Chegada do Metrô ao ABC Paulista deve ocorrer até 2039
Relatório anual da companhia confirma que trecho entre a estação São Judas e Santo André da Linha 20-Rosa não é prioritário. Em vez de metrô, governo Doria assinou renovação de contrato de serviço de ônibus de R$ 22,6 bilhões com a Metra
A população do ABC Paulista não verá uma linha do Metrô na região tão cedo se depender das previsões da companhia, segundo relatório anual publicado na semana passada. A prometida Linha 20-Rosa, usada pelo governador João Doria como “cortina de fumaça” para o cancelamento da Linha 18-Bronze, só deve chegar aos municípios de São Bernardo do Campo e Santo André na década de 2030.
O motivo é que ela não é prioritária no planejamento do Metrô, como reafirmou o documento. “[A Linha 20-Rosa] será implantada em duas etapas, Lapa São Judas e São Judas Prefeito Saladino (Santo André) da Linha 10 Turquesa da CPTM, sendo prioritário o Trecho Lapa São Judas,
com extensão operacional aproximada de 15 km, 17 estações e 1 pátio de estacionamento e manutenção”, diz o relatório que cita erroneamente Prefeito Saladino e não a estação Prefeito Celso Daniel.
O Metrô não faz uma previsão de quando o imenso ramal subterrâneo, com 30 km e 25 estações, ficará pronto, mas fornece uma data provável: 2039, quando espera-se uma demanda diária de mais de 1 milhão de pessoas.

Reforça essa expectativa o fato de o grupo britânico Ascendal, que apresentou uma proposta para concessão conjunta da Linha 20-Rosa com a Linha 2-Verde, ter previsto que a fase 2 (São Judas-Santo André) só deva sair do papel 17 anos após a assinatura do contrato, o que significaria o final da década de 30.
A empresa privada considera esse trecho “deficitário”, o que na prática exigiria investimentos pesados do governo do estado para ser viabilizado.

Contrato de R$ 22,6 bilhões
A realidade da implantação da Linha 20-Rosa demonstra o prejuízo incalculável com o cancelamento da Linha 18-Bronze, ramal contratado por meio de PPP e que levaria o Metrô até o centro de São Bernardo do Campo em viagens de cerca de 23 minutos a partir da estação Tamanduateí (Linha 2).
Se tivesse recebido luz verde, a Linha 18 poderia vir a ser concluída em 2023, muito antes do surgimento do primeiro canteiro de obras da Linha 20. Em vez disso, o governo Doria acaba de celebrar a renovação do contrato de concessão do Corredor ABD com a empresa Metra e embutiu nesse aditivo a cessão de todas as linhas intermunicipais da região e, claro, o ‘BRT ABC’, corredor de ônibus que será implantado no lugar do ramal de monotrilho.

À frente do corredor de ônibus desde 1997, a Metra, controlada por um grupo empresarial local que domina o transporte coletivo na região, seguirá à frente do contrato até 2046 num pacote calculado em R$ 22,6 bilhões. Os detalhes da renovação ainda não foram divulgados pela gestão.
Até lá, a rede de transporte sobre trilhos certamente terá crescido e chegado à outras regiões da Grande São Paulo enquanto o ABC seguirá à espera do primeiro trem de metrô.
