Adaptando um manjado ditado, pode-se afirmar que “políticos passam, mas o sistema de transporte sobre trilhos fica”. Por essa razão, este site tem absoluta dedicação à divulgação e incentivo ao transporte por trens, sejam eles convencionais, monotrilhos ou outras tecnologias que envolvam sistemas automatizados e segregados da via pública. Não há como oferecer uma rede multimodal eficiente numa megalópole como São Paulo sem que o alicerce desse sistema utilize os trilhos e nesse sentido a cidade ainda carece de uma extensão adequada de linhas.

Essa postura acaba gerando críticas quando nosso posicionamento não coincide com as propostas de gestões de governo, sobretudo quando se apresentam como soluções improvisadas ou de curto prazo, muitas vezes com olhos para a próxima eleição.

Não é segredo para ninguém a defesa da Linha 18-Bronze de metrô que o site faz há bastante tempo, no maior erro da gestão Doria até hoje, segundo nossa opinião. Ou quando o governo banca projetos como o QR Code, apresentado na sexta-feira e que não segue a tendência mundial em relação aos sistemas de pagamento eletrônicos. São ações que não se alinham com a necessidade de planejamento de longo prazo que esse assunto precisa ser tratado e acabam trocando problemas ao deixar um legado ruim para os próximos governantes.

O site, no entanto, não se esquiva de reconhecer virtudes na gestão pública, independentemente de posição ideológica. E este é o caso agora que o governo de João Doria está prestes a concluir uma promessa de difícil execução, a retomada de todas as obras da malha metroferroviária.

Poço de onde partirão os tatuzões da Linha 6: negociação para retomar projeto foi o maior trunfo de Doria (SP Sobre Trilhos)

Mais de 400 km de trilhos

Com a iminente ordem de serviço para que a empresa Coesa Engenharia retome as obras civis da Linha 17-Ouro nos próximos dias, o tucano terá conseguido viabilizar vários projetos problemáticos deixados pelo seu antecessor, Geraldo Alckmin. Entre eles estão a extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos, cuja primeira parte, com 8 km e parada em Penha, está em início de trabalhos desde janeiro. Mas sobretudo ao viabilizar um novo parceiro privado para a Linha 6-Laranja, o grupo espanhol Acciona, o atual governo demonstrou que gestão pública eficiente envolve compreender o potencial que está em suas mãos e buscar o entendimento em detrimento da judicialização.

O caso da Linha Laranja em especial surpreendeu já que a complexidade e o custo do projeto, além de vários processos judiciais, tornavam uma solução negociada pouco provável. Com vários capítulos, a novela foi longa e cheia de idas e vindas, mas no final chegou-se a um entendimento em que todos ganharam, sobretudo a população ao poder sonhar em contar com o ramal dentro de cinco anos.

Já a Linha 17-Ouro, o projeto mais precário de linha metroviária já tocado pelo governo, poderia estar numa fase mais avançada, porém, diante de tantos problemas de gestão, é para se comemorar que exista agora uma luz no fim do túnel. Na previsão conservadora do site, ela deverá ser aberta em 2023.

Doria e ao fundo o secretário Alexandre Baldy: promessa cumprida (GESP)

Agora que a Linha 17 voltará a ter um horizonte, São Paulo terminará 2020 com quase 40 km de linhas metroferroviárias em obras, incluindo também a CPTM. Se não houver imprevistos, esses projetos deverão ser concluídos entre 2021 e 2026 e elevar a rede sobre trilhos para mais de 400 km. É esse tipo de direcionamento que se espera de um governante e não propostas sem qualquer estofo técnico como o corredor de ônibus ‘BRT’ que pode tomar o lugar da Linha 18 – há esperança que esse devaneio acabe não saindo do papel diante de tantas improvisos até aqui.

O grande desafio do governo é que não surjam novos (mas conhecidos) problemas como judicializações, suspeitas de corrupção, abandono de obras ou falta de recursos financeiros para bancar esses projetos. E manter a constante fiscalização para que não ocorram mais atrasos.