Licitação da Pesquisa Origem Destino 2027 deve sair por menos de R$ 20 milhões

Disputa pelos dez lotes recebeu propostas de 11 empresas e indica redução próxima de 60% sobre orçamento de R$ 45,95 milhões, mas dois itens ainda estão em análise

Trem da Linha 2-Verde em Alto do Ipiranga
Trem da Linha 2-Verde em Alto do Ipiranga (Jean Carlos)

A licitação para contratar as empresas que irão realizar o trabalho de campo da Pesquisa Origem Destino 2027 do Metrô de São Paulo caminha para custar bem menos que os R$ 45,95 milhões reservados inicialmente pela companhia. A disputa foi dividida em dez lotes e atraiu 11 empresas, com propostas que reduziram de forma expressiva os valores estimados.

Oito dos dez lotes já aparecem como julgados e habilitados, embora ainda aguardem o encerramento formal. Somadas, as propostas aceitas nesses itens chegam a R$ 15,3 milhões, diante de um orçamento de R$ 36,59 milhões para os mesmos serviços. A diferença é de R$ 21,29 milhões, ou 58,2%.

Os outros dois lotes, de números 5 e 9, ainda constavam como “aguardando julgamento” nesta terça-feira (8). Caso sejam aceitas as propostas seguintes atualmente na ordem de classificação, de R$ 1,56 milhão e R$ 1,5 milhão, respectivamente, o custo dos dez lotes ficaria em torno de R$ 18,36 milhões.

Esse valor, porém, ainda não pode ser tratado como resultado da licitação. As duas propostas precisam passar pelas etapas de julgamento e habilitação, e alterações ainda podem ocorrer antes do encerramento do pregão.

Passageiros aguardando trem na plataforma do Metrô de São Paulo – Linha 21-Vinho ((Imagem alterada por IA))

Coleta da OD 2027

O Pregão Eletrônico trata do arrolamento de domicílios, coleta e consistência dos dados da Pesquisa Origem Destino 2027 – Domiciliar. É, portanto, a contratação das equipes que efetivamente realizarão as entrevistas utilizadas para levantar os padrões de deslocamento da população da Região Metropolitana de São Paulo.

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O serviço foi dividido em dez lotes, com valores estimados entre R$ 4,02 milhões e R$ 4,95 milhões. Ao todo, 11 empresas apresentaram propostas, entre elas Praxian Consultoria, Qualitest Ciência e Tecnologia, Instituto Verita, Inova Pesquisas, Ipsos Brasil, Instituto Consulting do Brasil, Comap, Siggeo, Painel Pesquisas, ALGV e Nacional Dados.

Até agora, três empresas aparecem com propostas aceitas e habilitadas. A Qualitest lidera quatro lotes, a Praxian ficou com três e o Instituto Verita com um.

Os valores aceitos mostram descontos elevados em relação às estimativas do Metrô. No lote 1, por exemplo, orçado em R$ 4,25 milhões, a Praxian foi habilitada com proposta de R$ 1,92 milhão. No lote 6, estimado em R$ 4,91 milhões, a Qualitest apresentou R$ 1,69 milhão.

Empresas deixam a disputa

A diferença entre o menor lance e o resultado da análise do Metrô também aparece em alguns lotes. Uma das empresas que enfrentaram problemas foi a Inova Pesquisas, que havia oferecido os menores valores nos lotes 2 e 10, de R$ 1,69 milhão e R$ 1,9 milhão, respectivamente.

Documentos publicados pelo Metrô nesta terça-feira mostram que a companhia analisou os atestados apresentados pela Inova para comprovar sua qualificação técnica. O edital exige experiência anterior em pesquisas domiciliares presenciais e estabelece critérios relacionados ao porte da população pesquisada.

Estação Dante Pazzanese faz parte da fase 1 da Linha 16-Violeta (Arte com uso de IA)

O Metrô considerou que parte da documentação não permitia comprovar o atendimento a essas condições. Um dos atestados apresentados pela empresa correspondia a uma pesquisa telefônica, enquanto outros não traziam elementos considerados suficientes para confirmar as características dos levantamentos realizados.

A companhia abriu uma diligência e solicitou documentos complementares, incluindo contratos, ordens de serviço, questionários, notas fiscais e informações sobre domicílios visitados e equipes utilizadas. Segundo a análise técnica, a Inova não apresentou a documentação solicitada e acabou inabilitada nos dois lotes.

No lote 2, o Instituto Verita acabou habilitado por R$ 1,76 milhão após negociação. No lote 10, a Qualitest foi habilitada por R$ 1,969 milhão.

A Inova também apresentou os menores valores nos lotes 5 e 9, mas nesses casos aparece no Compras.gov como desclassificada, situação diferente da inabilitação registrada nos lotes 2 e 10. Os documentos divulgados nesta terça-feira não permitem atribuir essas duas desclassificações às mesmas questões de qualificação técnica.

Pesquisa Origem Destino é feita regularmente em São Paulo (Jean Carlos)

Outras contratações

A licitação de R$ 45,95 milhões não corresponde a todos os serviços necessários para realizar a OD 2027. O Metrô está conduzindo separadamente outras contratações relacionadas ao levantamento.

Uma delas, de R$ 2,81 milhões, contratou a plataforma tecnológica que dará suporte à coleta das informações. Outra licitação, estimada em R$ 5,37 milhões, busca uma empresa para prestar apoio ao gerenciamento da coleta das pesquisas Domiciliar e Linha de Contorno.

É justamente essa segunda concorrência que sofreu adiamentos recentes. A sessão, inicialmente prevista para 28 de agosto e posteriormente marcada para 4 de setembro, foi novamente remarcada, desta vez para 24 de setembro.

A contratação de quase R$ 46 milhões analisada agora tem outra finalidade: selecionar as empresas responsáveis pelo arrolamento dos domicílios e pela coleta e consistência dos dados que alimentarão a Pesquisa Origem Destino 2027. Dos dez lotes, oito já possuem propostas aceitas e empresas habilitadas, enquanto dois permanecem em julgamento.