Em contraste com a euforia e alívio dos usuários da Linha 5-Lilás, que abriu três estações na última sexta-feira (28) e finalmente chegou a uma região de fácil conexão com outras linhas do Metrô, a Linha 15-Prata segue seu calvário de testes e obras. E as recentes notícias são péssimas tanto a respeito da operação quanto das obras de quatro estações que levarão o ramal até São Mateus.

Com outras quatro estações em operação assistida desde abril, a linha tinha expectativa de começar a operar comercialmente no novo trecho em outubro, mas constantes problemas com o trabalho da empresa canadense Bombardier (sempre ela, aliás) novamente atrasaram o plano do governo. Segundo o que o site ouviu de funcionários do Metrô, a fabricante ainda não forneceu o laudo de segurança do sistema CBTC por conta de problemas com a operação das portas de plataforma. Sem esse aval da empresa não é possível abrir as estações em horário integral por conta da grande demanda.

Por essa razão, os testes aos fins de semana continuam intensos, com o fechamento da linha para os passageiros. Apesar disso, o Metrô deverá ampliar o funcionamento da operação assistida nas próximas semanas, segundo um executivo ouvido pelo site.

Se não bastassem essas dificuldades, uma situação ainda mais grave ocorre no trecho seguinte, que vai da estação Jardim Planalto até São Mateus. Em obras de acabamento, as quatro estações antes prometidas para serem entregues nos últimos meses estão com as obras praticamente paradas. Tudo por conta de problemas financeiros da construtora Azevedo & Travassos, que assumiu a conclusão dessas estações.

Segundo o blog Ferroviando, vários funcionários acabaram deixando a empresa nas últimas semanas, o que levou a suspeita de que a empresa poderá abandonar a obra. O site questionou alguns executivos sobre o assunto durante a inauguração das estações da Linha 5-Lilás e soube que a situação é bastante grave. Embora o Metrô prefira que ela termine os trabalhos a chance de ser preciso rescindir o contrato é grande.

A ironia é que falta pouco para que elas sejam concluídas. Segundo um desses executivos, as estações Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus têm pela frente cerca de 45 dias de trabalho enquanto Jardim Planalto “pode ser concluída em 10 dias”. Ou seja, na hipótese pouco provável de retomada do ritmo de obras seria preciso de pelo menos dois meses para conclui-las para então prepará-las para a abertura. Em outras palavras, é bastante sensato imaginar que a Linha 15 só chegue mesmo em São Mateus em 2019, quando a concessionária privada possivelmente já terá assumido sua operação.

Uma triste constatação para uma linha de monotrilho que terá a função de transportar nada menos que 400 mil pessoas por dia.

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