Rio coloca extensão da Linha 2 até Praça XV entre prioridades para financiamento do BNDES

Projeto estimado em R$ 4,4 bilhões já havia sido apresentado pelo governo estadual em 2025, mas ainda depende da definição dos recursos para avançar

Metrô do Rio de Janeiro (Wilfredorrh)
Metrô do Rio de Janeiro (Wilfredorrh)

O projeto para levar novamente a Linha 2 do Metrô do Rio ao Centro por uma via exclusiva voltou à pauta do governo estadual, desta vez como uma das prioridades apresentadas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obtenção de financiamento.

A ligação entre Estácio e Praça XV foi um dos três projetos escolhidos pelo Estado durante reunião realizada na última sexta-feira (21) entre o governador em exercício, Ricardo Couto, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Além da expansão metroviária, entraram na relação a ampliação do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) e a aquisição de helicópteros para as áreas de saúde e segurança pública.

O encontro ocorreu em meio às discussões sobre a dívida fluminense e a possibilidade de retomada de novos financiamentos do BNDES ao Estado. Por enquanto, não houve anúncio de aprovação do empréstimo nem de recursos reservados para a obra.

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No caso do metrô, porém, a proposta apresentada ao banco não surgiu agora. O trecho Estácio–Praça XV faz parte de um projeto que o governo estadual vem desenvolvendo separadamente e que foi apresentado publicamente em junho de 2025.

Na ocasião, a Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) mostrou três expansões consideradas prioritárias: a extensão da Linha 2 até a Praça XV, a Linha 3 entre Rio, Niterói e São Gonçalo e a continuidade da Linha 4 em direção ao Terminal Alvorada e ao Recreio.

A estimativa divulgada então para Estácio–Praça XV era de R$ 4,4 bilhões. O governo pretendia combinar diferentes fontes para financiar seus projetos metroviários, incluindo recursos estaduais e municipais, participação privada e financiamento do BNDES.

Trajeto aproximado da extensão da Linha 2 até Praça XV (Metrô CPTM)

Linha 2 voltaria a ter acesso próprio ao Centro

A extensão recupera uma concepção antiga do metrô carioca. Originalmente, a Linha 2 deveria chegar ao Centro por infraestrutura própria, passando pela Carioca e seguindo até a Praça XV.

Esse projeto acabou abandonado e a solução adotada anos depois foi conectar fisicamente as linhas 1 e 2. Desde 2009, os trens provenientes da Linha 2 utilizam a Linha 1 a partir de Central para chegar à região central e a Botafogo.

O projeto apresentado pelo Estado em 2025 pretende voltar a separar os serviços. A Linha 2 deixaria Estácio em direção ao Centro por um novo trecho subterrâneo, passando por uma estação no Catumbi, nas proximidades da Praça da Apoteose, antes de alcançar Carioca e Praça XV.

A Carioca passaria a funcionar como estação de integração entre as linhas 1 e 2. A separação permitiria retirar da infraestrutura da Linha 1 os trens provenientes da Pavuna, eliminando um dos principais conflitos de capacidade da rede. Segundo os estudos divulgados pelo governo, a mudança poderia elevar em até 70% a capacidade da Linha 2.

Parte da infraestrutura concebida décadas atrás chegou a ser construída. Sob a atual estação Carioca existe uma estrutura destinada à antiga configuração da Linha 2, frequentemente chamada de “Carioca 2”.

Isso não significa, no entanto, que bastaria concluir essa estação para colocar a extensão em funcionamento. Até o momento não foi divulgado um projeto de engenharia atual que esclareça de que forma as estruturas existentes poderão ser incorporadas à nova ligação até a Praça XV.

Metrô do Rio de Janeiro

Cronograma anunciado não se concretizou

Quando apresentou seu programa de expansão metroviária em 2025, o governo fluminense chegou a indicar a intenção de iniciar os primeiros processos de licitação e contratação no começo de 2026.

Esse cronograma não se concretizou. Passado mais de um ano da apresentação, ainda não há licitação para as obras do trecho Estácio–Praça XV.

A reunião com o BNDES mostra que uma das questões fundamentais continua sendo justamente a montagem da estrutura financeira necessária para transformar o projeto em obra.

A proposta, por outro lado, está presente há anos no planejamento oficial fluminense. Documentos do Plano Plurianual do Estado já previam tanto a elaboração do projeto básico do trecho Estácio–Carioca–Praça XV quanto sua implantação. A revisão mais recente do PPA 2024–2027 também manteve a expansão entre as iniciativas da Riotrilhos.

A escolha do trecho como uma das três prioridades apresentadas agora ao BNDES dá um sinal mais concreto sobre quais projetos o Estado pretende tentar viabilizar primeiro. Ainda assim, há uma longa distância entre a busca por financiamento e o início das obras.

Além de assegurar os recursos necessários, o governo precisará avançar na engenharia, definir a modelagem da implantação e realizar as contratações. A nova movimentação, portanto, recoloca Estácio–Praça XV na agenda de investimentos do Estado, mas ainda sem prazo definido para sair do papel.