MetrôCPTM Verifica: Trem Intercidades para Campinas pode ganhar vias duplicadas e não ‘linha adicional’
Jornais Folha e Valor Econômico repercutiram planos da TIC Trens de eliminar bypass no serviço expresso, previsto no projeto original, mas erraram no termo
O presidente da TIC Trens, Pedro Moro, tem realizado encontros regulares com a imprensa para apresentar a evolução da concessão sobre trilhos, que inclui a Linha 7-Rubi e os futuros Trem Intermetropolitano e Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas.
Nesta semana ocorreu uma entrevista coletiva com sites especializados em mobilidade urbana, uma oportunidade única de relatar os feitos da empresa e também esclarecer dúvidas com profissionais que acompanham diariamente o setor, como a equipe do MetrôCPTM.
Mas Moro também conversa com a grande imprensa, que ultimamente voltou a dar uma atenção mais ampla para o tema. A despeito dos recursos mais amplos e de gozarem de um acesso muito maior ao setor graças à audiência maior que veículos especializados, erros técnicos e interpretações imprecisas têm sido comuns nesses artigos.
Pedro Moro assume presidência da TIC Trens (TIC Trens)
Nesta quarta-feira, 28, dois conceituados jornais, a Folha de São Paulo e o Valor Econômico, cometeram a mesma gafe ao afirmar que a TIC Trens estuda uma ‘linha adicional’ para o trem expresso que será inaugurado em 2031.
Uma leitura dos artigos certamente vai suscitar mais dúvidas que certezas: afinal a concessionária pretende construir outra linha de trem?
Obviamente, não se trata disso, algo que certamente custaria bilhões de reais e seria inviável do ponto de vista financeiro, técnico e jurídico. O que Moro voltou a abordar é a proposta da empresa para duplicar as vias entre a capital e Jundiaí, algo que o MetrôCPTM já havia revelado há muitos meses.
O tema foi alvo de uma pergunta do site no bate-papo com o executivo, que explicou o status atual.
Bypass limita redução de intervalos
Em 2025, a TIC Trens pediu autorização para estudar a duplicação total das vias do trecho para a ARTESP. Moro, no entanto, explicou que a ideia é complexa já que inserir uma nova via em alguns trechos da faixa de domínio envolve negociar com a MRS (concessionária de carga) e mesmo resolver trechos apertados dentro de cidades na região.
Segundo ele, “a via duplicada faz muito mais sentido, você tem muito mais possibilidades de estratégias operacionais para poder atender”.
A gestão Doria/Garcia preparou o edital do TIC Eixo Norte com vias parcialmente duplas no trecho entre São Paulo e Jundiaí prevendo dificuldades quanto ao custo da opção por vias duplicadas.
A solução foi criar trechos de bypass (duplicados) em que os trens se cruzam em ambos os sentidos, Contudo, esse layout limita a redução de intervalos e torna uma das viagens mais lenta porque a composição terá de esperar a outra passar para seguir seu trajeto.
O esquema de bypass entre Barra Funda e Jundiaí proposto pela gestão Doria/Garcia
À Folha, o presidente da TIC forneceu um exemplo em que uma eventual intercorrência em um trem – como alguém passando mal – pode atrasar a partida e refletir em todo o carrossel, provocando problemas por várias horas.
Com as vias duplicadas, a operação se torna independente em ambos os sentidos, algo já previsto no outro trem regional, o TIC Eixo Oeste (Sorocaba).
Para viabilizar a ideia no TIC para Campinas e Jundiaí, entretanto, a concessionária precisa comprovar que a duplicação atende aos requisitos do contrato.
Moro afirmou que o projeto básico está sendo feito agora com as vias com bypass mas que a alternativa de vias duplas também está sendo prevista. Ele espera que isso seja resolvido ainda neste ano para que as discussões com o governo possam ocorrer na sequência.

Acredito que este TIC Campinas sera uma grande incognita de adesão nos primeiros anos de funcionamento e os investimentos da concessionaria vão depender em muito deste fator de adesão!! a concessionaria da rodovia dos Bandeirantes continua investindo em mais pistas e isto tb vai influenciar o fato das pessoas deixarem o automovel para trás, optando pelo trem !
Dado que sempre há a questão de trânsito e pedágio, o foco será os preços das passagens, os pontos de atendimento e a eficiência do serviço.
Nem todo mundo quer dirigir e ter gastos com veículos. Fora os riscos gerais.
Outro ponto é pensar o quanto prefeituras vão incentivar na integração do transporte público. Quanto mais barato, mais gente.
Muito bom, Ricardo! Imprensa tradicional tem sido vergonhosa na abordagem de vários temas, não apenas mobilidade. Jornalistas não se dão ao trabalho de ler o mínimo, cometem erros grotescos.