Após três anos de trabalhos, Metrô conclui escavação de novo túnel entre as linhas 2-Verde e 4-Amarela
Escavação da nova passagem entre as estações Consolação e Paulista foi concluída, mas obra ainda está 78% executada e terá uma série de serviços antes da abertura aos passageiros
Três anos depois de ocupar parte da Avenida Paulista e da Praça do Ciclista para iniciar as obras, o Metrô de São Paulo concluiu a abertura do novo túnel que ligará as estações Consolação, da Linha 2-Verde, e Paulista, da Linha 4-Amarela.
A escavação dos 81,75 metros da nova passagem foi finalizada neste mês de agosto, encerrando a etapa mais complexa de um projeto concebido para desafogar uma das transferências mais movimentadas da rede metroviária.
O período de três anos tem como referência julho de 2023, quando começaram as intervenções na região para implantação do canteiro. No dia 27 daquele mês, o retorno da Avenida Paulista junto à Praça do Ciclista foi interditado e a área passou a ser isolada para os trabalhos.
Naquele momento, porém, as máquinas ainda não estavam escavando o túnel. A etapa inicial envolveu a preparação do canteiro e o remanejamento de interferências existentes no local. O contrato para execução da obra havia sido assinado anteriormente, em novembro de 2022, com o Consórcio Conexão Paulista/Consolação CTS.
Poço de ataque do túnel (CMSP)
O avanço subterrâneo começou pela construção de um poço de acesso com 31,5 metros de profundidade na Praça do Ciclista. Somente depois dessa estrutura e dos trabalhos preparatórios foi possível atacar horizontalmente o novo túnel em direção às instalações existentes.
A conclusão das escavações, portanto, é um marco importante, mas não significa que a nova transferência esteja prestes a ser liberada aos passageiros. Segundo o Metrô, o empreendimento atingiu 78% de execução, considerando obras civis, projetos e sistemas.
Ainda faltam impermeabilização, revestimento secundário, laje e enchimento do piso, instalações elétricas e hidráulicas, ventilação e acabamentos. O revestimento secundário do túnel e do poço, por exemplo, está atualmente com 31% de execução.
Os sistemas serão instalados paralelamente às etapas finais das obras civis. Depois disso, ainda haverá a recomposição das áreas externas ocupadas pelo canteiro, incluindo o sistema viário e o paisagismo da Avenida Paulista e da Praça do Ciclista.
Novo túnel de ligação entre Paulista e Consolação tem escavação concluída (CMSP)
Obra enfrentou atrasos
O novo túnel levou anos para chegar à fase de construção. A primeira concorrência para executar a passagem foi aberta no final de 2020, mas terminou sem vencedor em 2021 depois que os dois grupos participantes não conseguiram avançar no processo.
O Metrô lançou uma segunda licitação em março de 2022 e o contrato acabou assinado em novembro daquele ano com prazo original de 36 meses.
A implantação efetiva do canteiro na Avenida Paulista ocorreu apenas em julho de 2023. Desde então, o cronograma também sofreu alterações e a execução dos serviços foi prorrogada até 30 de outubro de 2026, enquanto a vigência contratual se estende até maio de 2027.
Parte da demora está relacionada à própria complexidade do local. A escavação ocorreu sob uma das regiões mais densamente ocupadas de São Paulo e encontrou fundações profundas de edifícios no caminho.
Ferragens para o revestimento secundário (CMSP)
Segundo o Metrô, cinco estacas raiz e parte de uma lamela tiveram de ser cortadas. Em quatro dessas estacas foi necessário transferir previamente as cargas para preservar a segurança estrutural dos imóveis.
Durante a abertura foram monitorados sete edifícios, as estações Paulista e Consolação, o túnel rodoviário José Roberto Fanganiello Melhem e a passagem subterrânea de pedestres sob a Rua da Consolação. Ao todo, foram instalados 480 instrumentos para acompanhar o comportamento do solo e das estruturas.
A obra retirou 6.373,82 m³ de terra e utilizou até agora 1.597,24 m³ de concreto e 72 toneladas de aço.
Projeção do novo túnel entre as estações Consolação e Paulista (Reprodução)
Fim da “marcha dos pinguins”
A necessidade de uma segunda ligação entre as duas estações é antiga. Com o aumento da demanda da Linha 4-Amarela, a passagem existente tornou-se um gargalo, sobretudo nos horários de pico.
O deslocamento lento e concentrado de passageiros pelo corredor chegou a ganhar o apelido de “marcha dos pinguins”, expressão utilizada pelo próprio Metrô antes da pandemia para descrever a situação encontrada na transferência.
A nova passagem permitirá reorganizar esses movimentos. Em vez de grandes volumes de pessoas percorrerem a mesma ligação em sentidos opostos, os dois túneis poderão distribuir os fluxos entre Consolação e Paulista.
Essa mudança, entretanto, só ocorrerá quando todo o empreendimento estiver concluído. Os 81,75 metros agora abertos representam a estrutura principal da nova conexão, mas os 22% restantes incluem justamente os serviços necessários para transformar o túnel escavado em uma passagem pronta para receber milhares de passageiros diariamente.
