Baldy reafirma promessa de entregar Linha 17-Ouro do Metrô no ano que vem

Em postagem em rede social, secretário dos Transportes Metropolitanos revela reunião com a BYD, fabricante dos monotrilhos do ramal e que tem a meta mais difícil de ser atingida
Maquete do monotrilho SkyRail que será usado na Linha 17 (STM)

Após declarações pouco claras, o governo do estado confirmou que pretende inaugurar de fato a Linha 17-Ouro do Metrô até o ano que vem (2022). A afirmação foi feita nesta quinta-feira (14) pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, em postagem em rede social. “Dialogando e cobrando para entregar a Linha 17-Ouro em 2022 a(sic) população de São Paulo”, diz a peça, que acrescenta: “Este é o objetivo e irei cumprir!”.

No post, Baldy mostra uma reunião virtual realizada com a BYD, fabricante chinesa dos trens de monotrilho, e que contou com a presença do governador João Doria, e da vice-presidente da empresa, Stella Li. Na ocasião, a empresa pode ter apresentado ao governo o projeto final do material rodante, previsto em contrato para ser finalizado 90 dias após a ordem de serviço.

O contrato de sistemas, sob responsabilidade do grupo, é o mais crítico para que a promessa da atual administração seja cumprida. O motivo é que o cronograma oficial do contrato prevê entregas importantes apenas em 2023, como mostrou o site recentemente.

Para viabilizar o início de uma operação assistida no ramal seria preciso encurtar esses prazos de forma significativa. Um exemplo é a conclusão do primeiro trem, também chamado de “cabeça de série” e usado para validar o projeto. Segundo o contrato com a BYD, essa etapa tem prazo de 720 dias, ou cerca de dois anos para ser completada. A fabricante chinesa assinou contrato com o Metrô em abril do ano passado, mas ele foi suspenso pela Justiça até outubro, por conta de uma ação de outra concorrente.

O governador Doria e Alexandre Baldy em reunião com a BYD (Reprodução)

Em tese, se a empresa chinesa começou a trabalhar no projeto três meses atrás, a entrega dessa primeira composição deveria ocorrer até setembro de  2022. Mas concluir um trem não significa que ele está pronto para funcionar. Mesmo que ele e o segundo trem (previsto para 780 dias após a ordem de serviço) sejam entregues até o final do ano que vem seria preciso que a infraestrutura do ramal esteja num estágio mínimo para que eles pudessem circular.

Entre os pontos-chave dessa etapa estão a instalação de sistemas de sinalização, energia, comunicação e funcionamento das portas de plataforma. Sim porque, ao contrário de uma linha de metrô convencional, monotrilhos não podem funcionar sem as PSDs, por conta do risco de queda dos usuários.

O momento em que o projeto reunirá condições de operar, mesmo que de forma restrita, tem previsão de ocorrer entre 900 e 930 dias após a ordem de serviço, ou seja, por volta do primeiro semestre de 2023, considerando como data inicial dos trabalhos o mês de outubro de 2020. Isso, claro, sem qualquer tipo de imprevisto, o que é praxe em projetos complexos como o de uma linha metroferroviária.

Fato é que a experiência do Metrô com a gestão de outros ramais mostra que implantar uma nova linha sempre é uma tarefa demorada e cheia de percalços. Sistemas como esses passam pela chamada “curva da banheira”, que significa de uma forma simples que a confiabilidade (o fundo da banheira) só virá após um período de aprimoramento inicial, quando falhas e problemas ocorrem com frequência. Essa curva volta a subir quando o sistema envelhece e perde eficiência em caso de falta de atualização.

A Linha 15-Prata, também um monotrilho, é o exemplo mais ilustrativo da situação da sua “irmã” na Zona Sul. Primeiro ramal de grande capacidade do modal no Brasil, ela ainda está buscando atingir um nível de performance mínimo para oferecer o serviço como prometido. Detalhe: ela foi aberta sete anos atrás.

É óbvio que a Linha 17 se beneficiará do aprendizado da Linha 15, que acabou pagando pelo ineditismo, mas não há como esquecer que o novo ramal envolve um pacote tecnológico inédito e que também terá o desafio de se adaptar aos padrões de outra fabricante, a falida Scomi. Por tudo isso, este site ainda enxerga a Linha Ouro funcionando de fato apenas em 2023.

As vias da Linha 17: além dos trens, BYD tem que instalar todos os sistemas até 2022 (CMSP)
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  1. Justo em ano de eleição, que conveniente, não é mesmo?
    Trata-se do mesmo Modus Operandi de sempre, reativar canteiros de obras para utilizar como publicidade eleitoral. O cara foi preso numa operação que investiga desvio de verbas e solto pelo Gilmar Mendes.
    Alguém ainda acredita neste loroteiro omisso e incompetente do PSDB? A única coisa que eu quero é a de ver este partido que há décadas arruína São Paulo fora do Executivo paulista.

  2. Querem mostrar uma super eficiência de gestão com a linha 17, mas basta ver como trataram linha 18 e o tal do “BRT do ABC” pra ver que não há um mínimo de gestão nesse governo referente projetos como esse.

  3. Bom ‘ não entendo muito sobre transporte ferroviaro mas se for igual a linha cinco lilás que entregou as pressas e ficam falhando no sistema melhor não entregar
    Será quanto kms por hora corre o trem bala ou melhor quanto minutos irá gastar do Morumbi a o final ?

  4. Sinto não acreditar em uma vírgula das promessas e projetos sobre o metrô de São Paulo. Todas não saem do papel, constantemente modificadas, arrastando-se por anos a fio, para exemplo a absurda demora da linha amarela, e a linha laranja paralisada há anos. Basta de promessas vãs, já estamos cansados.

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