VLT em Brasília vai retirar cerca de 400 ônibus da Avenida W3

Projeto reorganiza o transporte no principal eixo do Plano Piloto e prevê operação sobre trilhos entre as asas Norte e Sul e o aeroporto

VLT em Brasília está perto de sair do papel
VLT em Brasília está perto de sair do papel (GDF)

A implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Avenida W3, em Brasília, deverá resultar na retirada de cerca de 400 ônibus convencionais que hoje utilizam o corredor como eixo principal do transporte público. A informação foi revelada pelo secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, ao site Metrópoles.

Com a entrada em operação do VLT, a circulação de ônibus ao longo da W3 ficará restrita a linhas transversais, responsáveis por ligações internas entre quadras e por conexões locais, enquanto o atendimento de maior capacidade passará a ser feito pelo sistema sobre trilhos.

Atualmente, a W3 concentra uma das maiores ofertas de ônibus do Distrito Federal. Pelo modelo proposto, parte desses veículos passará a operar apenas como alimentadores, levando passageiros até os terminais das asas Norte e Sul, enquanto o restante será redistribuído para reforçar linhas em outras regiões da cidade. A mudança altera de forma estrutural o papel da avenida no sistema de transporte coletivo.

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Sistema teve que substituir alimentação aérea por subterrânea (GDF)

 O projeto do VLT foi apresentado em 2019 e precisou ser reformulado após restrições impostas por órgãos de preservação do patrimônio. A proposta inicial previa rede aérea de alimentação elétrica, incompatível com as regras de proteção do conjunto urbanístico de Brasília. O traçado foi redesenhado para adotar alimentação subterrânea, permitindo a continuidade da tramitação do projeto.

O novo modelo está em análise no Tribunal de Contas do Distrito Federal e divide a implantação em duas etapas. A primeira liga o futuro Terminal da Asa Norte ao Terminal da Asa Sul, ao longo da Avenida W3. A segunda conecta o Terminal da Asa Sul ao Aeroporto Internacional de Brasília. O sistema deverá operar com 39 trens, cada um com capacidade estimada entre 400 e 560 passageiros.

Projeção de 2020 mostra como pode ficar projeto (GDF)

O trecho principal pela W3 terá cerca de 16 km de extensão, com 24 estações distribuídas ao longo do corredor. Já o segmento entre o Terminal da Asa Sul e o aeroporto terá aproximadamente 6 km, com quatro estações. A substituição do fluxo intenso de ônibus pelo VLT também implica mudanças no desenho das paradas e na organização dos pontos de embarque ao longo da avenida.

Além do projeto da W3, o governo do Distrito Federal autorizou estudos para a implantação de um VLT ligando Ceilândia e Taguatinga, com traçado previsto pela Avenida Hélio Prates e conexão direta com o metrô. O estudo técnico foi contratado em janeiro de 2026 e integra um conjunto de propostas de ampliação do transporte sobre trilhos fora do Plano Piloto.