas, o governador Geraldo Alckmin continua prometendo entregar nove das dez estações até o final deste ano, algo bem difícil.

Estação AACD-Servidor em julho de 2017 (CMSP)

Linha 6-Laranja
Projeto: nova linha subterrânea ligando a região da Brasilândia a estação São Joaquim, com 15,3 km de extensão e 15 estações
Status: parada

É, sem dúvida, o maior ‘abacaxi’ do governo do estado. Vendida como solução para acelerar a expansão do metrô, a PPP da Linha 6-Laranja acabou tornando-se um grande problema. Não só não acelerou as obras, que ficaram em banho maria enquanto eram resolvidos os casos de desapropriação como o consórcio vencedor, o Move São Paulo, não obteve financiamento do BNDES por ter entre seus sócios empresas investigadas na Lava Jato, incluindo a Odebrecht. Sem dinheiro, a Move São Paulo interrompeu a obra em 5 de setembro de 2016.

Depois de vários ultimatos do governo, a Move SP anunciou que está negociando a venda da concessionária para um grupo estrangeiro. Por isso a Secretaria de Transportes Metropolitanos deu mais um prazo até o final de setembro para que apresentem uma solução.

Linha 9-Esmeralda
Projeto: extensão entre Grajaú e Varginha.
Status: parada

A mais simples das obras do governo do estado, a expansão da Linha Esmeralda até Varginha, incluindo a futura estação Mendes, é mais um caso de gestão atrapalhada. Sem grandes desapropriações, com a via já existente, a obra segue em ritmo lento, para prejuízo de milhares de pessoas. O problema nesse caso foi contar com uma verba do governo federal que não chegou, entre outro motivos, porque o tipo de licitação feito pela CPTM não ser permitido pelo governo federal.

Em outubro do ano passado, o governo do estado anunciou que estava encerrando os dois lotes atuais para relicitar o restante da obra nos moldes requisitados pela União com intuito de liberar a verba congelada. Licitações de alguns trechos e serviços da linha foram publicados este ano, mas a obra em si ainda segue sem previsão.

Divulgação/CPTM

Estação Engenheiro Goulart

Linha 13-Jade
Projeto: nova linha da CPTM que ligará o aeroporto de Guarulhos à Linha 12-Safira.
Status: em andamento

A primeira nova linha construída e operada pela CPTM está num ritmo adequado de obras. Das três estações previstas, Engenheiro Goulart foi reaberta em julho para voltar a atender a Linha 12.

O viaduto estaiado sobre a rodovia Ayrton Senna já exibe suas formas para quem passa pela região e deve ser finalizado no início de 2018. O restante das vias já está no final das obras e já recebendo a base para os trilhos e outros serviços.

A licitação dos oito trens que serão usados na linha, que havia sido suspensa por uma liminar de um concorrente derrotado – uma empresa chinesa fará as composições – teve o recurso negado pela CPTM que confirmou o resultado do edital. Mesmo assim, os trens não deverão estar prontos a tempo de serem usados na inauguração no ano que vem. Acredita-se que a Série 9000 fará o serviço até que as novas composições sejam entregues.

Linha 15-Prata
Projeto: extensão entre Oratório e São Mateus, com oito estações e 13 km de vias.
Status: em andamento

As obras do monotrilho da Zona Leste estão em ritmo acelerado após um período em que foi preciso desviar um córrego que passava embaixo das futuras fundações de três estações. O problema da linha parecia ser o de que as estações teriam de ser inauguradas em ordem porque é praticamente impossível operar com uma delas em obras no caminho. No entanto, informação obtida pelo blog revelou que o Metrô inverteu a sequência de construção das estações mais atrasadas para permitir a passagem dos trens antes delas estarem completas.

Em agosto, as obras das oito estações já estavam quase no final e muitas delas recebendo acabamento e sistemas. Rumores indicam que os trens do monotrilho passarão a fazer testes por uma das vias em setembro. A inauguração deverá ocorrer em março de 2018.

Estação Jardim Aeroporto em julho de 2017 (CMSP)

Linha 17-Ouro
Projeto: nova linha de monotrilho cuja primeira fase ligará o aeroporto às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda.
Status: em andamento parcial

O monotrilho da Zona Sul é, sem dúvida, um exemplo claro de projeto mal planejado e executado. Seu percurso passa por áreas complicadas, incluindo córregos, áreas ocupadas por habitações provisórias, cemitério e avenidas que ainda não saíram do papel, além de um trecho beirando o rio Pinheiros e de difícil execução. Não fosse apenas isso, foi licitado sem que os projetos estivessem prontos, mas quis aproveitar as verbas destinada às obras de mobilidade da Copa do Mundo de 2014, sem sucesso.

Seguiu em frente, porém, em vez de priorizar a construção do pátio, uma obra complexa sobre um piscinão, o governo optou por iniciar a construção das vias primeiro. No meio do caminho, detectou que a futura estação Morumbi, conjugada a homônina da Linha 9, seria insuficiente para dar conta da demanda e a retirou do escopo da obra, enquanto projeta uma nova e maior estação.

Tudo corria bem, apesar disso, mas em junho de 2014 um acidente com uma das vigas-trilho matou um funcionário da obra e fez com que o Ministério do Trabalho proibisse os lançamentos. De lá para cá, o consórcio formado pelas construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida abandonou as obras do pátio e das estações, foi afastado e apenas nos últimos meses os dois lotes foram retomados.

As indefinições, contudo, permanecem: a conclusão das vias ainda precisa ser feita assim como a licitação da nova estação Morumbi. Mas não é só. A fabricante do monotrilho, a malaia Scomi até hoje não apresentou nenhuma prova de que os trens estão em construção. Ela contava com uma parceira brasileira, a carioca MPE, que saiu da sociedade. Para suprir essa lacuna, uma fábrica estaria sendo construída pela Scomi no interior de São Paulo – a empresa também revelou que assumiu a execução dos sistemas da linha.

Para fechar a sequência desastrosa, o governo congelou as duas fases restantes da linha, uma que ligará o monotrilho à Linha 1-Azul no Jabaquara, e outra que passará pela região do Morumbi, incluindo Paraisópolis indo até a avenida Francisco Morato, onde se conectará à Linha 4-Amarela. Os dois trechos passam por comunidades carentes, mas envolvem a contrapartida da prefeitura da cidade. Na gestão Haddad, no entanto, as obras previstas foram suspensas, algo que agora, com a posse do prefeito eleito João Doria, do mesmo partido do governador Alckmin, pode ocorrer.

Em agosto, as sete estações em obras já tinham a parte civil concluída com exceção de Aeroporto Congonhas. O túnel que a ligará ao aeroporto já está praticamente escavado e agora os trabalhos se concentram no pátio, parte mais importante do projeto que ganhou velocidade a partir de julho.

A Scomi, fabricante do monotrilho, disse em evento em julho que o primeiro trem está em testes na Malásia, será inspecionado pelo Metrô em setembro e embarcado para o Brasil no início de setembro.

A estação Morumbi teve a licitação publicada e a construtora Camargo Correa como 1ª colocada na análise do Metrô em julho. No entanto, logo depois várias concorrentes entraram com recursos que ainda não foram julgados. Já o contrato principal, tocado pelo consórcio Monotrilho Integração (Andrade Gutierrez/CR Almeida e Scomi) estava prestes a ser objetivo de um acordo já que as duas primeiras desistiram da obra. Em paralelo, alguns serviços haviam sido retomados na Marginal Pinheiros e ao lado do pátio, além de lançamento de vigas-trilho.

Linha 18-Bronze
Projeto: nova linha em monotrilho que ligará o ABC Paulista às linhas 10-Turquesa e 2-Verde na estação Tamanduateí.
Status: não iniciada

Segunda PPP de metrô do estado, a Linha 18-Bronze está há três anos aguardando um empréstimo para o governo do estado executar as desapropriações do trecho. O valor deveria ter vindo originalmente de um repasse do PAC, mas o governo federal, endividado, só ficou na promessa. Sem essa verba, o governo do estado tentou obter autorização para um empréstimo no exterior, mas  foi proibido pelo Ministério da Fazenda por conta da situação fiscal. Agora, a gestão Alckmin aguarda a votação de uma mudança no cálculo da dívida dos estados para estar apto a contrair um novo empréstimo.

A situação segue indefinida já que o Tesouro Nacional manteve a nota do estado em C-, o que impede novos empréstimos. A esperança agora é a revisão desse rating até o final de 2017. O consórcio VEM ABC, no entanto, segue interessado no projeto.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

7 Comments

  • Até parece uma pagina oficial, mas bem diferente quando se busca uma informação realista porem sem idealismo, também sou um apaixonado pela mobilização urbana e agora tenho um veiculo de informação confiável e ativa. Parabéns pelo blog, não estamos mais no escuro.

  • Olá Ricardo, como vai? Este post é espetacular, parabéns pela qualidade e precisão nas informações, tenho esperança que essas linhas um dia sejam todas concluídas, pois querendo ou não, de 2011 para cá se iniciou uma grande expansão, se continuar neste ritmo e superado a crise econômica, com certeza poderemos ficar mais otimistas.
    Abraço!

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