UFRJ e Aerom formalizam parceria para tentar levar MagLev-Cobra ao mercado
Licenciamento havia sido anunciado em julho; projeto de levitação magnética terá aporte de R$ 9 milhões da Finep para chegar à fase de operação comercial
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Aerom formalizaram nesta quinta-feira (1º) o licenciamento do MagLev-Cobra, sistema de transporte por levitação magnética desenvolvido há mais de duas décadas pela instituição.
O acordo não chega a ser uma novidade. Em julho, a Aerom já havia anunciado a assinatura de um contrato de licenciamento tecnológico não exclusivo com a UFRJ, que permite à empresa desenvolver e comercializar a tecnologia. Na ocasião, o MetrôCPTM mostrou que a companhia pretendia transformar o projeto experimental em um produto que pudesse ser oferecido ao mercado.
A cerimônia realizada agora no campus da Cidade Universitária, no Rio de Janeiro, formalizou a parceria e trouxe mais detalhes sobre a próxima etapa do desenvolvimento.
Um deles é um aporte de R$ 9 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Segundo Richard Stephan, professor da Coppe/UFRJ que lidera o desenvolvimento do MagLev-Cobra, o projeto ficou em segundo lugar em um edital nacional da instituição.
Marcus Coester, à esquerda, no MagLev-Cobra (Aerom)
Projeto busca chegar à fase comercial
A meta estabelecida pela UFRJ e pela Aerom é levar o sistema ao chamado Technology Readiness Level 8 (TRL 8), uma escala utilizada para determinar o grau de maturidade de uma tecnologia.
Nesse estágio, o sistema precisa estar completo e qualificado após testes e demonstrações, aproximando o MagLev-Cobra das condições necessárias para uma aplicação comercial. Isso, no entanto, não significa que já exista uma implantação contratada.
Até o momento, UFRJ e Aerom não anunciaram cidade, corredor ou cliente para uma primeira aplicação comercial do sistema.
O MagLev-Cobra utiliza uma tecnologia diferente daquela encontrada nos trens de levitação magnética de alta velocidade. Ímãs de terras raras são instalados na via, enquanto o veículo possui supercondutores resfriados com nitrogênio líquido.
A interação entre os dois componentes permite que o veículo permaneça suspenso sem contato mecânico com a via. A propulsão é feita por motor linear.
MagLev-Cobra (Aerom)
Protótipo transportou 20 mil passageiros
Entre 2014 e o início da pandemia de Covid-19, um protótipo em escala real operou em uma via experimental de aproximadamente 200 metros na Cidade Universitária. Segundo a UFRJ, mais de 20 mil passageiros utilizaram o veículo nesse período.
O projeto passou posteriormente por modificações e recebeu um novo veículo produzido pela Aerom. A universidade também trabalhou no desenvolvimento de soluções para problemas encontrados durante os testes, entre eles a oxidação dos ímãs instalados na via.
Segundo a UFRJ, uma cooperação com a Escola de Química e empresas permitiu desenvolver um processo para reciclagem das terras raras utilizadas nesses componentes, com trabalhos realizados em Poços de Caldas e Lagoa Santa, em Minas Gerais.
A universidade estima que uma linha baseada no MagLev-Cobra possa custar cerca de um terço do valor por quilômetro de um metrô subterrâneo e afirma que a solução seria mais barata que um monotrilho. Os valores, porém, são projeções do próprio projeto, que ainda não teve uma implantação comercial que permita comparar custos reais de construção e operação.
A Aerom, por sua vez, possui experiência no desenvolvimento de sistemas de transporte não convencionais. A empresa é responsável pela tecnologia do Aeromovel, que utiliza propulsão pneumática e possui aplicações como o People Mover do Aeroporto de Guarulhos com a Linha 13-Jade.
Com o novo acordo, a empresa passa a participar da tentativa de fazer o MagLev-Cobra superar a etapa experimental e se tornar um sistema disponível comercialmente, mais de duas décadas após o início de seu desenvolvimento na UFRJ.
