AeroGRU propõe implantar People Mover de Guarulhos em fases

Custo de implantação do projeto, no entanto, aumentou para quase R$ 289 milhões e pode subir mais em hipótese estudada pela GRU para que sistema atenda um futuro Terminal 4 no aeroporto
O Aeromovel, People Mover oferecido pelo consórcio AeroGRU

Apesar do otimismo demonstrado pelo governo do estado de São Paulo, o projeto do People Mover que ligará o Aeroporto de Guarulhos à Linha 13-Jade da CPTM permanece indefinido, dois anos após o anúncio realizado pelo governador João Doria.

Em 28 de maio de 2019, o mandatário tucano afirmou que o sistema seria inaugurado em maio de 2021 a um custo estimado em R$ 175 milhões. No entanto, sua implantação tem se mostrado muito mais complexa do que fez parecer o governo do estado, o qual é praticamente um espectador nas discussões.

O site teve acesso a novos documentos que envolvem a discussão entre o governo federal, a concessionária do Aeroporto de Guarulhos (GRU Airport) e o AeroGRU, consórcio que apresentou a proposta mais barata.

Como mostrado anteriormente aqui, o sistema proposto pela AeroGRU, o Aeromovel, foi visto com desconfiança pela GRU Airport, que não quer assumir o risco de problemas em sua implantação e operação – a concessionária, em vez disso, prefere a proposta do GRUConnecta, um sistema por cabos cuja proposta é bem mais cara, de R$ 442 milhões em valores de 2019.

Diante disso, a AeroGRU apresentou uma terceira proposta em fevereiro em que sugere que o People Mover seja implantado em fases. Com isso, a concessionária teria menos risco diante do valor do seguro mais baixo pleiteado por ela para aceitar a proposta.

Proposta de faseamento do People Mover

No entanto, a nova proposta, de R$ 289 milhões, é quase R$ 30 milhões mais alta que a atualização da primeira proposta, feita no final do ano passado. Para o governo, não há ainda justificativa para aumento desses custos e mais grave: da forma como foi dividida, a implantação em fase não atenderia o principal objetivo, que é ligar os terminais 2 e 3 à estação da CPTM, onde está o grande fluxo de passageiros.

Para a ANAC, a agência de aviação civil, essa proposta é inviável: “A primeira etapa a ser concluída corresponde à interligação entre a Estação CPTM ao Terminal 1 do Aeroporto de Guarulhos. Ocorre que este terminal se encontra atualmente fechado (em decorrência dos efeitos da pandemia) e há possibilidades de que não volte a operar no médio prazo”.

A nota técnica da agência diz ainda que “é primordial a ligação ao TPS2. Dessa maneira, uma eventual paralisação do projeto apenas no TPS1, sem continuidade ao TPS2, manteria a necessidade de nova conexão para a maior parte dos usuários do aeroporto (atualmente, a integralidade dos usuários, já que o TPS1 se encontra fechado)”.

“Assim, a proposta de faseamento do projeto, sob a perspectiva técnica do acompanhamento da infraestrutura e capacidade de processamento, não se mostra a mais adequada, tendo em vista a possibilidade, ainda que excepcional, de dispêndio de recursos com investimento pouco funcional, como por exemplo na hipótese de retirada do investimento do contrato de concessão, em virtude de inviabilidade do seu prosseguimento, após a entrega apenas do primeiro trecho”, conclui a ANAC.

Propostas da AeroGRUValor (apenas construção)
Dezembro de 2019R$ 225.240.505,00
Dezembro de 2020R$ 258.455.240,11
Fevereiro de 2021 (faseamento)R$ 288.932.152,33
A evolução do valor das propostas para construção do People Mover (ANAC)

Prazo de implantação maior

Além de postergar o funcionamento pleno do People Mover, a hipótese de faseamento do projeto também fará o prazo de implantação ser ampliado. Segundo o governo, ele é de 24 meses originalmente, mas na nova concepção, chegaria a 27 meses.

Ou seja, numa hipotética assinatura do aditivo em julho, o People Mover ficaria pronto apenas no final de 2023, aproximadamente. Além disso, os custos totais do projeto têm se mostrado bastante mais amplos já que não envolvem apenas sua implantação, mas também a operação e outros serviços agregados para viabilizá-lo.

A GRU Airport, por exemplo, pleiteou R$ 4,86 milhões para cobrir custos de fiscalização, aprovação dos projetos e de seguro garantia, entre outros. A concessionária também solicitou que os repasses federais sejam feitos mensalmente e há também uma discussão a respeito do pagamento de impostos do projeto.

A divisão das fases do People Mover

A ANAC, no entanto, observou que a concessionária terá redução de custos ao desativar o serviço de ônibus bem como poderá explorar comercialmente o People Mover, com publicidade, por exemplo.

Ao todo, o projeto do People Mover pode custar quase R$ 636 milhões, entre o investimento na construção e sua operação num prazo de pouco mais de 11 anos, diz o documento técnico da ANAC, citando números fornecidos pela GRU Airport.

Futuro Terminal 4 do aeroporto

O documento da agência de aviação civil traz ainda uma nova informação a respeito dos planos da GRU Airport de construir o Terminal 4 do aeroporto. Trata-se de alteração do plano original, que se limitava apenas a expandir o Terminal 3 com uma nova área de processamento e um segundo píer com pontes de embarque e que seria acessado por um túnel.

Linha de people mover terá 2,6 km de extensão e intervalo de seis minutos (AeroGRU)

No entanto, a concessionária parece sugerir o desmembramento desse projeto em favor de um quarto terminal independente. Para isso, ela solicitou à AeroGRU uma proposta alternativa que altere o traçado do People Mover de forma a permitir sua extensão até o hipotético Terminal 4.

O consórcio então considerou um valor adicional de R$ 10,5 milhões para alterar a posição da estação do Terminal 3, que no projeto original está localizada numa área bloqueada pelo edifício-garagem. Nota-se que esse custo extra não envolve uma futura extensão do sistema, mas sim prepará-lo para essa possível necessidade.

“Enfatizamos que a possibilidade de expansão futura seria adequada e interessante, pois o sistema já nasceria em total conformidade com o Plano Diretor do Aeroporto,” explicou a ANAC no documento enviado ao TCU, que analisa o caso.

Apesar de diversos aspectos continuarem sem consenso, a agência propôs uma terceira versão do aditivo para ser analisado pelas partes envolvidas e considerou que o assunto merece urgência para ser resolvido o quanto antes, mas não estipulou um prazo para que isso ocorra.

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  1. O governo de SP iria estender a linha Jade até dentro do aeroporto. A concessionária não permitiu, pois iria construir um “shopping”. O presidente petista na época não se manifestou e o resultado está aí, uma confusão completa!

    1. Assessoria do PSDB se esquecendo de explicar por que é que o picolé de chuchu dele insistiu em fazer a linha toda meia-boca mesmo sabendo do empecilho da concessão. Engraçado que vcs adoram uma concessão/privatização, aí quando fazem, reclamam mesmo assim.

      1. A assessoria do Levy Fidelix se esquecendo de dizer que a quadrilha petista boicotou todas as obras de mobilidade que pode no estado. Mesmo assim, com concessões, o governo paulista continuou as obras. Final da história: um presidente na cadeia, uma presidAnta deposta e o governo paulista continuando a ampliar a malha metroferroviária de São Paulo. Só rindo…

    2. “Presidente Petista”. Sua visão monoglobo, lhe permite olhar um só responsável né?

      Se lhe dessem duas tartarugas pra cuidar, você certamente deixaria uma fugir (a do PSDB claro).

    3. o grande erro do governo dilma foi justamente conceder o aeroporto. nao havia necessidade nenhuma.

      a infraero era uma empresa superavitaria. o lucro dos aeroportos superavitarios superava o prejuizo dos aeroportos deficitarios.

      se o problema é investimento, modernizaçao e falta de estrutura, nada q um emprestimo do BNDES nao resolva.

      hoje a infraero é uma empresa deficitaria q depende de aportes do governo federal.

      o dinheiro das outorgas ninguem sabe, ninguem viu. verba das ourtorgas e dos investimentos por parte das concessionarias financiados pelos BNDES.

      o lucro das concessionarias em media após 4-6 meses de inicio do contrato.

      concessao sao contratos de avó para neto. mamata da melhor qualidade. nao atoa que o tal do mercado tem orgasmos multiplos quando ouve falar em concessao, privatizaçao, PPP, etc. com a justificativa de trazer melhor investimentos, melhor gestao, blablabla, dinheiro publico e desenvolvimento é jogado pela janela. mas o brasileiro de maos abanando e barriga vazia sempre aplaude o sucesso de quem já está com o bolso cheio a barriga estufada. e assim segue a carruagem …

  2. seria tao simples…mas 2km de cptm a partir da atual estacao terminal,,, em volta dos estacionamentos do lado externo..Só que facilitar nao é a dos politicos né ?

    1. É impossível ampliar a Linha da Cptm para dentro do aeroporto, por conta do projeto geométrico da linha. Para a linha da Cptm entrar no aeroporto, só demolindo 1 km de vias e a atual estação Aeroporto Guarulhos.

      O ideal é a linha 13 seguir para Bonsucesso como prevê o projeto original e um people mover atender ao aeroporto. Em caso de problemas no aeroporto (falhas técnicas, assaltos, terrorismo,etc), somente o people mover seria fechado pela concessionária, enquanto que se a Linha 13 entrasse no aeroporto, ela inteira poderia ser interditada em caso de problemas no aeroporto (falhas técnicas, assaltos, terrorismo,etc).

  3. É simplesmente idiota esses projetos. Não são necessárias esses novos transportes para o aeroporto. Já chega! Eles tem que ver mais para os trabalhadores e cidadão do Guarulhos! Mal temos transportes eficientes para trabalhadores aqui, apesar de termos quantidade de busão como estrelas. É sim, sempre assim, eles não dão bola para construir metro aqui em guarulhos. A linha que deve estar construindo no guarulhos (celestial?)demora tanto que já perdeu a graça de falar a incapacidade de planejamento para construir a cidade. Sem o Plano Diretor alguma na cidade. Não tem nada para desenvolver, quem é responsável para a criação de cidade está sendo as indústrias de construção feias. Sem planos. Cada construtora monta seu prédio sem pensar na cidade, apenas por lucro, tendo a cidade cada vez mais feia. E mesmo assim, a intenção da Vossa excelência é criar um outro transporte para aeroporto de Guarulhos além do metrô que não teve sucesso. Parabéns por seus trabalhos, para não entender errado, isso foi um humor irônico.

  4. Esse garrancho que foi criado, é graças a cultura da privatização e concessão criada pelo governo de SP. Quando esse aeroporto era gerenciado pela Infraero, já tinha espaço reservado para receber a estação de trem, ao lado dos terminais.

    Essa GRU Airport é uma das piores concessionárias do Brasil! É lerda em projetos de infraestrutura, de fiscalização, e questões sanitárias, não presta nem pra medir a temperatura de passageiros vindos do exterior, faz questão de mostrar que a porta de entrada do Brasil é escancarada como a casa da mãe Joana.

  5. engraçado como funcionam as coisas.

    para ligar uma cidade super populosa como SBC até a capital, optou-se por um corredor de onibus ao inves de um monotrilho.

    para ligar o aeroporto a uma estaçao de trem que fica do outro lado da rodovia, querem um aerotrem, sendo que bastava melhorar os onibus circulares do aeroporto que já estaria bom demais. apesar de ser um projeto a nivel federal, nao dá para entender essa insitencia do governo estadual nesse aerotrem.

    tem um onibus q sai da praça da republica q vai pro aeroporto. tem um onibus q sai do tatuape. mas nao pode ter onibus q sai da estaçao mais proxima q fica do outro lado da rodovia, tem q colocar esse aerotrem.

    é estranho como algumas coisas funcionam em nosso país e nosso estado …

    1. Por mim para SBC poderia ser o trem e para o aeroporto de Guarulhos um monotrilho, poderia ser até mais fácil para chegar aos terminais do aeroporto. Os ônibus são sujeitos a congestionamentos, são poluentes e tem baixa capacidade, esse ônibus do Tatuapé entupia de gente antes do trem.

      1. os onibus que saem da estaçao aeroporto nao pegam transito. e se pegar em algum horario especifico, faça uma faixa especial ou algo que deixe mais rapido. o problema do onibus é que o intervalo é demorado e dá muita volta. se melhorar essa questao do onibus, se fazer um projeto bem elaborado , dá conta da demanda do aeroporto. a media de usuarios do aeroporto antes da pandemia era 120 mil por dia, nao é tudo isso de gente que vai usar o trem, e mesmo que usasse, 120 mil é uma demanda que pode ser atendida por onibus, ainda mais num trecho tao curto.

    2. Tem também o corredor EMTU que sai da Vila Galvão e vai até o aeroporto. Embora o corredor deve ser estendido até Tucuruvi na Linha 1. Era mais que suficiente.

  6. Senhores,boa tarde,

    Eu gostria de fazer este meu comentario chegar ao Gov.Joao Doria.

    Quanata incompetencia na gestao de datas p;anos, como isto pode ser possivel de alguem que vem da iniciativa privada, como disse ele ser gestor, ele aplicou isto nas empresas dele? Se sim, nao poderia ter saido dela milhorario, pois nem um plano dele poderia ter chegado ao fim, estariam ainda em fase de estudos..

    Quntas datas, quanas musanxcas, e acoes que e bom, nada.

    Cade o Trem InterCity?
    Cade a finalizacao do Rodo Anel, Oeste?
    Cade a entrega desta comedia da Interligacao do Trem aos Terminais, 1, 2 e 3?
    Cade a continuacao da limpeza do Rio Tiete? So o Pinheiros basta?
    Cade a enficiencia da sua gestao?
    Cade as efetivacaoes das PPP? O que o Sr. fez foi cancelar as ja inicidas com contratos assinados, Linha 18, poralgosem pe, ne cabeca..

    Gostaria de receber as repostas.

  7. A quadrilha petista não foi capaz de executar nenhuma obra de mobilidade no país inteiro em quase quatro mandatos no governo federal, mesmo com toda a arrecadação nas mãos. Em relação à São Paulo, retirou o suporte financeiro para a expansão da CPTM para Varginha, retirou a verba prometida para a linha bronze, e nem ligou quando o Gru Airport impediu construção da estação da CPTM dentro do aeroporto para fazer um shopping, que nunca saiu do papel. Os paulistas sabem disso e hoje esta porcaria de partido não ganha nem uma eleição para APM em São Paulo. Enquanto isto, São Paulo continuou ampliando sua malha metroferroviária, mesmo sem verba federal. O resto é chororô das viúvas do lula…

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