Metrô de SP traz mais detalhes sobre as novas linhas 21-Vinho, 22-Marrom e 23-Limão

Projetos foram apresentados durante a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, mas ainda estão em fases iniciais de desenvolvimento

Linha 23-Limão contornará zona norte de São Paulo
Linha 23-Limão contornará zona norte de São Paulo (Imagem gerada por IA)

O Metrô de São Paulo apresentou nesta quarta-feira (2) novos dados das futuras linhas 21-Vinho, 22-Marrom e 23-Limão, três projetos que vêm ganhando espaço no planejamento da expansão da rede, embora ainda estejam distantes de uma eventual implantação.

As informações foram mostradas durante o painel “Planejamento e Expansão do Metrô de SP”, realizado no segundo dia da 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, promovida pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP), na capital paulista.

Os números apresentados atualizam informações que já vinham sendo divulgadas pelo Metrô nos últimos meses. As três linhas estão em diferentes estágios de estudos e projetos e nenhuma possui atualmente data definida para início das obras.

A ressalva é importante diante da repercussão que os novos ramais vêm provocando. Embora mapas e números de demanda possam transmitir a impressão de projetos já definidos, ainda há um longo caminho de estudos de engenharia, ambientais, definição de traçado, obtenção de recursos e contratação antes que uma linha de metrô chegue aos canteiros de obras.

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A própria Linha 21-Vinho mostra como essas propostas ainda podem mudar. O MetrôCPTM revelou em maio diferentes alternativas de traçado presentes nos documentos da companhia, inclusive com variações nas integrações previstas. Somente agora o Metrô está contratando o anteprojeto de engenharia e o EIA-RIMA, trabalhos que deverão estabelecer características mais consistentes para o ramal.

O segundo traçado da Linha 21-Vinho, de março de 2026 (Metrô de São Paulo)

Linha 21-Vinho terá caráter perimetral

Na apresentação desta quarta-feira, a Linha 21-Vinho apareceu com 23,3 km de extensão operacional, 21 estações e cinco conexões com outras linhas. A demanda estimada é de 739 mil passageiros por dia, com carregamento de 21,7 mil passageiros por hora e sentido no trecho mais movimentado.

Os dados são praticamente os mesmos revelados em maio. Na ocasião, o Metrô trabalhava com aproximadamente 23 km, 21 estações e 740 mil passageiros diários para a ligação entre Diadema e a região do Parque do Carmo.

O novo mapa mantém esse conceito, atravessando parte do ABC e da Zona Leste sem passar pela região central de São Paulo. O Metrô calcula em R$ 3,9 bilhões os chamados benefícios sociais proporcionados pelo projeto.

A Linha 21 encontra-se atualmente em uma etapa bastante anterior à construção. Em agosto, a companhia recebeu propostas para contratar o anteprojeto de engenharia e os estudos ambientais do ramal. O prazo previsto para esses trabalhos é de 45 meses, o que pode levar sua conclusão até 2030.

Linha 22-Marrom em projeto básico (Imagem gerada por IA)

Linha 22 está mais desenvolvida

Entre as três, a Linha 22-Marrom possui estudos mais maduros. Projetada para ligar Cotia à estação Sumaré, da Linha 2-Verde, ela terá 19 estações e cerca de 29 km de extensão.

O MetrôCPTM já havia revelado em março que o projeto preliminar trabalhava com 29,4 km e 19 estações. A demanda apresentada agora pela companhia é de aproximadamente 677 mil passageiros por dia.

Diferentemente da Linha 21, a Linha 22 já chegou à etapa de contratação do projeto básico. O Metrô dividiu o trabalho em dois lotes, entre Cotia e Reserva Raposo e entre esta última e Sumaré. As concorrências receberam propostas de grupos de engenharia e seguem em processo de definição dos contratados.

Também estão em andamento levantamentos de campo e estudos complementares, incluindo sondagens e uma avaliação do potencial imobiliário e comercial das áreas das futuras estações.

Mesmo nesse estágio mais adiantado, a Linha 22 ainda não possui obras contratadas nem prazo oficial para entrar em operação.

Mapa do Metrô de São Paulo apresentando a Linha 23-Limão (Reprodução)

Linha 23 pode superar 1,3 milhão de passageiros

A apresentação trouxe números mais reveladores sobre a Linha 23-Limão, concebida como uma grande ligação perimetral pelo norte da Região Metropolitana.

O mapa mostrado pelo Metrô indica 32,5 km de extensão operacional, 27 estações e conexão com 12 linhas. A demanda projetada chega a 1,36 milhão de passageiros por dia, enquanto o carregamento no trecho mais movimentado seria de 40,8 mil passageiros por hora e sentido.

O Metrô estima ainda R$ 4,8 bilhões em benefícios sociais associados à implantação da linha.

A escala chama atenção quando comparada às outras duas propostas apresentadas no evento. A demanda projetada da Linha 23 é quase o dobro dos 739 mil passageiros da Linha 21 e dos cerca de 677 mil previstos para a Linha 22.

O traçado da Linha 23 já havia sido revelado pelo Metrô neste ano e abordado pelo MetrôCPTM. O ramal forma um arco entre a região oeste da Grande São Paulo e o Tatuapé, cruzando o setor norte da metrópole e oferecendo numerosas possibilidades de transferência sem obrigar o passageiro a se deslocar até a área central.

Rede menos dependente do centro

Esse conceito foi destacado pelo arquiteto e urbanista Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento e Meio Ambiente do Metrô e um dos participantes do painel.

Segundo Cortez, a consolidação da rede existente permite que o planejamento passe a considerar ligações entre outras áreas da metrópole, mesmo quando os novos ramais não tenham o centro de São Paulo como destino.

“Quando se oferece um transporte muito mais rápido e eficiente, as pessoas passam a ter acesso a uma área muito maior para buscar empregos, escolas, faculdades e atividades culturais. Elas deixam de ficar restritas aos locais que conseguem alcançar em um tempo razoável pelos sistemas sobre pneus”, afirmou.

A lógica coincide com uma característica marcante das linhas 21 e 23. Em vez de funcionarem como eixos radiais convergindo para o centro, elas são planejadas como ligações perimetrais, cruzando diversos ramais existentes e permitindo deslocamentos entre diferentes regiões da metrópole.

O governador Tarcísio de Freitas também citou essa estratégia nesta quarta-feira, durante visita às obras da Linha 2-Verde. Ao mencionar os projetos das linhas 21, 23 e 25, afirmou que o Estado pretende desenvolver linhas que “vão circundar o sistema e não só naquelas que têm como direção o centro da cidade”.

Mapa do Metrô de São Paulo divulgado no Relatório Integrado de 2025, com a Linha 23-Limão (Reprodução)

Mapas ainda não são linhas prontas para obras

A profusão de novos projetos do Metrô tem produzido nos últimos meses uma sequência de anúncios e manchetes sobre futuras linhas, muitas vezes sem deixar claro o estágio efetivo de cada empreendimento.

Em junho, o MetrôCPTM mostrou que as linhas então em desenvolvimento estavam em situações bastante diferentes. Enquanto a Linha 19-Celeste se aproximava da contratação das obras e a Linha 20-Rosa tinha seu projeto básico em fase final, as linhas mais recentes ainda percorriam etapas muito anteriores.

É o caso sobretudo das linhas 21 e 23. A primeira começa agora a avançar para o anteprojeto, enquanto a segunda permanece essencialmente no campo do planejamento e dos estudos preliminares.

Isso significa que extensão, estações, integrações, demanda e até os traçados apresentados nesta semana podem ser modificados conforme os projetos avancem. A Linha 22, apesar de estar em estágio mais desenvolvido, também ainda terá seus parâmetros refinados pelo projeto básico.

Os mapas apresentados na Semana de Tecnologia Metroferroviária são, portanto, um retrato do planejamento atual do Metrô, e não uma indicação de que as três linhas estejam próximas de sair do papel.