Tatuzão Hebe Camargo recebe últimos ajustes antes de iniciar escavação da Linha 2-Verde

Consbem afirma que máquina está na reta final de preparação; estimativa do MetrôCPTM aponta chegada a Penha de França nos primeiros meses de 2027

Novo tatuzão também foi fabricado na China pela CREG
Novo tatuzão também foi fabricado na China pela CREG (GESP)

A tuneladora Hebe Camargo está na fase final de montagem, testes e ajustes antes de começar a escavar os túneis da expansão da Linha 2-Verde. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (7) pela Consbem, uma das integrantes do consórcio responsável pelas obras do trecho.

A manifestação ocorre justamente no período previsto para o início dos trabalhos. Como o MetrôCPTM revelou em setembro, o Consórcio CRASA-Ghella-Consbem trabalhava com a expectativa de colocar a Hebe Camargo em operação no começo de outubro. Até o momento, no entanto, não foi divulgada a data exata da partida.

A máquina começará seu percurso na região da Estação Penha e terá como destino final o VSE Castelo Branco, já depois da futura Estação Dutra, em Guarulhos. No caminho estão Penha de França, Gabriela Mistral, Fernão Dias, Ponte Grande e Dutra, além de poços e outras estruturas intermediárias.

Penha de França pode ser alcançada no início de 2027

Dados oficiais sobre as distâncias entre as estruturas da expansão, obtidos com exclusividade pelo MetrôCPTM, permitem fazer uma estimativa do avanço da tuneladora.

São aproximadamente 995 metros entre a região da Estação Penha e Penha de França. No caminho está o VCA Penha, uma estrutura a céu aberto pela qual a tuneladora deverá passar por meio de arraste, procedimento que pode exigir uma interrupção temporária da escavação.

Módulos de back-up do tatuzão Hebe Camargo (Reprodução)

Considerando uma produtividade conservadora da ordem de 8 a 10 metros por dia, a escavação desse primeiro trecho exigiria entre 100 e 125 dias de trabalho efetivo. Mesmo admitindo uma parada adicional no VCA Penha, uma partida ainda em outubro colocaria a chegada da Hebe Camargo a Penha de França nos primeiros meses de 2027.

A projeção é uma estimativa do MetrôCPTM a partir das distâncias oficiais e não corresponde a um prazo divulgado pelo Metrô. A velocidade efetiva da máquina poderá variar de acordo com as condições encontradas durante a escavação e eventuais interrupções para manutenção ou procedimentos da obra.

Penha de França deverá representar uma interrupção mais longa no percurso. A passagem por uma estação permite a realização de manutenção na tuneladora e seu posterior arraste pela estrutura. Considerando uma parada de aproximadamente um mês, a máquina poderia retomar a escavação entre abril e maio, caso alcance Penha de França no primeiro trimestre.

Estação Penha de França em agosto de 2026 (iTechdrones)

Gabriela Mistral fica cerca de 600 metros adiante

Depois de Penha de França, a distância até Gabriela Mistral é bem menor. Os dados obtidos pelo MetrôCPTM mostram cerca de 600 metros entre as duas estações, com o VSE Carlos Meira no percurso. São 307 metros entre Penha de França e esse poço e aproximadamente 290 metros daí até Gabriela Mistral.

O VSE Carlos Meira deverá ser apenas um ponto de passagem da tuneladora, sem uma interrupção semelhante à esperada em Penha de França. Mantido um ritmo conservador, os cerca de 600 metros poderiam ser escavados em aproximadamente 60 a 75 dias de trabalho.

Nesse cenário, se a Hebe deixar Penha de França entre abril e maio, a chegada a Gabriela Mistral poderia ocorrer entre junho e agosto de 2027. Trata-se novamente de uma estimativa do MetrôCPTM, e não de uma previsão oficial do Metrô.

Marco de 693 dias depende de ordem de serviço

O novo cronograma contratual da obra, incluído no Aditivo nº 10 assinado pelo Metrô e pelo Consórcio CRASA-Ghella-Consbem, estabelece a chegada da tuneladora a Gabriela Mistral em 693 dias e sua partida aos 714 dias.

Isso, porém, não significa que a Hebe Camargo levará 693 dias entre sua partida da Penha, prevista para outubro, e a chegada a Gabriela Mistral.

A própria tabela estabelece que a contagem dos 693 dias ocorre a partir da ordem de serviço do item 2.1.13, referente ao túnel entre o VSE Padre João e o VSE Castelo Branco. Sem a data de emissão dessa ordem de serviço, o prazo é uma referência contratual, mas não permite estabelecer uma data de calendário para a chegada da máquina a Gabriela Mistral.

Obras da estação Fernão Dias em agosto de 2026 (iTechdrones)

As distâncias oficiais entre Penha, Penha de França e Gabriela Mistral também mostram que os 693 dias não podem ser interpretados simplesmente como o tempo que a tuneladora levará para percorrer esse trecho caso a escavação efetivamente comece em outubro.

Basta um simples cálculo aritmético para evidenciar que a contagem a partir de outubro é falsa: se isso fosse real, a tuneladora apresentaria um ritmo de apenas 2,3 metros por dia de escavação, ou cinco vezes menos do que a velocidade média vista em outros tatuzões.

Contrato foi prorrogado até 2032

O cronograma da Hebe Camargo foi atualizado no mesmo aditivo que prorrogou o contrato das obras civis do trecho entre Penha e o VSE Castelo Branco. O prazo de execução, que terminaria em fevereiro de 2027, passou para 31 de março de 2032, enquanto a vigência contratual foi estendida até outubro daquele ano.

O Metrô também acrescentou R$ 55,97 milhões ao contrato, em valores com data-base de julho de 2014. Com a alteração, o valor contratual passou de R$ 1,863 bilhão para R$ 1,919 bilhão.

Depois de Gabriela Mistral, o novo cronograma estabelece como marcos seguintes da tuneladora as estações Fernão Dias, Ponte Grande e Dutra. A máquina prosseguirá depois de Dutra até o VSE Castelo Branco, ponto final de seu percurso.