Incidentes com passageiros nas linhas do Metrô de São Paulo aumentaram em 2025
Casos passaram de 70 para 80, segundo levantamento de rádio. Portas de plataforma, que poderiam evitar problemas, ainda são minoria no sistema
O número de incidentes com passageiros que acabaram interferindo na operação do Metrô de São Paulo aumentou de 70 para 80 casos em 2025. segundo um levantamento divulgado pela CBN, com base em dados do próprio Metrô.
O dado surge em um momento em que a maior parte das estações operadas pela companhia ainda não conta com portas de plataforma, estrutura considerada um dos principais recursos para reduzir quedas nos trilhos e acessos indevidos à via.
Embora a companhia esteja avançando com a instalação dessas fachadas, mais de 60% das estações ainda não recebeu o equipamento de segurança.
Um relatório do próprio Metrô mostra que a maior parte das estações das linhas 1-Azul e 2-Verde ainda não dispõe do recurso, que está ou em projeto ou em fabricação. Apenas a Linha 15-Prata dispõe de portas de plataforma em toda as estações em virtude de ser um projeto novo e que não pode operar sem elas.
Equipamento de plataforma tem barras que evitam pessoas presas entre a porta e o trem.
Dos ramais antigos, a Linha 3-Vermelha é a mais avançada nesse processo. Das 18 estações da linha, 14 já contam com portas de plataforma, sendo parte delas instaladas por contratos anteriores. Atualmente, o Metrô executa obras nas estações Sé e República, com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2026. Na sequência, Anhangabaú e Brás devem receber os equipamentos.
Contrato com prazo até o fim de 2026
Na Linha 2-Verde, apenas quatro estações possuem portas em operação, todas implantadas pela Alstom como parte de contrato de sinalização CBTC. Outras duas estão contempladas no contrato vigente, enquanto oito estações ainda não têm contrato para instalação, o que coloca a linha como uma das mais defasadas em termos de cobertura do sistema.
Já a Linha 1-Azul apresenta a menor proporção de portas de plataforma em funcionamento. Apenas duas das 23 estações contam com o equipamento, também instaladas pela Alstom. A maior parte da linha permanece em fase de projeto ou fabricação, apesar do alto volume de passageiros transportados diariamente.
Estação Sumaré não tem ainda contrato para instalar portas de plataforma (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)
O contrato em vigor com o Consórcio Kobra, firmado após licitação realizada em 2019, prevê a instalação de portas de plataforma em 21 estações da Linha 1-Azul, 15 da Linha 3-Vermelha e duas da Linha 2-Verde, com validade até dezembro de 2026.
Diante do que há de pendências, é impossível que o consórcio consiga concluir as estações faltantes ainda neste ano.
Segundo afirmou o Metrô à rádio, a implantação ocorre de forma gradual por envolver adaptações estruturais em estações antigas, além de testes e comissionamento realizados em janelas curtas, geralmente durante a madrugada, para não interromper a operação.
O uso de portas de plataforma é uma exclusividade do Metrô de São Paulo no Brasil. O recurso não existe em linhas de trens metropolitanos ou mesmo em sistemas de metrô de outras cidades do país. Uma rara exceção é o People Mover do Aeroporto de Guarulhos, que está equipado com as fachadas.
