A construtora Telar, contratada pela incorporadora Brookfield para erguer a estação João Dias da Linha 9-Esmeralda, iniciou nos últimos dias os trabalhos no prédio de acesso da nova parada. Imagens compartilhadas pelo secretário dos Transportes Metropolitanos Alexandre Baldy nesta segunda-feira, 1º de junho, mostram maquinário dentro do canteiro de obras em preparação para a perfuração do solo do prédio, que fica na altura do número 17.007 da avenida das Nações Unidas.

A futura estação é um marco no transporte metroferroviário paulista por ser a primeira totalmente bancada pela iniciativa privada. A Brookfield ofereceu-se para implantar a estação há cerca de uma década, quando iniciou a construção de um conjunto de edifícios corporativos próximo à ponte João Dias. Como é uma região de acesso difícil pelo transporte público, a empresa enxergou na proposta uma forma de valorizar seu empreendimento, que hoje tem como uma dessas inquilinas a Nestlé.

Apesar disso, o ineditismo e a burocracia fizeram com que as tratativas se prolongassem por anos, mesmo com a Brookfield se dispondo a custear todo o projeto, de R$ 60 milhões. Apenas pouco tempo atrás, esse imbróglio conseguiu ser vencido e a CPTM assinou contrato com a incorporada.

Em abril, os primeiros movimentos de preparação para obra foram iniciados, para permitir que seja construído um desvio das vias da Linha 9 a fim de liberar espaço para a implantação da plataforma. A previsão é que a nova estação João Dias seja entregue em 2022, mas há uma boa chance de ela ficar pronta antes.

A nova estação João Dias terá uma infraestrutura mais generosa se comparada à de outras paradas da Linha 9. No acesso, existirão duas escadas rolantes, além da fixa e elevadores, algo que não é visto por exemplo na estação vizinha Granja Julieta. A Brookfield, por meio da Telar, deverá entregar a estação completa, com exceção das duas vias permanentes e rede aérea na nova configuração que ficarão a cargo da futura concessionária das linhas 8 e 9 – a CPTM pretende licitar ambas ainda em 2020.

Curiosamente, mesmo com a inserção da estação João Dias, a distância entre as estações nessa região continuará imensa. Até Granja Julieta será cerca de 1.700 metros e Santo Amaro, mais de 2 km, um sinal de que em tese seria possível construir mais paradas no ramal da CPTM.

Veja como será a implantação da estação João Dias (Arte sobre material da CPTM)