A “quase estação” da Linha 20-Rosa na Avenida Faria Lima

Metrô decidiu desviar trajeto do ramal do eixo mais tradicional da via, mas uma saída de emergência prevista no projeto ficará a menos de 150 metros da Faria Lima

A localização aproximada do VSE9, em região onde antes havia a estação "Jardim Europa"
A localização aproximada do VSE9, em região onde antes havia a estação "Jardim Europa" (GoogleEarth)

A Linha 20-Rosa já é comentada na mídia há pelo menos 12 anos, mas certamente tem sido estudada pelo Metrô antes disso.

Seu objetivo principal é ser uma ligação perimetral entre vários ramais metroferroviários utilizando como base de traçado um contorno da região sul da capital, passando por Moema, Itaim, Vila Olímpia e o eixo da Avenida Faria Lima.

Os extremos do ramal partiam de um lado da Lapa e de outro, de São Bernardo do Campo, onde faria conexão com a Linha 18-Bronze de monotrilho.

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O tempo passou e os estudos realizados pelo Metrô, além de mudanças de gestão e projetos, fizeram a Linha 20 ir um pouco além, chegando agora à estação Santa Marina (conexão com a Linha 6-Laranja) e à estação Santo André (Linha 10-Turquesa).

Trajeto distante do trecho original da Faria Lima

Mas a alteração mais surpreendente ocorreu em seu miolo, quando a companhia estadual decidiu desviar a linha do eixo mais antigo da Faria Lima.

Em vez de cortar toda a via, como faz a Linha 2-Verde na Avenida Paulista, a Linha 20 atenderá parcialmente esse eixo, com as estações Tabapuã e Jesuíno Cardoso, ambas na ponta sul da Faria Lima.

O local do poço VSE9 fica quase equidistante de outras estações existentes e futuras na região
O local do poço VSE9 fica quase equidistante de outras estações existentes e futuras na região (clique para ampliar)

A antiga conexão com a Linha 4-Amarela na estação Faria Lima passou a ser feita em Fradique Coutinho, deixando um longo trecho da avenida distante do ramal.

Nas audiências públicas realizadas pelo Metrô no começo do ano, a companhia justificou a mudança em virtude da falta de demanda na região, que é de alto poder aquisitivo.

Em vez de usar o eixo da Faria Lima, como seria a opção original, o túnel da Linha 20 passará pelo subsolo do Jardim Europa, precisando para isso de dois poços de ventilação e emergência no meio do bairro.

Mapa futuro do Metrô
A Linha 20-Rosa em traçado anterior às mudanças feitas pelo Metrô: ramal cortaria a Avenida Faria Lima em quase toda sua extensão (CMSP)

O poço que poderia ser uma estação?

Chamado provisoriamente de VSE9, um dos poços em questão ficará a menos de 150 metros da Avenida Faria Lima, nas proximidades de onde antes eram previstas as estações Jardim Europa e Jardim América.

Se fosse uma estação, o local facilitaria a vida dos passageiros, que não teriam que andar cerca de mil metros para chegar uma estação na região.

Como mostra a ilustração, a ausência de uma estação no coração da avenida mostra que vários edifícios e mesmo o Shopping Iguatemi continuarão “ilhados” da mobilidade sobre trilhos.

Se o local fosse convertido em mais um ponto de embarque e desembarque, haveria um equilíbrio natural em um raio de 1.100 metros onde se situam na borda as estações Hebraica Rebouças, Faria Lima, Fradique Coutinho, Tabapuã e Cidade Jardim.

A demanda das estações da Linha 20-Rosa (CMSP)
A demanda das estações da Linha 20-Rosa: Teodoro Sampaio e Indianápolis com baixa atração, mas mantidas no projeto (CMSP)

O argumento do Metrô é de fato válido e este site não pode contestar especialistas no assunto, mas não custa perguntar por que outras regiões com demandas baixas terão direito a uma estação da Linha 20-Rosa.

Segundo o estudo de demanda da companhia, as futuras estações Indianópolis e Teodoro Sampaio deverão atrair um público diário de 11.900 e 9.500 passageiros num cenário de 2040.

Significa um movimento quatro a cinco vezes menor do que Tabapuã, estação que ficará a cerca de 1 km do poço VSE9.

Nunca é tarde demais para lembrar que o Metrô é indutor de desenvolvimento e transformação urbana. Ou seja, se essa região não faz jus a uma estação hoje, nada impede que a ocupação do solo mude no futuro.

Cidades são organismos mutantes e São Paulo é prova cabal disso, afinal quem imaginaria que hoje sua mais famosa avenida, a Paulista, era um lugar residencial há um século?