Com fim da consulta pública, Linha 16-Violeta “volta à prancheta”
Ramal metroviário tem previsão de leilão em 2026, mas polêmicas sobre traçado podem atrasar projeto
O governo do estado de São Paulo encerra nesta segunda-feira, 24, a fase de consulta pública da Linha 16-Violeta de metrô após ter estendido o período de envio de sugestões e críticas por mais alguns dias.
Com isso, a partir de amanhã a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) se debruçará nas informações coletadas não só na consulta mas também nas duas audiências públicas realizadas no início de outubro.
É bastante provável que a SPI também tenha feito algum tipo de sondagem no mercado para colher mais informações. Esses encontros são realizados com potenciais interessados, fabricantes de material rodante e sistemas, agentes financeiros e consultorias.
O complexo São Carlos, da Linha 16-Violeta e a Vala Henry Ford, de onde partirão os tatuzões (GESP)
Todo o feedback recolhido então é analisado pela equipe da secretaria e outras áreas da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) para definir mudanças e aprimoramentos no futuro edital de concessão do ramal de 19 km e 16 estações em sua primeira fase.
E a revisão promete ser desafiadora já que o projeto apresentado levantou várias críticas, sobretudo pela localização de estações e do pátio de manutenção.
Ainda durante as audiências, uma associação de empresários da Mooca questionou a escolha de galpões na Avenida Henry Ford para acomodar a área de estacionamento de trens e manutenção. O grupo tenta convencer o governo a mudar o local para outros dois terrenos nas imediações.
O local onde fica a travessa e planta referencial da estação Nove de Julho (GESP)
Moradores das proximidades das estações Jardim Paulista e Nove de Julho também reclamam das áreas previstas para receber a Linha 16, que vão afetar vários imóveis e desalojar pessoas que estão há muito tempo na região.
Em Pinheiros, a estação Teodoro Sampaio, uma novidade do traçado, não chegou a receber reclamações, mas como estará ligada às linhas 20-Rosa e 22-Marrom, pode ser afetada por movimentos que querem evitar que o bairro receba o novo hub sobre trilhos.
Na outra ponta, há uma preocupação de moradores de regiões afastadas na Zona Leste quanto à chegada da Linha 16 até Cidade Tiradentes.
O trecho fazia parte dos planos do Metrô, que concebeu a Linha 16, mas ficou em segundo plano nos estudos da Acciona, construtora que receberá uma indenização de R$ 42 milhões do vencedor do leilão (caso não seja ela própria a assinar contrato).
Extensão até Cidade Tiradentes será a Fase 2 da Linha 16-Violeta.
Os valores previstos de investimentos também têm impressionado. O governo estima um investimento de R$ 37,5 bilhões, ou quase R$ 2 bilhões por km. Como referência, a Linha 6-Laranja, com 15,3 km, deverá custar em torno de R$ 18 bilhões (R$ 1,18 bilhão), segundo declarações recentes do governo.
O percurso sugerido pela Acciona e acatado pela SPI inclui as estações Teodoro Sampaio, Oscar Freire, Nove de Julho, Jardim Paulista, Parque Ibirapuera, Dante Pazzanese, Ana Rosa, Parque Aclimação, Parque Independência, São Carlos, Paes de Barros, Vila Bertioga, Álvaro Ramos, Regente Feijó, Anália Franco e Abel Ferreira.
A expectativa é de transportar uma média de 475 mil passageiros por dia até 2040, demanda também inferior a da Linha 6-Laranja com menos extensão (630 mil usuários por dia).
O governo pretende lançar o edital de concessão da Linha 16-Violeta no primeiro trimestre de 2026 e assinar contrato com o vencedor até o segundo trimestre.
