Novo aditivo da Linha 2-Verde põe em dúvida entrega de estações em Guarulhos até 2032
Contrato de obras civis do trecho entre Penha e Dutra foi prorrogado até março daquele ano, mesma previsão citada pelo governo para a chegada do metrô à cidade
Um novo aditivo contratual das obras de expansão da Linha 2-Verde estabeleceu março de 2032 como prazo para a conclusão dos serviços civis do trecho que segue da Penha em direção à Rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos. A data coloca em dúvida a previsão do governo estadual de inaugurar a extensão até o município naquele mesmo ano.
O Termo de Aditamento do lote 02, firmado pelo Metrô com o Consórcio Crasa-Ghella-Consbem, prorrogou o prazo de execução dos serviços de 21 de fevereiro de 2027 para 31 de março de 2032. A vigência contratual, por sua vez, passou de setembro de 2027 para 31 de outubro de 2032.
Embora partes das estações e dos túneis possam ser liberadas antecipadamente para a instalação de sistemas, o término das obras civis não encerra a implantação de uma linha de metrô. Depois dessa etapa ainda são necessários trabalhos de integração, testes e comissionamento antes da operação comercial plena.
Isso torna apertada a previsão de chegada da Linha 2 a Guarulhos em 2032. Em setembro, durante visita às obras da Estação Aricanduva, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que o ramal deveria chegar à Penha em 2029 e a Guarulhos “por volta de 2032”.
Área de manutenção faz parte da extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos (Reprodução)
A situação pode ser observada atualmente na Linha 6-Laranja. Seis estações foram abertas em julho em operação assistida, com horário reduzido, enquanto obras e instalação de sistemas complementares continuam sendo realizadas. O período também é utilizado para validar equipamentos e procedimentos antes da operação plena.
Nova tuneladora Hebe Camargo
O cronograma revisado mostra que a expansão poderá ter trechos liberados para a instalação de sistemas em momentos diferentes. Tomando meados de 2026 como referência para a ordem de serviço, entre Padre João e Penha de França a via permanente e a passarela de emergência deverão estar disponíveis para essa etapa por volta do começo de 2030, após 1.306 dias. Já entre Penha de França e Fernão Dias, o prazo de 1.899 dias levaria essa liberação para aproximadamente no segundo semestre de 2031.
Essa divisão abre espaço para que partes da extensão sejam concluídas antes da chegada a Guarulhos, embora o documento não estabeleça datas de inauguração nem confirme uma operação por etapas. A previsão mais recente divulgada pelo governo é levar a Linha 2 até Penha em 2029.
Veja os canteiros com atividades na expansão da Linha 2-Verde até Guarulhos (Metrô CPTM)
Depois de Penha de França, a linha terá Gabriela Mistral, que fará conexão com as linhas 12-Safira e 13-Jade, e Fernão Dias. O cronograma trata esse conjunto como um único trecho para efeito de liberação da via aos sistemas.
A partir de Fernão Dias, porém, começa a etapa mais longa: são 2.056 dias até que a via permanente e a passarela de emergência estejam concluídas até Dutra e disponíveis para a montagem dos sistemas. Considerando 2026 como ponto de partida, isso ocorreria em meados de 2032.
É nesse último segmento que ficam Ponte Grande e Dutra, as duas estações da Linha 2 em Guarulhos. Com a infraestrutura necessária à montagem dos sistemas sendo liberada apenas no início de 2032, ainda haverá trabalhos de instalação, integração e testes antes que o trecho possa receber passageiros, o que coloca em dúvida a previsão do governo de levar o metrô ao município naquele ano.
Área onde ficará a estação Dutra, em Guarulhos (rebu)
O cronograma também detalha a passagem da nova tuneladora Hebe Camargo pelas futuras estações. Partindo da mesma referência de 2026, a máquina deverá chegar a Gabriela Mistral em meados de 2028, após 693 dias; a Fernão Dias no final do mesmo ano, depois de 891 dias; a Ponte Grande no começo de 2030, aos 1.298 dias; e a Dutra no segundo semestre de 2030, 1.521 dias após a ordem de serviço dessa frente.
O Aditivo nº 10 acrescentou ainda R$ 55,97 milhões ao contrato, em valores com data-base de julho de 2014. Com isso, o valor passou de R$ 1,863 bilhão para R$ 1,919 bilhão.
O consórcio terá agora 30 dias para apresentar ao Metrô um cronograma de barras revisado do empreendimento. O documento deverá detalhar a distribuição das atividades dentro do novo prazo contratual, que se estende até março de 2032.
