Parlamentares do ABC cobram governo Tarcísio pela Linha 20-Rosa

Assembléia Legislativa vai ouvir o secretário dos Transportes Metropolitanos e o presidente do Metrô sobre demora em confirmar início das obras pela região

Linha 20-Rosa começando pelo ABC (Jean Carlos)
Linha 20-Rosa começando pelo ABC (Jean Carlos)

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou um requerimento para convocar o secretário dos Transportes Metropolitanos, Marco Antonio Assalve, e o presidente do Metrô, Julio Castiglioni, a prestarem esclarecimentos sobre a Linha 20-Rosa.

O convite foi proposto pela deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania), de Santo André, e que é a presidente da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Alesp

Os parlamentares buscam explicações sobre as promessas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de começar o ramal metroviário pelo ABC Paulista.

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O gestor estadual tem afirmado que a Linha 20 partirá de Santo André em vez da capital, como apontam os estudos técnicos.

No entanto, o Metrô até agora só desapropriou terrenos no chamado trecho prioritário, entre as estações Santa Marina (Lapa) e Abrãao de Morais (Zona Sul).

Em fevereiro, segundo o jornal Diário do Grande ABC, Assalve havia prometido ao prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (PSDB), que as desapropriações no ABC seriam publicadas na semana seguinte, mas até o momento isso não ocorreu.

Dados da Linha 20-Rosa (GESP)

Para viabilizar a implantação da Linha 20-Rosa no ABC é preciso encontrar uma grande área para construir um pátio de manutenção e estacionamento de trens.

O Metrô havia escolhido um terreno onde funcionava uma fábrica da Rhodia, mas a área deu espaço a um centro logístico. Sem essa opção, a companhia passou a negociar o uso de outro terreno às marges da Linha 10-Turquesa e que será vizinho da futura estação ABC.

Mas um acordo para confirmar essa alternativa até hoje não foi anunciado.

O novo pátio da Linha 20-Rosa em Santo André (GESP)

Trecho em São Paulo é mais lucrativo

Ao empurrar a escolha do trecho secundário da Linha 20, Tarcísio pode criar um problema para a futura concessão, prevista para construir e operar o ramal de 33 km e 24 estações.

A questão é que a maior demanda de passageiros virá do Lote 1, percurso entre Santa Marina e Abraão de Morais, que terá nada menos que seis integrações com outros ramais.

O Lote 2, com nove estações, terá apenas a Linha 10-Turquesa com baldeação gratuita – a existência de corredores de ônibus na região não são capazes de atrair tanta demanda pela necessidade de pagar uma nova tarifa.

Projeção de carregamento de passageiros no cenário de 2040 (CMSP)

Para o setor privado, implantar primeiro o Lote 1 significa recuperar o investimento mais cedo além de reduzir custos já que o trecho possuirá um carregamento mais equilibrado, ou seja, passageiros embarcando e desembarcando de forma distribuída pela extensão.

O trecho no ABC, ao contrário, deverá ter demanda pendular, quando muitas pessoas entram pela manhã e só desembarcam na capital paulista, que oferece mais empregos e serviços. À tarde é o efeito contrário, com usuários se acumulando nos trens e descendo apenas no trecho final.

O que parece certo é que para começar por Santo André, o governo terá de mudar as fases do projeto de forma a incluir mais estações de baldeação como Saúde (Linha 1-Azul) e talvez Moema (Linha 5-Lilás).