Trem regional São Paulo-Campinas-Americana já não tem impedimento federal

Agência Nacional de Transportes Terrestres assinou aditivo de concessão de cargs na chamada Malha Paulista, abrindo caminho para implantação do TIC

Locomotiva da Rumo Logística: prioridade para os trens de passageiros (Abifer)

Três anos e meio após iniciar seus estudos, o governo federal finalmente assinou a prorrogação do contrato de concessão da Malha Paulista, maior corredor de exportação do país, com quase 2.000 km de trilhos. A cerimônia de assinatura do aditivo ocorreu nesta quarta-feira, 27, em Brasília, com a presença do ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas e prevê que a Rumo Logística, atual concessionária, invista cerca de R$ 6 bilhões na modernização do trecho em troca da extensão até 2058.

Com isso, em tese não há mais impedimentos para que o projeto do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, e futuramente até Americana, saia do papel. A razão é que uma das condições para a renovação antecipada do contrato de concessão com a Rumo era a de permitir a passagem de trens de passageiros nesses trechos. Essa permissão para o tráfego de trens de passageiros está claramente indicada no aditivo e que tem prioridade sobre as composições de carga.

Para o governo federal, a renovação também significa o fim de duas décadas de disputas na Justiça já que a Rumo assumiu a rede da RFFSA e com isso acabou sendo alvo de passivos trabalhista da estatal. “Hoje é um dia histórico. Foi possível por termos o melhor time. Superamos muitos desafios para proporcionar ao Brasil investimentos em ferrovia depois de tanto tempo. Penso nos 10 mil trabalhadores que terão empregos logo e como esse projeto vai fazer diferença na vida das pessoas. E abre caminho para novos projetos que vão equilibrar a matriz de transportes do país”, afirmou o ministro Tarcísio.

Estágios diferentes

Agora, o governo do estado deverá encontrar maior facilidade para implantar as várias etaps do Trem Intercidades e do Trem Intermetropolitano. A razão é que a Rumo havia colocado algumas condições para abrir espaço para os trens de passageiros e criado dificuldades para liberar o trecho entre Campinas e Americana. Nesse caso, a infraestrutura no trajeto é bastante precária, com apenas uma via e a necessidade de desapropriações para permitir uma operação simultânea com carga e passageiros.

O esquema de vias do TIC entre São Paulo (Barra Funda) e Americana

Já o trecho intermediário, entre Jundiaí e Campinas, havia sido alvo de entendimentos antes mesmo da celebração da renovação do contrato. Embora não haja uma infraestrutura adequada atualmente, a Rumo mantém duas vias em condições razoáveis, o que exigirá que seja implantada uma terceira faixa de trilhos para permitir que o trem expresso e o parador possam operar sem interferir nos deslocamentos dos trens de carga. Por fim, o trecho entre Jundiaí e São Paulo, embora mais estruturado, exigirá algumas retificações nas vias, entre outras obras.

Apesar disso, o horizonte do TIC ainda é um pouco nebuloso. Em entrevista nesta segunda-feira, o presidente da CPTM Pedro Moro afirmou que o estudo do edital de concessão do trem está na fase final e deverá ser apresentado em consulta pública no segundo semestre. Após isso, o edital será finalizado e então publicado provavelmente no início de 2021. Ou seja, se não houver imprevistos, a concessão poderia ser assinada ainda no ano que vem, com os trabalhos sendo iniciados em 2022. Os prazos estimados, no entanto, dependem da finalização do projeto. Certo mesmo é que, em tese, não haverá mais problemas com o governo federal e a Rumo.