Presidente do MetrôRio defende tarifa integrada e expansão da rede para evitar nova década sem investimentos

Concessionária aponta ligação entre Estácio e Praça XV como prioridade para ampliar capacidade do sistema e destravar futuras expansões

Trem do MetrôRio (Tomaz Silva/Agência Brasil)

O presidente do MetrôRio, Guilherme Ramalho, defendeu que a mobilidade urbana passe a ser tratada como uma política permanente de Estado no Rio de Janeiro, com investimentos contínuos em expansão da rede e integração tarifária entre os diferentes modais de transporte.

Em entrevista à rádio CBN, Ramalho afirmou que a falta de subsídios e a fragmentação da gestão do transporte público contribuem para o alto custo das viagens sobre trilhos no estado. Atualmente, a tarifa do metrô carioca, de R$ 7,90, está entre as mais caras do país, enquanto a integração com os trens metropolitanos continua dependendo do pagamento de tarifas adicionais, diferentemente do modelo adotado em São Paulo.

Segundo o executivo, uma das prioridades deveria ser aproximar o valor da passagem do metrô ao praticado pelos ônibus, tornando o sistema mais competitivo e atraente para a população.

O debate surge em um momento em que o estado volta a discutir projetos de expansão da rede metroviária após anos de poucas novidades. A última ampliação significativa ocorreu com a chegada da Linha 4 à Barra da Tijuca, inaugurada em 2016 às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

O poço da estação Gávea está sendo drenado (GERJ)

A obra recebeu forte apoio financeiro dos governos federal e estadual e marcou a primeira expansão relevante da rede desde a implantação dos trechos originais das linhas 1 e 2, iniciados ainda na década de 1970. Desde então, a principal intervenção em andamento é a retomada das obras da estação Gávea, paralisadas por quase uma década e reiniciadas recentemente.

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Ramalho apontou a ligação entre Estácio e o Centro como uma das obras mais importantes para o futuro do sistema. O trecho permitiria separar operacionalmente as linhas 1 e 2, aumentando a capacidade da rede e criando condições para novas expansões em direção à Zona Norte.

Entre os projetos defendidos pelo presidente do MetrôRio também está a extensão da Linha 4 entre Jardim Oceânico e o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, criando conexão direta com corredores de ônibus e o sistema BRT.

Traçado preliminar da Linha 3 com 50 km de extensão (COPPE)

Enquanto isso, outro projeto histórico da mobilidade fluminense voltou recentemente ao debate. No início do mês, pesquisadores da COPPE/UFRJ apresentaram os primeiros resultados do projeto Prisma-RJ, que estuda a implantação da Linha 3 do metrô entre Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.

O traçado preliminar elaborado pela universidade prevê cerca de 50 quilômetros de extensão e 29 estações, conectando regiões que concentram aproximadamente 1,7 milhão de habitantes. A proposta ainda está em fase de estudos de demanda, viabilidade econômica e modelagem financeira, sem previsão para início das obras.

Segundo o presidente da MetrôRio, a ausência de uma política permanente para o setor dificulta a execução de projetos de longo prazo e contribui para que obras de grande porte dependam de eventos específicos ou de programas extraordinários de financiamento para sair do papel.

Para o executivo, estabelecer fontes estáveis de recursos e planejamento contínuo seria fundamental para evitar que a rede metroviária do Rio atravesse mais um longo período sem expansões significativas.

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