Trivia Trens antecipa reforma de subestação e instalação de câmeras após crise nas linhas 11, 12 e 13

Concessionária prevê recuperar instalação elétrica no início de 2027 e adiantar em dois anos sistema com mais de 400 câmeras

Trem com pintura da Trivia Trens estacionado na estação Brás, Linha 12-Safira
Trem com pintura da Trivia Trens estacionado na estação Brás, Linha 12-Safira ((MetrôCPTM))

A Trivia Trens decidiu antecipar dois investimentos previstos no contrato de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade após os problemas registrados nos primeiros dias em que esteve à frente dos ramais, em julho.

Uma das intervenções será a recuperação da subestação de energia Engenheiro Sebastião Gualberto, prevista inicialmente apenas para o terceiro ano da concessão e que agora deverá ser realizada no início de 2027.

A informação foi revelada pelo presidente da Trivia Trens, Cláudio Andrade, em entrevista à CNN Brasil publicada nesta segunda-feira (14). Segundo o executivo, a instalação foi construída na década de 1950 e está localizada no trecho mais afetado pelos problemas ocorridos durante a breve passagem da concessionária pela operação das linhas.

Outro investimento antecipado é a implantação do SFTV, sistema que contará com mais de 400 câmeras distribuídas por estações, vias e pátios e conectadas ao Centro de Controle Operacional. A execução foi adiantada em dois anos em relação ao cronograma original.

Claudio Andrade, novo CEO da Trivia Trens (Divulgação Trivia Trens)

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Segundo Andrade, o sistema permitirá acompanhar situações que possam comprometer a operação e utilizar recursos de inteligência artificial para emitir alertas relacionados, entre outros casos, a vandalismo, roubos e concentração elevada de passageiros.

Três dias de operação

A Trivia assumiu integralmente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade em 21 de julho, após uma etapa de transição na qual seus funcionários participaram das atividades operacionais sob supervisão da CPTM.

A experiência durou apenas três dias. Em 23 de julho, uma sequência de ocorrências provocou graves problemas na rede, incluindo um incêndio em um trem da Série 7000 entre Brás e Tatuapé. Passageiros precisaram deixar a composição e caminhar pela via, enquanto trechos das linhas 11 e 12 e toda a Linha 13 chegaram a ficar sem circulação.

Interior do trem pertencente as Trivia Trens, atingido por incêndio na manhã do dia 23 de julho (Reprodução Redes Sociais)

No mesmo dia, o governo estadual determinou que a CPTM reassumisse a operação e a manutenção dos três ramais por 90 dias. A estatal voltou ao comando dos serviços na madrugada de 24 de julho, enquanto a Trivia permaneceu responsável por contratos e despesas vinculados às linhas.

Um aditivo firmado posteriormente entre as empresas estabeleceu que a CPTM poderá ser ressarcida pela concessionária pelas despesas relacionadas à operação, ao mesmo tempo em que a estatal ressarcirá a Trivia por pagamentos que continuaram sendo realizados pela empresa privada durante o período. O limite previsto para esse segundo fluxo é de R$ 24,38 milhões.

Treinamentos refeitos antes de nova tentativa

Desde a interrupção da operação, a Trivia passou por uma nova etapa de preparação para tentar reassumir os serviços. Nas últimas semanas, funcionários receberam treinamentos de segurança, operação ferroviária, brigada de incêndio, socorro a passageiros e reconhecimento da via permanente e de seus sistemas.

Equipamentos que serão usados nas linhas 11, 12 e 13 (Trivia Trens)

A concessionária também realizou novos treinamentos com operadores de trens, uma das áreas diretamente envolvidas na transferência das atividades anteriormente executadas pela CPTM.

A previsão atual é que a nova tentativa de transferência ocorra no fim de outubro, quando terminam os 90 dias adicionais determinados após os problemas de julho. A data, porém, não representa uma autorização automática para que a Trivia volte a comandar os trens.

Retorno depende da Artesp

A retomada precisa ser autorizada pela Artesp, responsável pela fiscalização da concessão. Procurada recentemente pelo MetrôCPTM, a agência informou que acompanha o cumprimento das ações necessárias para uma nova transferência operacional e que a passagem dos serviços dependerá da avaliação das condições apresentadas pela concessionária.

Expresso Aeroporto (Jean Carlos)

Caso seja autorizada, a Trivia entrará novamente na etapa de operação assistida prevista no contrato, período em que a prestação dos serviços permanecerá acompanhada pela CPTM antes da transferência definitiva.

O modelo contratual prevê que essa fase possa durar até 12 meses, com possibilidade de encerramento após seis meses caso as condições para a assunção definitiva sejam consideradas atendidas.

A Trivia assumiu o Lote Alto Tietê após vencer o leilão realizado pelo governo paulista em março de 2025. Além da operação das três linhas existentes, o contrato prevê expansões que somam 22,6 km, novas estações e intervenções em estações, vias, rede aérea, energia, sinalização e material rodante ao longo dos 25 anos da concessão.