Obras da Linha 6-Laranja atingiram 75% de execução, mas gargalos preocupam

Governo do estado divulgou dado, mas sem citar a que mês se referem. Estações Maristela e 14 Bis estão bem atrás do cronograma

Estação Maristela em dezembro de 2025
Estação Maristela em dezembro de 2025 (iTechdrones)

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) divulgou neste sábado, 6, que as obras da Linha 6-Laranja atingiram 75% de execução. A gestão também reafirmou a previsão de entrega em duas fases, a primeira no segundo semestre de 2026 (Brasilândia-Perdizes) e a segunda, em 2027 (Perdizes-Brasilândia).

Contudo, o comunicado, feito por meio da agência de notícias do governo, carece de detalhes além de omitir informações importantes.

O percentual de execução, por exemplo, não foi fornecido com uma data de referência. Numa obra como a Linha 6, um mês pode fazer grande diferença.

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Brasilândia deve ser entregue em outubro de 2026 (iTechdrones)

O texto estatal também evita informar dados mais precisos em relação à evolução das estações. “Entre as frentes mais avançadas, destacam-se as estações Água Branca, Perdizes e Santa Marina, todas acima de 85% de execução”, diz um trecho.

É notório que as três estações já superaram essa marca há bastante tempo. Dados da concessionária Linha Uni mostram que Perdizes já havia atingido esse patamar em agosto enquanto Água Branca e Santa Marina chegaram nesse nível em outubro.

A Linha Uni deve atualizar a evolução da obra nos próximos dias, como faz regularmente a cada dois meses, portanto, os dados usados pelo comunicado do governo podem ter sido baseados em informações antigas, o famoso “requentado”.

Área das futuras plataformas de embarque e desembarque dos passageiros na estação Água Branca da Linha 6 (GESP)

Governo “esqueceu” de 14 Bis

A gestão estadual, por outro lado, não comentou nada sobre as estações com obras atrasadas. Maristela, que é prometida para outubro de 2026, continua a ser um enorme buraco a céu aberto, com três poços circulares ainda sem contar com qualquer laje sobre as vias.

Ela havia chegado a 55% de execução em outubro e, a despeito dos esforços da construtora Acciona, parece pouco provável que ficará pronta em menos de um ano para ser entregue na primeira fase. Um indício disso é que a empresa tem focado na instalação da via permanente para possivelmente permitir a passagem dos trens oriundos do pátio Morro Grande.

Grave, no entanto, é a falta de transparência em relação à estação 14 Bis-Saracura. Segundo o governo, as obras tem demonstrado “avanço consistente em todo o traçado”, o que é falso.

Canteiro de obras da estação 14 Bis-Saracura (Linha Uni)

A referida estação, alvo de escavações arqueológicas, está parada, à espera da conclusão dos resgates de artefatos históricos. Esse processo tem se arrastado e não há qualquer previsão de quando 14 Bis será entregue, como admitiu um alto executivo da Linha Uni.

Resta entender como a Linha Uni poderá liberar o importantíssimo trecho a partir de Perdizes, que inclui duas conexões com o resto da malha sobre trilhos, em Higienópolis-Mackenzie (Linha 4) e São Joaquim (Linha 1).

Haverá tempo hábil para escavar 14 Bis e realizar algum tipo de obra mínima para permitir a passagem de trens? Ou será que Bela Vista e São Joaquim terão de ficar para mais tarde?

São temas como esse que a máquina de propaganda do governo Tarcísio poderia abordar em vez de se preocupar em criar narrativas otimistas em seus releases divulgados como notícias.

Veja abaixo um vídeo do iTechdrones de dezembro mostrando as estações Brasilândia e Maristela.

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