Com “padrão brasileiro” de custo e atraso, nova linha de metrô de Londres abrirá neste mês

Elizabeth Line tem estreia marcada para o dia 24, quando novo trecho subterrâneo começará a funcionar com intervalos de 5 minutos entre os trens
Trem da Elizabeth Line, que será aberta no dia 24 em Londres (TFL)

Por muitos anos, a linha de metrô foi motivo de críticas, reclamações, piadas e desesperança, mas eis que enfim uma data de inauguração foi anunciada, após imensos atrasos e o aumento brutal dos custos.

A descrição acima encaixaria com a maior parte das obras metroviárias no Brasil, mas nesse caso a cidade em questão é Londres, na Inglaterra, berço do transporte ferroviário urbano. A Elizabeth Line, parte do projeto Crossrail, começará a operar de forma integrada no dia 24 de maio, criando uma nova ligação subterrânea na capital britânica após décadas de expansão modesta.

O infortúnio londrino tem muito em comum com projetos como o da Linha 4-Amarela ou da Linha 17-Ouro, para citar dois exemplos de obras complexas, caras e demoradas. A prefeitura da cidade, em conjunto com o governo britânico, iniciou a construção do imenso projeto em 2009 e as escavações com tatuzões, em 2012.

A previsão era que tudo ficasse pronto em 2018, mas bem perto da suposta inauguração, a Crossrail, empresa criada para gerir o projeto, revelou que haveria atrasos.

O orçamento original, de 14,8 bilhões de libras (cerca de R$ 91 bilhões), pulou para 18,8 bilhões de libras mais tarde (algo com R$ 116 bilhões em valores atuais). Trata-se do equivalente a quase oito projetos como o da Linha 6-Laranja.

Ramal vai operar com intervalos de 5 minutos inicialmente (TFL)

Mas o Crossrail é maior do que uma simples linha de metrô. Com sua imensa malha de trilhos, Londres criou um novo caminho juntando trechos em superfície já existentes a oeste e leste da cidade com 42 km de vias subterrâneas novas, na região central. É esse pedaço, batizado de Elizabeth Line em homenagem à rainha (e cujos 70 anos de reinado serão comemorados em todo o país no início de junho), que entrará em operação agora.

Acusações entre partidos também estão no menu

A “operação assistida” da linha, no entanto, será mais robusta que as “simulações operacionais” lançadas pelo ex-governador João Doria no ano passado (com trens fazendo vai-e-vem em Vila Sônia e Mendes-Vila Natal por meses a fio).

O trecho entre as estações Paddington e Abbey Wood funcionará das 6h30 às 23h de segunda a sábado com uma oferta de 12 viagens por hora (intervalo de 5 minutos, portanto). No final do ano, no entanto, a meta é reduzir o intervalo para cerca de 2 minutos e 45 segundos – parece alto para os padrões de São Paulo, mas o “tube” tem uma demanda mais distribuída que o nosso metrô.

Um dos grandes desafios do projeto, conforme apurou o site, foi conciliar três sistemas de sinalização diferentes, por conta dos trechos antigos e o novo. A solução foi tornar os trens preparados para operar com todos eles, dependendo do local. Daí a realização de testes tão intensos, mas sem passageiros, mesmo que isso tenha atrasado a entrega por muitos meses.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, em visita à estação Paddington (PL)

Na novela da Elizabeth Line não poderiam faltar os embates entre políticos, é claro. “Este anúncio é um ato de cinismo político de tirar o fôlego do prefeito, quebrando as regras eleitorais em um esforço para angariar votos no dia anterior às eleições locais em Londres”, disse Grant Shapps, secretário de Transportes do governo de Boris Jonhson, primeiro-ministro do Reino Unido e que já foi prefeito de Londres.

O secretário do Partido Conservador se referia às eleições locais marcadas para esta semana para reclamar do prefeito de Londres, Sadiq Khan, que pertence ao rival Trabalhista.

As dificuldades britânicas mostram que implantar atualmente ramais metroferroviários complexos em manchas urbanas densas e verticalizadas é uma tarefa inglória. Para superar tantos problemas só mesmo com uso de muita tecnologia, planejamento e, sobretudo, menos ingerência política/eleitoral, algo que sobra por aqui.

O mapa de estações da Elizabeth Line (TFL)
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  1. Nada a ver falar “padrão brasileiro”. Pra quem já viajou pra fora, sabe muito bem que obras de metrô atrasam por inúmeros motivos, aqui no Brasil é a mesma coisa. O metrô de Toronto tem só 4 linhas e estão tentando implementar outra linha há anos.

    Enfim, brasileiro gosta de falar mal desse país, ave Maria!

  2. Pelo menos a obra existe e terminou, deferentemente de obras que nem projeto há em andamento. Várias cidades (não só São Paulo) no Brasil necessitam urgentemente de linhas para ontem e nem há projetos.

  3. Falar em “padrão brasileiro” é puro viralatismo. Em todo país (que não seja ditatorial), obras de metrô atrasam pelos mais diversos motivos, assim como aqui. Tremenda bobagem.

    1. Em todo país não. Na Coreia do sul e Japão, entregam até antes do prazo. Então, sem generalização e mimimi

  4. A Cidade de Londres (City Of London) não é responsável pelas ferrovias na Grande Londres mas sim a Autoridade Da Grande Londres (Greater London Authority). E – por favor – nunca confundam o Lorde-prefeito da Cidade de Londres (Lord Mayor Of The City Of London) com o Prefeito da Região Metropolitana de Londres (Mayor Of Greater London).

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