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Monotrilho será a solução de ligação entre a Linha 13 e o Aeroporto de Guarulhos, anuncia governo

Trem com capacidade para 2.000 passageiros por hora terá quatro estações, será inaugurado em maio de 2021 e bancado pelo governo federal
Projeto de estação do People Mover do aeroporto de Guarulhos (ARUP)

Após cinco meses de estudos, discussões e propostas variadas, o governo do estado de São Paulo anunciou nesta terça-feira (28) que um monotrilho fará a ligação entre a estação da Linha 13-Jade e os três terminais de passageiros do Aeroporto de Guarulhos – na verdade o chamado “people mover”, que pode ser um modal semelhante. O projeto será tocado pela concessionária GRU Airport, mas bancado pelo governo federal que abrirá mão de cerca de R$ 175 milhões da outorga anual de R$ 1 bilhão devida pela empresa que administra o maior terminal aéreo do país.

Trata-se na prática da mesma solução apresentada pela GRU na época em que assumiu o aeroporto e proibiu o governo do estado de levar a Linha 13 da CPTM até próxima ao atual terminal 2. Mas naquela época, o projeto seria bancado por ela que prometeu entregá-lo um dia antes da inauguração do ramal da CPTM – aberto em abril de 2018.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, confirmou que a ordem de serviço para início das obras será feito em setembro com previsão de entrega em maio de 2021. A linha de monotrilho com condução automática e capacidade para 2.000 passageiros/hora por sentido, terá quatro estações – no acesso da estação e nos três terminais do aeroporto – e cerca de 2,6 km de extensão. Serão duas composições que percorrerão o trajeto de 6 minutos entre o Terminal 3, o mais distante, e a estação Aeroporto Guarulhos.

As características do “monotrilho” do aeroporto

O governdador João Doria estimou que a viagem de trem da avenida Paulista até o Aeroporto de Guarulhos levará cerca de 52 minutos e da estação da Luz até o terminal em 40 minutos. Até 2021, a CPTM pretende modernizar as vias da Linha 12-Safira para permitir que mais trens cheguem direto até a região do centro, evitando a baldeação em Engenheiro Goulart.

Do bolso do Fundo Nacional de Aviação Civil

Questionado sobre a origem dos recursos para tocar a obra, o ministro Freitas revelou que o governo federal bancará o investimento. Como a GRU tem de pagar anualmente uma salgada outorga pela concessão de cerca de R$ 1 bilhão, o governo Bolsonaro considerou válido abater o valor do Fundo Nacional de Aviação Civil que hoje é usado em reformas e modernização de aeroportos menores pelo país.

O traçado é o mesmo do projeto original da GRU Airport

De fato, a GRU Airport não demonstrava interesse e nem condições de cumprir com o prometido já que tem atrasado o pagamento da outorga. Gustavo Figueiredo, presidente da concessionária, admitiu que o “people mover”  não era obrigação contratual e por isso não foi tocado à frente. Desta vez, no entanto, o executivo ressaltou os benefícios da ligação férrea com o aeroporto.

Figueiredo, no entanto, revelou que ainda estão sendo feitos os estudos sobre qual será o tipo de transporte a ser implantado no aeroporto. Para isso diz contar com a ajuda não só da CPTM como também do MetrôRio, que faz parte da Invepar, uma das sócias da GRU, e também de uma consultoria especializada.

Interior de people mover asiático mostrado pela CPTM em apresentação

Linha 13-Jade fora do aeroporto

Ao contrário do que mostrava uma apresentação da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, a Linha 13-Jade não deverá ter sua extensão até Bonsucesso alterada para chegar mais próxima do aeroporto. O vice-governador Rodrigo Garcia, no entanto, afirmou que o projeto é de médio prazo e que ainda é cedo para vê-lo sair do papel.

Estação Aeroporto Guarulhos | Foto: Gustavo Bonfate

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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