Arquitetos e engenheiros do Metrô lamentam que Acciona tenha assumido projeto da Linha 16-Violeta

Empresa espanhola foi autorizada a aprofundar estudos da primeira fase do ramal com 16 km por R$ 42 milhões. Metrô havia desenvolvido linha com inovações tecnológicas

Linha 16-Violeta
Linha 16-Violeta

A passagem de bastão da Linha 16-Violeta, do Metrô para a empresa Acciona, desagradou arquitetos e engenheiros da companhia estatal.

Ao jornal Folha de São Paulo, o presidente da Aeamesp (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô), Luís Kolle, lamentou a opção do governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de repassar o projeto à construtora espanhola.

Segundo ele, a Linha 16 foi tirada do Metrô sem qualquer consulta. Kolle afirmou que a companhia tem um corpo técnico que já está há muitos anos trabalhando nessa expansão.

Inovações

De fato, o ramal surgiu de estudos bancados pelo Metrô há cerca de oito anos e revelada em primeira mão por este site. A ideia na época era que a Linha 16 fosse uma alternativa ao trecho leste da Linha 6-Laranja, então com a concessionária Move SP.

Em 2020, a Acciona assumiu a parceria público-privada e para isso formou a concessionária Linha Uni, responsável pela gestão do ramal.

TBM4 poderá acomodar quatro vias
TBM4: conceito de super tatuzão da Linha 16 pensado pelo Metrô (CMSP)

O atual governo tem incentivado que as operadoras privadas expandam as linhas que gerenciam e a Linha Uni já anunciou planos de levar à frente extensões da Linha 6.

Mas em agosto passado, a Acciona decidiu ir além e propor assumir a Linha 16-Violeta, então deixada em segundo plano.

A empresa espanhola, entretanto, apresentou uma manifestação de interesse privado com mudanças importante no projeto conceitual do Metrô.

O traçado da Linha 16 até Cidade Tiradentes (CMSP)
O traçado desenhado pelo Metrô seguiria até Cidade Tiradentes (CMSP)

Trajeto mais curto e convencional

Em vez inovações tecnológicas como um “super tatuzão” capaz de escavar os níveis das plataformas das estações, vias mais inclinadas e uso de elevadores, a Acciona expôs um conceito convencional, com uso das tuneladoras que estão na Linha 6.

O trajeto, que iria de Oscar Freire até Cidade Tiradentes, com 32 km, foi cortado ao meio, chegado até a estação Abel Ferreira. A segunda etapa ficaria em suspense, para ser decidida no futuro.

Dias atrás, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) autorizou a Acciona a aprofundar os estudos da Linha 16 mediante o pagamento de um valor máximo de R$ 42,4 milhões.

Com prazo de quatro meses para serem concluídos, os estudos fornecerão subsídios para a modelagem da licitação de concessão, prevista para ser lançada no segundo semestre.