Obras da histórica Estação Leopoldina são adiadas para 2027
Desocupação da área e impasses judiciais seguem entre os fatores que atrasam a restauração do prédio centenário, segundo reportagem
As obras de restauração da Estação Leopoldina, um dos edifícios ferroviários mais emblemáticos do Rio de Janeiro, devem ser concluídas apenas em 2027, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo. A previsão anterior era reabrir o prédio ainda em 2026, ano em que a estação completa 100 anos.
De acordo com o jornal, a revisão do cronograma está ligada, entre outros fatores, à demora na desocupação do terreno ao redor da estação. A área ainda abriga antigas composições ferroviárias e milhares de aduelas de concreto produzidas para a construção da Linha 4 do Metrô do Rio, mas que nunca chegaram a ser utilizadas.
A Justiça Federal determinou novamente que a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central) retire veículos, equipamentos e outros materiais armazenados no local. O governo estadual terá 30 dias para cumprir a decisão, sob pena de multa diária.
Segundo a Secretaria estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, uma empresa foi contratada por R$ 2,87 milhões para remover veículos e equipamentos pertencentes à Central. As aduelas, no entanto, ficarão fora desse contrato e deverão ser objeto de uma operação específica.
Ainda segundo O Globo, o governo já havia informado anteriormente que a retirada das 6.672 aduelas poderia levar entre nove e doze meses e custar cerca de R$ 5 milhões. A Justiça, porém, destacou que o Estado tinha conhecimento da obrigação desde um acordo firmado com a União em 2022 e considerou que as providências foram tomadas apenas anos depois.
Estação Barão de Mauá (Leopoldina): terminal do TAV no Rio (Tomas Silva/Agência Brasil)
A restauração da Estação Leopoldina é conduzida pela Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), que afirma manter frentes de recuperação estrutural, restauração arquitetônica e modernização do edifício. O investimento previsto é de cerca de R$ 80 milhões.
Além do valor histórico, a estação também aparece nos planos para o futuro transporte ferroviário de passageiros de longa distância. O projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro e São Paulo, desenvolvido pela TAV Brasil, cita Leopoldina como possível terminal carioca. No entanto, o empreendimento ainda enfrenta obstáculos relacionados ao financiamento, licenciamento e à complexidade técnica da implantação, sem previsão para sair do papel.
Enquanto isso, a estação que um dia recebeu o Trem de Prata, entre Rio e São Paulo, deverá servir para atividades culturais organizadas pela prefeitura da cidade.
