Novos trens da Linha 2-Verde serão totalmente automáticos e com entradas USB

Metrô realizou audiência pública nesta quinta-feira em que detalhou a encomenda de 44 composições que serão usadas no ramal em expansão até Penha
Trens da Linha 2-Verde (Jean Carlos)

O Metrô realizou nesta quinta-feira (17) a audiência pública sobre a licitação de 44 novos trens que serão usados na Linha 2-Verde, atualmente com obras de expansão até Penha.

Como já havia adiantado, parte da nova frota servirá também para que a companhia reforce o serviço nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha, porém, não se sabe ainda se as novas composições serão usadas também nesses ramais ou se permitirão o repasse de trens atuais.

Entre as principais novidades sobre a encomenda está o padrão GoA4, o mais alto nível de automatização, em que não há operador presente nem cabine de comando – embora isso ainda esteja totalmente certo. É o mesmo sistema utilizado pelas linhas 4-Amarela e 15-Prata.

O Metrô decidiu mudar o sistema de abertura e fechamento das portas, que passarão a correr externamente e não dentro de um vão, como hoje. Os estudos apontaram que esse sistema, um tanto raro em São Paulo (é encontrado na Série 2000 da CPTM), tem menor nível de falhas além de ampliar o espaço interno do vagão.

Portas dos novos trens terão abertura para fora do vagão (CMSP)

Os batentes das portas contarão com luzes de sinalização, como em trens asiáticos. Nesse padrão, uma faixa de LED se ilumina na cor verde enquanto a porta está aberta e vermelha quando ela está fechando.

Um ponto em comum com trens mais recentes são os vagões com o chamado “open gangway”, ou passagem livre entre carros, que beneficia uma melhor ocupação dos passageiros. O Metrô passou a contar com trens com essas características no monotrilho e na Linha 5-Lilás (Frota P), mas que hoje é operada pela ViaMobilidade.

Nas linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha, todos os trens têm vagões fechados, sem conexão entre eles. Serão também os primeiros trens com essa descrição a contar com terceiro trilho de alimentação elétrica.

Primeiro trem entregue em 21 meses após assinatura do contrato

Uma curiosidade descrita pelo Metrô diz respeito aos eixos do trem, num total de 22 unidades, mas das quais duas não são motorizadas, ou seja, não tracionam. Elas são usadas para medições do sistema CBTC, explicou o diretor de operações, Milton Gioia Junior.

As novas composições terão capacidade para 1.800 passageiros dos quais apenas 232 poderão viajar sentados. A configuração dos lugares será semelhante aos trens mais recentes da CPTM, com assentos laterais e alguns em sentido transversal, o chamado “layout misto”.

Segundo Gioia, essa forma “é que dá melhor circulação dentro do carro (vagão)”, que citou os metrôs chineses como exemplo da configuração.

Um aspecto de segurança que será adotado é o sistema de detecção de descarrilamento, que será instalado em todos os truques (conjunto de rodas e sua estrutura de suporte). Com ele a qualquer sinal de problemas é acionado o freio de emergência automaticamente.

Paineis em LCD substituirão os mapas impressos (CMSP)

O sistema de freios será duplo, com frenagem principal por modo elétrico e secundária por atrito – assim como automóveis, as composições contarão com o ABS, que impede deslizamentos e patinagem.

USB para os passageiros

Gioia também comentou que os novos trens consumirão cerca de 10% menos energia elétrica por conta do sistema de tração por corrente alternada.

Por falar em energia, o Metrô pretende oferecer oito unidades de conexão USB por vagão, cada uma com duas entradas. Segundo Gioia, elas terão baterias capazes de suportar todos os equipamentos plugados por 60 minutos.

Como esperado, a sinalização de mapas e painéis será feita por painéis eletrônicos LCD, possivelmente num padrão similar ao visto na Série 2500 da CPTM.

Por fim, uma inovação: três dos 44 trens serão equipados com um sistema de monitoramento embarcado para inspeção e monitoramento de via permanente, uma das tecnologias estuadas pelo Metrô para otimizar o serviço e a segurança.

O cronograma de entrega dos 44 trens

A previsão de entrega dos 44 trens estipula que a primeira composição seja recebida 21 meses após a assinatura do contrato. Outras três unidades deverão ser entregues em um ritmo um trem por mês. Depois disso, o ritmo será intensificado, com 18 trens a serem entregues dentro de um ano. O último trem deverá ser recebido 58 meses após a assinatura do acordo e colocado em serviço no prazo máximo de cinco anos.

O Metrô ainda aguarda a finalização dos trâmites para obter um empréstimo junto ao Banco Mundial e que financiará a aquisição. Com a entrada em operação da nova frota, os trens de outra frota, a E, sem ar-condicionado, serão retirados de circulação, confirmou a empresa.

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  1. Muito bom!

    Já que a ideia é não ter operador no futuro próximo, seria interessante o layout da cabine ser projetada de uma forma que, quando a linha estiver 100% driverless, tirar a cabine do operador e ampliar o salão dos passageiros, e que seja possível ver os túneis à frente, igual a linha amarela.

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