Ao menos seis grupos podem participar da licitação de obras da Linha 19-Celeste

Empresas estrangeiras como Acciona e PowerChina assim como antigas envolvidas com a Lava Jato, como a Mendes Junior e a Andrade Gutierrez, são cotadas para leilões do Metrô

Linha 19-Celeste deve ser disputada por vários grupos
Linha 19-Celeste deve ser disputada por vários grupos (Montagem com uso de IA)

Os leilões de obras civis da Linha 19-Celeste do Metrô, que ligará Guarulhos ao centro da capital paulista, devem ser amplamente disputados por grupos nacionais e estrangeiros. É o que apurou o jornal Valor Econômico, citando fontes.

Os pregões eletrônicos estão marcados para os dias 22, 23 e 24 de julho, com um lote por dia.

Segundo a publicação, ao menos seis grupos estão analisando a licitação, de 15 que participaram das visitas técnicas promovidas pela companhia estadual.

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A reportagem cita como prováveis concorrentes os consórcios Acciona e Construcap, a Mendes Junior com a PowerChina, a Sacyr em parceria com a Engibras, além da Andrade Gutierrez, a Álya (antiga Queiroz Galvão) e a OHLA.

Acciona deve disputar contratos da Linha 19 (Acciona)

Acciona, Sacyr e OHLA são espanholas e as duas primeiras têm atuado em várias obras no país. A PowerChina passou a ser sócia da Mendes Junior nos contratos da expansão da Linha 2-Verde até Guarulhos.

A Álya está envolvida sobretudo nas obras da Linha 15-Prata de monotrilho enquanto a Andrade Gutierrez marcaria um retorno às licitações do Metrô após problemas ligados a contratos rescindidos e suspeitas de conluio nas obras da Linha 5-Lilás.

Os nomes citados pelo Valor, aliás, incluem várias empresas que foram afetadas pela operação Lava Jato. Como o edital exige experiência com operação de tuneladoras, esses grupos naturalmente tornaram-se candidatos.

Três tatuzões e custo acima de R$ 20 bilhões

O artigo do jornal estimou a implantação da Linha 19-Celeste em ao menos R$ 20 bilhões, mas esse valor deve ser maior, na opinião deste site.

Serão cerca de 17 km de vias e 15 estações entre o centro de Guarulhos e o Anhangabaú, em São Paulo. Ou seja, uma extensão um pouco maior que a da Linha 6-Laranja, cujo preço já é estimado em R$ 19 bilhões.

Tatuzão do tipo Slurry (CREG)

O ramal construído pela Linha Uni, no entanto, é uma Parceria Público-Privada, cujo retorno financeiro deverá vir da operação e de serviços associados. Já a Linha 19 será contratada pelo Metrô com grupos que já incluirão a margem de lucro em suas propostas.

Construção “estatal”, operação privada

O Metrô decidiu realizar pela primeira vez uma licitação dividida em três grandes lotes, cada um contendo um tatuzão. A estratégia visa acelerar as obras já que eles poderão avançar simultaneamente – na Linha 2, a companhia preferiu utilizar uma tuneladora em dois trechos diferentes.

Divisão de lotes da Linha 19-Celeste (Jean Carlos)
Divisão de lotes da Linha 19-Celeste (Jean Carlos)

Mas por exigir experiência com esse tipo de equipamento, o Metrô condicionou as concorrentes a encontrarem um parceiro que já atuou nesse tipo de atividade.

A expectativa é que os contratos sejam assinados ainda em 2025 e que desapropriações e projeto executivo avancem até o começo do segundo semestre, quando haveria a mobilização dos canteiros de obras.

Cotada para participar do leilão da Linha 19, Andrade Gutierrez esteve em consórcio que foi afastado da Linha 17 (GESP)

Se não houve imprevistos, a Linha 19-Celeste será entregue em 2031, mas essa hipótese é bem pouco provável. Com contratos de valor elevado em jogo, uma possível disputa jurídica não está afastada.

A complexidade do edital e as fontes de financiamentos também pode atrasar o cronograma e limitar a concorrência, segundo ouviu o jornal.

A despeito de ser responsabilidade do Metrô de São Paulo, a Linha 19-Celeste deve ter a operação e manutenção leiloada para a iniciativa privada no futuro, nos moldes da Linha 4-Amarela.

Estudos, no entanto, podem associá-la a algum outro ramal em operação pelo Metrô.

15 Comentários
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Luis Siqueira
Luis Siqueira
11 meses atrás

Tomara que não aconteça uma disputa judicial entre as empresas, a CMSP não tem uma forma de evitar isso?

Marco
Marco
11 meses atrás

Não existe obra desse tamanho entregue em anos ímpares. Sempre serão anos de eleição e se possível, de governador e presidente.

2032, no mínimo.

Webmaster
Webmaster
11 meses atrás
Responder para  Marco

Vamos ver se a regra se mantém pro segundo trecho da linha 6 (prometido para 2027).
Independente do movimento político, o importante é entregar. Espero que os tempos de obras paradas e promessas mirabolantes (trem bala, VLT que virou BRT) não voltem nunca mais…

Marco
Marco
11 meses atrás
Responder para  Webmaster

Como a L6 já está privada, então é pouco provável atrasar de propósito, mas aparentemente a L19 só será privatizada após estar pronta, então é uma obra “pública”.

Além disso, o primeiro trecho da L6 está agendado para não mais nem menos que outubro de 2026.

Marco
Marco
11 meses atrás

Já deviam exigir que a futura concessionária construa no mínimo o trecho até o Jardim Paulista, passando por Bela Vista e Brigadeiro.

As outras duas expansões futuras, para Guarulhos Cecap e Cidade Jardim, infelizmente ficarão em segundo plano.

Ivo
Ivo
11 meses atrás
Responder para  Marco

O projeto já está em R$ 20 bilhões e você deseja encarecer ainda mais?
Nenhuma linha do metrô de São Paulo foi construída de uma vez só.

Marco
Marco
11 meses atrás
Responder para  Ivo

Sim, desejo. Entre Anhangabaú e Bosque Maia o problema de Guarulhos será resolvido as custas do usuário atual de São Paulo.

É preciso estar com suas 26 estações totais o mais rápido possível.

Victor M
Victor M
11 meses atrás
Responder para  Marco

Exatamente!
Sobrecarregando e saturando a L2!

Mas não só por Guarulhos, mas também por conta da integração em Gabriela Mistral (L12+L13).

A demanda, já bem elevada, seria ainda “gerenciável” se a L2 fosse “somente” até Penha, e cumpriria seu papel de desafogar as linhas que realmente estão sobrecarregadas (L3+L11).

Victor M
Victor M
11 meses atrás
Responder para  Ivo

Ué… a L6 não está sendo construída de uma só vez?!
O que virá depois de Brasilândia a São Joaquim surgiu bem depois do projeto original da linha.

Então são 3 km de Anhangabaú à Av. Paulista (extensão essencial que deveria ser prioridade nesta 1ª fase) que vai engavetar o projeto?

Mas tem dinheiro para fazer obras de 2 linhas de metrô, ao mesmo tempo, em Guarulhos?!

Ah tá…

Há uma década, a L19 já era cogitada para ligar, numa 1ª fase, Guarulhos até a Av. Paulista (Brigadeiro), até mesmo para não sobrecarregar ainda mais a L2.

Com metade do que vão gastar na L2 entre Penha e Dutra daria para levar a L19 de Anhangabaú até a Estação Brigadeiro pelo menos!

E ainda, de quebra, evitaria saturar a L2.
E também não saturaria a L19, mesmo sem a L2 em Guarulhos.

É o que sempre digo:
prioridades invertidas!

Última edição 11 meses atrás por Victor M
Ivo
Ivo
11 meses atrás
Responder para  Victor M

A Linha 6 está sendo construída em fases, igual as outras linhas do metrô.
Quando o seu projeto foi apresentado, era Bandeirantes-Cidade Líder, com o trecho prioritário Brasilândia – São Joaquim. Depois de tanto tempo o projeto até mudou.

Ampliar a Linha 19 só depois da implantação do trecho prioritário Guarulhos-Anhangabaú. Quem sabe até lá o projeto não muda? Foi assim com a Linha 3 que era Lapa-Poa e virou Barra Funda-Itaquera, por exemplo.

Victor M
Victor M
10 meses atrás
Responder para  Ivo

A L19 inteira (projeto) não é só Guarulhos—Brigadeiro, mas seu trecho prioritário deveria ser sim, e não jogar toda a sua demanda nas estações do centro de São Paulo, ainda mais em tempos em que se brada tanto por redução de transferências no centro (daí a expansão da L2), mesmo que isto implique lotar estações não centrais com bem menos estrutura para tal (ex.: Tamanduateí), já que nenhuma delas chega aos pés da Sé.

Isso também seria construir em fases, sendo a 1ª fase de Guarulhos a Brigadeiro.
E a 2ª fase, a sul de Brigadeiro.
Não é preciso terminar uma obra para só depois iniciar outra (isto só faria postergar ainda mais o investimento de algo que já deveria estar aí operando e servindo a população).
Aliás, 3 tuneladoras para 17 km só?!
Vamos logo fazer pelo menos uns 20 km aí para justificar a encomenda de 3 shields.

Então, pelo que você disse, é um erro já expandir a L2 para Guarulhos antes mesmo de terminar e operar na Penha (para antes ver como vai se comportar a demanda).

Sem contar com o agravante de chegar a L2 antes da L19 a Guarulhos (ainda que a L19 não seja tão essencial, neste caso, para a L2 especificamente, pois indo só até Anhangabaú, e não Brigadeiro, a 19–Celeste vai ajudar em quase nada a 2–Verde).

Última edição 10 meses atrás por Victor M
Webmaster
Webmaster
11 meses atrás

Se for a Acciona, pode esperar que vão dar aula nesse projeto, ainda mais com 3 tuneladoras.

Ivo
Ivo
11 meses atrás
Responder para  Webmaster

Igual a aula de acertar a tubulação da Sabesp?
Ou igual a aula de construir a estação 14 Bis sem concluir as prospecções arqueológicas e ter que parar tudo?
Ou igual ao VSE Almirante Marques, atrasado por ser projetado sobre uma suposta nascente de rio?

Sua empolgação com a Acciona não corresponde com a realidade, onde a empresa tem o mesmo desempenho das construtoras nacionais na construção do metrô.

Fábio Marcello
Fábio Marcello
11 meses atrás

“Três tatuzões e custo acima de R$ 20 bilhões” e na linha de baixo cita R$ 20 milhões.

julia
julia
10 meses atrás

Achei as estações em Guarulhos bem racionais nada de fundura ir ao centro da terra.A estação guarulhos centro será um polo de atração de pessoas no município portanto deveria possuir um terminal municipal de ônibus junto.