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Problema “exclusivo” do monotrilho faz Linha 15-Prata operar em dois trechos

Metrô afirma que reparo na via próximo à estação São Lucas só deverá ser resolvido nesta sexta-feira após dias afetando o ramal
Monotrilho da Bombardier: divisão ferroviária pode parar nas mãos da Alstom (CMSP)

Desde o início de 2020, a Linha 15-Prata do Metrô tem sido afetada por problemas e que está afetando a operação como um todo. Inicialmente, a companhia relatou o furto de cabos como motivo para atrasos e indisponibilidade do serviço e mais tarde uma nova ocorrência, uma falha em um equipamento de via nas proximidades da estação São Lucas. A solução desse problema, no entanto, tem exigido mais tempo para reparos, obrigando a companhia a fazer um pedido de desculpas nas redes sociais em que afirma que a solução só será finalizada nesta sexta-feira, 3.

Embora o Metrô não detalhe a causa, especula-se que o problema afete parte de suas vigas-trilho justamente na junção batizada em inglês de “finger plate” – informação ainda não confirmada pela empresa. Trata-se de uma estrutura metálica que existe a cada quatro vigas-trilho e que permite que exista a dilatação do concreto sem que isso afete os pneus do monotrilho. Em suma, é uma espécie de acabamento em aço galvanizado que faz a “ponte” entre cada conjunto de vigas-trilho da via.

Não se sabe, no entanto, o que ocorreu com a via afetada já que o trem está utilizando apenas uma das vigas para seguir viagem. A solução adotada pelo Metrô enquanto isso é que disponibilizar o serviço até a estação Camilo Haddad onde o passageiro precisa trocar de trem para seguir viagem.

O problema na viga-trilho da Linha 15, portanto, é algo exclusivo do monotrilho e uma novidade para o Metrô no seu cotidiano de operação. Primeira linha do modal do Brasil, o ramal tem servido como aprendizado para a companhia em lidar com um tipo de transporte pouco comum no resto do mundo. Por isso é natural que surjam dificuldades à medida que a operação passe a ser mais constante e atinja uma maior demanda.

A estrutura de ligação das vigas-trilho, chamada de finger plate: suspeito de ocasionar o problema (Reprodução – apresentação do Metrô)

Interdições em vias não são uma novidade tanto para o Metrô quanto a CPTM, mas as soluções adotadas ainda deverão evoluir, não há dúvida. O surgimento desse problema às vésperas da esperada operação plena do novo trecho entre Jardim Planalto e São Mateus, no entanto, causa preocupação. Se hoje qualquer dificuldade na linha já afeta uma quantidade grande de usuários (em torno de 100 mil pessoas utilizam o ramal) imagine-se o impacto quando atingirmos picos acima de 300 mil pessoas por dia útil.

Espera-se que até lá o ramal amadureça o suficiente para que interferências sejam solucionadas de forma mais rápida.

Nota do editor: o site consultou a Secretaria dos Transportes Metropolitanos para buscar mais detalhes sobre a falha e atualizará essa nota caso haja resposta.

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About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

6 Comentários

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  • Será que não haverá uma prorrogação destes testes por tempo indeterminado, se necessário, em função da insuficiencia de tempo para resolver este contratempo? Sem querer “rogar praga”, mas não dá pra fingir que está tudo bem e “empurrar com a barriga”.

  • Então, não acho que seja justificável o monotrilho viver com problemas de todos os tipos (justificativa essa que já tinha sido dada pelo Metrô diversas vezes) que o monotrilho é um modal novo e por isso o Metrô não teria experiência com o mesmo. E os vários finais de semanas que o modal vinha ficando em “Testes Programados” que deixava o monotrilho fechado de sábado da 4:40 da manhã até as 14h? Isso que teve uma vez que ele ficou até 21h fechado em um sábado, me lembro bem. Não há justificativa alguma pelo q está ocorrendo na Linha Prata desde o dia 1 de janeiro, isso é inadmissível, a linha estar com problemas a tanto tempo.

    • Não acho justificável seu comentário criando caos sobre um mero problema que até agora não feriu ou matou ninguém.

      O monotrilho mal começou a operar com sua primeira fase completa e está enfrentando problemas decorrentes de um sistema em fase de maturação. Teste não é sinônimo de isenção de falhas nem aqui nem no mundo inteiro.

      Para se ter uma idéia, o metrô de Santiago teve em 2018 mais de 5500 falhas. Nem por isso deixou de transportar com segurança 721 milhões de passageiros.

      E aí, vamos acabar com todos os metrôs do mundo por conta das falhas serem inevitáveis?

  • Deve ser por esse motivo que o monotrilho estava passando muito devagar no dia primeiro e quando passava dava para escutar um estralo…

  • Suponho que o Metrô tenha o know-how de como recuperar aquele ligamento de viga. A dificuldade me parece que é no quesito equipe operacional, haja vista o reduzido número de equipes trabalhando na via desde o início, no aguardo da transferência da linha para a concessionária. De qualquer forma, se o problema será resolvido nesse final de semana, o trecho Sapopemba-São Mateus estará apto a ter o horário estendido como foi anteriormente informado?

    Fico com a expectativa de tudo de normalizar o quanto antes, essa via é muito necessária à região e não pode ficar com esses gargalos. Ademais, o modal é muito bom e isso só serve para alimentar falácias contra o Monotrilho uma vez que o problema aparentemente é operacional e não técnico. Afinal, aos que trabalham na aviação sabem que equipamentos são feitos para serem substituídos quando danificados, e os são com o tempo. O problema é a morosidade para a substituição.

    Abraços.

Airway