Alstom reclama de concorrência injusta de chineses em trens de passageiros
Fabricante francesa, presente no Brasil há sete décadas, vê desafios na disputa com empresas chinesas enquanto setor projeta expansão regional
A Alstom considera injusta a competição com fabricantes chineses no setor ferroviário brasileiro, em meio a um mercado latino-americano estimado em US$ 2 bilhões ao ano. Em declarações à Exame durante a COP30, Bernard Peille, diretor da Alstom na região, afirmou que a empresa francesa não disputa contratos com as mesmas regras.
Sem citar nominalmente a CRRC, fabricante chinesa que tem somado novos contratos no país, o executivo considerou que esses acordos foram concorrência desleal.
Presente no país há 70 anos, a Alstom tem hoje sua produção concentrada na unidade de Taubaté, no interior de São Paulo. De lá saíram 36 trens da Série 8900 e agora são fabricados 22 unidades do trem Metropolis para a Linha 6-Laranja. Porém, a empresa saiu derrotada em outras concorrências.
Bernard Peille, diretor geral da Alstom (Alstom)
A maior delas foi a disputa pela produção de 44 trens da Frota R para o Metrô de São Paulo, uma encomenda de mais de R$ 4 bilhões em que a Alstom ficou pouco atrás da CRRC. As composições serão feitas na China mas concluídas numa unidade de apoio que a empresa chinesa está montando em Araraquara.
A CRRC também será responsável por fornecer trens para a TIC Trens, porém, ela é sócia na concessionária, junto ao Grupo Comporte. A maior surpresa até aqui, entretanto, veio da disputa por seis novas composições para a Linha 4-Amarela, em que a CRRC bateu a Hyundai Rotem, que forneceu todos os trens do ramal até aqui.
Os diversos pedidos que surgirão nos próximos anos, incluindo unidades para a expansão das linhas 5-Lilás, 6-Laranja e 10-Turquesa, além dos trens regionais para Sorocaba, São José dos Campos e Santos, teriam feito a direção da Alstom pressionar o governo Tarcísio de Freitas a incluir algum tipo de cláusula de conteúdo local.
Executivo da CRRC junto do presidente do Metrô, Julio Castiglioni (CMSP)
Segundo o jornal Valor, a empresa teria afirmado que sua permanência no Brasil está em xeque se continuar a disputar esses leilões com grupos asiáticos que produzem seus trens fora do país.
Como mais um argumento, Peille cita que a fábrica de Taubaté não é apenas destinada ao mercado doméstico. De lá saem trens para o Chile, Taiwan e Europa, que apoiam cerca de 200 fornecedores locais.
A pressão talvez surta efeito já que a CRRC afirmou em recentes declarações que pretende expandir sua atuação no Brasil em busca de mais encomendas.
Fábrica da Alstom em Taubaté (Divulgação)
