Iphan exige mudança no projeto da estação Campo Grande do Metrô de Salvador

Órgão apontou risco ao patrimônio histórico e determinou reposicionamento da parada prevista na expansão da Linha 1

Metrô de Salvador
Metrô de Salvador (Motiva CCR Bahia)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou mudanças no projeto da futura estação Campo Grande, prevista na expansão sul da Linha 1 do Metrô de Salvador. A exigência levou o governo da Bahia a alterar a localização originalmente planejada para a parada, segundo informações divulgadas pelo site BNews.

O empreendimento faz parte do chamado Tramo IV da Linha 1, trecho que ligará a estação Lapa à região do Campo Grande, no centro da capital baiana. No projeto inicial, a estação seria construída em frente ao Teatro Castro Alves (TCA), um dos principais equipamentos culturais da cidade.

De acordo com o parecer técnico do Iphan, a proposta colocava estruturas muito próximas de bens tombados, entre eles o próprio teatro e o Forte de São Pedro, localizado a cerca de 92 metros da área prevista para as obras. O órgão entendeu que a implantação da estação naquele ponto poderia comprometer a visibilidade de patrimônios protegidos, o que contraria o decreto-lei nº 25 de 1937, que regula a preservação de bens históricos no país.

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Diante da avaliação, a Companhia de Transportes da Bahia (CTB) apresentou uma revisão do projeto. A nova proposta desloca a estação da frente do teatro para outro ponto no Largo do Campo Grande. Após análise dos estudos atualizados, o Iphan deu parecer favorável ao projeto revisado no início de março.

Mapa do Metrô de Salvador com a localização da estação Campo Grande (Arte de MetrôCPTM sobre ilustração do governo baiano)

Além da mudança na estação, também foram alteradas posições de estruturas subterrâneas do sistema, como um poço de ventilação e saída de emergência que foi transferido da Avenida Araújo Pinho para a Avenida Santa Rita. O órgão recomendou ainda acompanhamento arqueológico durante as obras e monitoramento contínuo de vibração e ruído nas edificações históricas próximas.

A expansão da Linha 1 inclui um túnel de 1,06 km entre a Lapa e o Campo Grande. O contrato das obras foi firmado com um consórcio de construtoras e prevê prazo de execução de cerca de 40 meses, com estimativa de conclusão no segundo semestre de 2029.

O licenciamento ambiental do empreendimento havia sido concedido em 2024, mas a autorização do Iphan é considerada etapa obrigatória quando projetos podem afetar áreas com potencial arqueológico ou patrimônio tombado.

Intervenções desse tipo também têm ocorrido em outros projetos metroferroviários no país. Em São Paulo, por exemplo, a construção da estação 14 Bis-Saracura da Linha 6-Laranja permanece atrasada devido a trabalhos de resgate arqueológico exigidos pelo órgão federal antes do avanço das obras.