O Metrô de São Paulo deu luz verde para a realização do projeto funcional e do anteprojeto de arquitetura da Linha 20-Rosa, que deverá ligar a estação Santo André, no ABC Paulista, à estação Santa Marina, na Zona Oeste de São Paulo. A companhia assinou contrato com o consórcio GPO-Geocompany-Geotec (formado pelas empresas GPO Sistran Engenharia, Geocompany Tecnologia Engenharia e Meio Ambiente e Geotec Consultoria Ambiental) no dia 30 de dezembro de 2020 e que terá 32 meses para entregar o serviço.

Com a previsão de assinatura da ordem de serviço ainda neste mês, o consórcio deverá finalizar o projeto até setembro ou outubro de 2023, mas é provável que parte desses estudos seja entregue em datas anteriores, ajudando a fomentar decisões a respeito do ramal de metrô subterrâneo.

O escopo do trabalho do GPO-Geocompany-Geotec inclui determinar os traçados possíveis para a linha, que deverá ter cerca de 31 km de extensão e 24 estações. Até mesmo essa definição, realizada por estudos internos do Metrô, poderá ser alterada com o projeto funcional, que analisará a localização de estações, poços de ventilação e pátios de manutenção e estacionamentos de trens.

Apesar disso, é bastante provável que o traçado mude pouco. O trecho que percorre a avenida Faria Lima, por exemplo, parece ser primordial para a companhia, por incluir pólos importantes de geração de empregos. Já o trajeto a partir de Pinheiros em direção à Lapa também deve ter pequenas alterações já que um dos objetivos da Linha 20 é criar ligações com a Linha 2-Verde e o eixo da CPTM na região da Lapa. A ida até a futura estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja, foi uma adição recente, de custo pequeno, dada a proximidade entre os dois ramais.

No trecho sul, a partir de São Judas, a Linha 20-Rosa parece menos clara. Em todos os mapas preliminares divulgados pelo Metrô, o ramal tem um percurso na região da avenida do Cursino, passando pelo Taboão e chegando à Rudge Ramos, já em São Bernardo do Campo. Anteriormente, a linha terminava na futura estação Alfonsina, onde haveria uma ligação com a Linha 18-Bronze, mas após o cancelamento do ramal, substituído por um corredor de ônibus a ser operado pela Metra, o Metrô decidiu estender o trajeto até a Linha 10-Turquesa.

Mapa de estações da Linha 20-Rosa

Na primeira hipótese, pensou-se em levá-la até a estação Prefeito Saladino, mas no mapa que constra do edital da Linha 20 a intenção é chegar até a estação Santo André, onde há também o Corredor ABD.

Se um dia for implantada como é prevista hoje, a Linha 20 terá conexões com nada menos que 10 outras linhas do Metrô e da CPTM, incluindo até a Linha 22, que prevê atender o eixo da rodovia Raposo Tavares. Ela tem potencial para retirar milhares de veículos das ruas ao criar um eixo perimetral vital para reduzir a dependência de transporte rodoviário e também de outros ramais com traçados radiais.

No entanto, trata-se de um projeto complexo e caro e que dificilmente será construído em apenas uma etapa, a despeito do desejo expressado pelo governo Doria, que pretende conceder o ramal à iniciativa privada. É bastante provável que o trecho central e mais atraente seja lançado primeiro, compreendendo a ligação de Santa Marina com a estação São Judas. É essa a proposta de uma MIP (Manifestação de Interesse Privado) apresentada por uma empresa britânica ao governo em dezembro passado.

Até que o primeiro caminhão de terra saia dos futuros canteiros dessa obra, ainda haverá muita discussão a respeito da Linha 20-Rosa, com certeza.