Opinião: Linha 17-Ouro está em fase que falha é ‘parte do normal’

Problemas nesta semana já fizeram alguns veículos de imprensa criarem alarmismo inútil com uma operação que ainda é um grande teste

Trem da Linha 17-Ouro
Trem da Linha 17-Ouro (CMSP)

A semana começou com uma novidade no Metrô de São Paulo, o primeiro problema com a Linha 17-Ouro. Na segunda-feira, a operação transitória, como a empresa chama a fase de testes com passageiros, acabou começando apenas ao meio-dia em vez de 10 horas por um motivo que causou espano, o furto de cabos.

Esse tipo de crime é mais comum em ramais na superfície, onde o acesso à via é mais fácil, mas no caso do monotrilho, com suas vigas elevadas, o problema surpreendeu. O Metrô acabou não revelando onde isso ocorreu, mas o ramal voltou a operar normalmente até sexta-feira, quando uma nova interferência ocorreu, desta vez a primeira falha de fato, no caso com o sistema de sinalização.

Apesar do ineditismo, esse tipo de situação era esperada e deve ocorrer mais vezes. No caso deste site, cujo objetivo é acompanhar a malha metroferroviária brasileira, alertar seus leitores que um serviço teve problema é uma obrigação. Já fazer sensacionalismo com algo assim, pelo jeito, virou especialidade da grande mídia.

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O portal G1, da Rede Globo, seguido por alguns ‘gazeteiros de plantão’, partiram para manchetes espalhafatosas, no desespero típico de criar barulho onde não há. Para eles a Linha 17 falhou pela segunda vez em um mês de operação, um ‘desastre’. Nada mais falso.

Estação Vereador José Diniz, da Linha 17-Ouro (Márcia Alves/CMSP)

Como dissemos, o ramal de monotrilho abriu em 31 de março justamente em uma fase em que se coloca toda uma série de sistemas em testes mais frequentes. Nesse cenário, o problema é o ‘normal’.

Linhas metroferroviárias, ao contrário de simplórios corredores de ônibus, são sistemas complexos que se apoiam em tecnologia variada. Seja de material rodante (trens), energia, comunicação, sinalização, portas de plataforma e toda uma série de elementos que vão de calibragem de pneus até monitoramento de vento para que a operação seja segura.

Portanto, colocar tudo em sintonia é uma tarefa de longo prazo que evolui à medida que os trens circulam. Com passageiros, como agora, isso é ainda mais útil porque técnicos do Metrô e das empresas podem checar na prática o que foi previsto em projeto.

É esse o caminho necessário para São Paulo ter mais uma linha metroviária prestando um serviço confiável dentro de algum tempo.