Com volta da Linha 17, Doria cumpre promessa de retomar todas as obras metroferroviárias de São Paulo

Prestes a reiniciar as obras principais do monotrilho, governador tucano conseguiu desatar os nós de projetos como as linhas 2 e 6 do Metrô, deixados pelo antecessor, Geraldo Alckmin
Futuras vias da Linha 17-Ouro: todas as obras metroferroviárias retomadas (CMSP)

Adaptando um manjado ditado, pode-se afirmar que “políticos passam, mas o sistema de transporte sobre trilhos fica”. Por essa razão, este site tem absoluta dedicação à divulgação e incentivo ao transporte por trens, sejam eles convencionais, monotrilhos ou outras tecnologias que envolvam sistemas automatizados e segregados da via pública. Não há como oferecer uma rede multimodal eficiente numa megalópole como São Paulo sem que o alicerce desse sistema utilize os trilhos e nesse sentido a cidade ainda carece de uma extensão adequada de linhas.

Essa postura acaba gerando críticas quando nosso posicionamento não coincide com as propostas de gestões de governo, sobretudo quando se apresentam como soluções improvisadas ou de curto prazo, muitas vezes com olhos para a próxima eleição.

Não é segredo para ninguém a defesa da Linha 18-Bronze de metrô que o site faz há bastante tempo, no maior erro da gestão Doria até hoje, segundo nossa opinião. Ou quando o governo banca projetos como o QR Code, apresentado na sexta-feira e que não segue a tendência mundial em relação aos sistemas de pagamento eletrônicos. São ações que não se alinham com a necessidade de planejamento de longo prazo que esse assunto precisa ser tratado e acabam trocando problemas ao deixar um legado ruim para os próximos governantes.

O site, no entanto, não se esquiva de reconhecer virtudes na gestão pública, independentemente de posição ideológica. E este é o caso agora que o governo de João Doria está prestes a concluir uma promessa de difícil execução, a retomada de todas as obras da malha metroferroviária.

Poço de onde partirão os tatuzões da Linha 6: negociação para retomar projeto foi o maior trunfo de Doria (SP Sobre Trilhos)

Mais de 400 km de trilhos

Com a iminente ordem de serviço para que a empresa Coesa Engenharia retome as obras civis da Linha 17-Ouro nos próximos dias, o tucano terá conseguido viabilizar vários projetos problemáticos deixados pelo seu antecessor, Geraldo Alckmin. Entre eles estão a extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos, cuja primeira parte, com 8 km e parada em Penha, está em início de trabalhos desde janeiro. Mas sobretudo ao viabilizar um novo parceiro privado para a Linha 6-Laranja, o grupo espanhol Acciona, o atual governo demonstrou que gestão pública eficiente envolve compreender o potencial que está em suas mãos e buscar o entendimento em detrimento da judicialização.

O caso da Linha Laranja em especial surpreendeu já que a complexidade e o custo do projeto, além de vários processos judiciais, tornavam uma solução negociada pouco provável. Com vários capítulos, a novela foi longa e cheia de idas e vindas, mas no final chegou-se a um entendimento em que todos ganharam, sobretudo a população ao poder sonhar em contar com o ramal dentro de cinco anos.

Já a Linha 17-Ouro, o projeto mais precário de linha metroviária já tocado pelo governo, poderia estar numa fase mais avançada, porém, diante de tantos problemas de gestão, é para se comemorar que exista agora uma luz no fim do túnel. Na previsão conservadora do site, ela deverá ser aberta em 2023.

Doria e ao fundo o secretário Alexandre Baldy: promessa cumprida (GESP)

Agora que a Linha 17 voltará a ter um horizonte, São Paulo terminará 2020 com quase 40 km de linhas metroferroviárias em obras, incluindo também a CPTM. Se não houver imprevistos, esses projetos deverão ser concluídos entre 2021 e 2026 e elevar a rede sobre trilhos para mais de 400 km. É esse tipo de direcionamento que se espera de um governante e não propostas sem qualquer estofo técnico como o corredor de ônibus ‘BRT’ que pode tomar o lugar da Linha 18 – há esperança que esse devaneio acabe não saindo do papel diante de tantas improvisos até aqui.

O grande desafio do governo é que não surjam novos (mas conhecidos) problemas como judicializações, suspeitas de corrupção, abandono de obras ou falta de recursos financeiros para bancar esses projetos. E manter a constante fiscalização para que não ocorram mais atrasos.

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  1. Ricardo, parabéns pela matéria e pela imparcialidade. Politizar nem sempre é a melhor forma de criticar. O que importa é que mais pessoas tenham acesso a um transporte público digno e eficiente e cada vez menos a carrocracia (poluidora em vários níveis) prevaleça.

    Concordo com cada linha escrita e com a sua visão prática.

    Te desejo muito sucesso e que, cada vez mais, conquiste mais leitores.

  2. Compartilho da esperança do BRT não sair e que um pingo de bom senso caia sobre a cabeça do Governador e do Secretário e retomem a Linha 18.

  3. Uma coisa é retomar obras, outra é entregar. Essa história já está velha em SP. Entra década, e sai década, continua igual. Cada gestão chega com um humor diferente, e as obras públicas seguem definhando, e muitas vezes entregues bem diferentes do que foi apresentado.

    Fura Fila, Linha 18-Bronze, Expansão da L5-Lilás (entegue sem as portas de plataf.) e muitas outras.

    Não é nem questão de imparcialidade, o GESP é incompetente a anos, e merece sim, ser responsabilizado pela sucessão de lambanças, que vem fazendo.

  4. Morei em São Caetano e sempre achei a linha Bronze como um delírio do governo anterior. A linha rosa vai absorver a maioria desta demanda, em um gasto mais justificado que o monotrilho. Vejo nesta administração estadual uma visão mais inteligente e capaz.

    1. Delírio é acreditar na Linha Rosa…

      Trocar um projeto pronto e licitado por uma corredor de ônibus mequetrefe jamais pode ser considerado algo gerado de uma visão inteligente e capaz.

  5. De boas intenções o inferno está cheio. Fala que vai fazer, inicia as obras com gastos as vezes absurdos e depois se manda do governo e deixa o pepino para o próximo, Que faz igual!
    Governo falante já conhecemos desde o primeiro tucano que pousou no Palácio dos Bandeirantes.

  6. O governo do Estado de São Paulo, quando trabalha por obras significativas sobre trilhos, faz isso em sua maioria apenas pela Cidade de São Paulo, e outras importantes da Grande São Paulo, ficam renegadas à própria sorte, sendo todas contribuintes de ICMS, por exemplo.
    Pergunta de sempre : Se o METRO é uma empresa do Estado, por que só atende a Cidade de São Paulo ?

  7. EDSON, acho que dois fatores explicam isso.

    1 – A empresa Metrô foi criada pela Prefeitura de São Paulo em 1968 (Isso mesmo, o Metrô era da prefeitura inicialmente, e não do Estado). O Repasse para o Governo do Estado ocorreu no fim dos anos 70.

    2 – As projeções prioritárias do plano HMD, de 1968, só levavam em consideração o município de São Paulo e esse aspecto se tornou presente na maioria dos projetos que vieram depois. Claro, a ultrapassagem dos limites da Cidade de São Paulo passou a ser considerada efetivamente em revisões posteriores que o Metrô fez do Plano do HMD, porém, esses atendimentos foram sempre sendo deixados em segundo plano, e a prioridade de execução sempre ficou para os trechos que compreendem os limites da cidade de são paulo.
    A questão de considerar prioritariamente outras cidades da região metropolitana em linhas futuras ficou mais comum em projetos realizados a partir da década de 2000. Posso por exemplo: a Linha 19 Celeste, com início em Guarulhos, a Extinta Linha 18 Bronze ou ainda, a linha 22 Bordô que tem previsão de ir até Cotia.

    Então pra vc ver né, hoje o Metrô atende mais a Cidade de são paulo do que o Estado por conta de, historicamente, os trechos prioritários das linhas sempre serem os que estão dentro da cidade de são paulo. A tendência é isso mudar no futuro.

    1. Matheus,
      O primeiro ponto é sabido pela maioria. O fato é que o METRO é uma empresa do Estado, ponto.
      Sobre o segundo item está bem evidente, portanto, que existe muita lentidão para executar projetos que contemplem o maior numero de pessoas; com PITUs que precisam se atualizar, já que nunca se concluem.

  8. QR Code ??? Experimentei esse sistema em Campinas, nos ônibus de linha urbana de lá … que transtorno é isso, gente!!! O povo de lá abomina esse sistema. Só o Doria mesmo. Concorre com seu “inimigo próximo e querido, JB em idiotices .

  9. maquiar a governança é com o PSDB. todos os projetos estao em andamento, mas a que ritmo? o PSDB é mestre em inaugurar obra em ano de eleiçao. alias, o sr. prefeito bruno covas, cade o restante das obras da cidade? antes das eleiçoes a cidade de SP virou canteiro de obras em tudo q é lado. recapeou pela metade varias avenidas … agora porque nao termina o trabalho? a marginal tem trechos recapeados e trechos com asfalto esburacado. o q foi recapeado nao foi pintado a faixa. varias avenidas com mistura de asfalto recapeado com buraqueira. é assim q funciona no governo do PSDB. pena q SP virou o tucanistao, o povo elege ano após ano essa raça, reclama mas aperta 45.

  10. Opa Ricardo! Concordo com suas palavras sim!
    A pergunta é será que irão valorizar os profissionais em geral nessa obra?? Quando falo de valorizar e exatamente isso, vão pagar o que eles merecem, ou vão aproveitar o desemprego e explora los??
    Infelismente o Brasil não valoriza seus engenheiros, seus mestres, tec em fim que uma boa parte estão fora do país ou fazendo outra coisa, menos aquilo que estudaram e se deticatam.
    Há outra coisa, só conseguem entrar se tiver quem indique!
    RIcardo, peço lhe se não for demais, se vc consegui o endereço email,telefone, nome de quem e para quem podemos enviar nossos currículum.
    Vamos dar valor aos nossos profissionais qualificados, e aqui no Brasil temos muito sim!
    RICARDO tomo a liberdade

  11. Parabéns ao governador João Dória e sua equipe por terem destravado diversas obras importantes que estavam paralisadas. Agora é esperar o Sr. Dimas Ramalho autorizar a retomada do Rodoanel Trecho Norte para gerar mais empregos e renda na construção civil para entregar a população usuária na hora de se locomover; solucionar um gargalo importante na malha rodoviária.

  12. “Metrô e CPTM têm no mínimo 42 projetos atrasados ou paralisados, diz TCE” 22/9/20
    O Tribunal de Contas do Estado (TCE) divulgou a lista de obras e projetos do estado que estão atrasados, um montante de cerca de R$ 50 bilhões em contratos dos quais quase R$ 40 bilhões envolvem o transporte sobre trilhos.

    De pouco adiantou o Ricardo Meier publicar um post com 60 comentários atualizado em 13/fev/2020 “Saiba o status das obras de expansão do Metrô e da CPTM” demonstrando os inúmeros adiamentos e cancelamentos de linhas, aquela planilha representa exatamente a má gestão que o TCE esta alegando, não deveria existir nenhuma surpresa aqui!
    É fundamental em engenharia que a construção e montagem devam ter seu cronograma cumprido dentro do prazo e não se adicione inúmeros aditivos alterando o orçamento original.
    Também neste principio, existe um ditado que diz “Em engenharia, quando a construção e montagem inconclusas conforme o planejado, os gastos com ás desmobilizações, retomada, mobilização, a única coisa que é certa é o prejuízo”. Como resultado tem se elevados gastos com equipamentos ociosos, alguns em deterioração e em estado de condicionamento e comissionamento devido ao adiamento constante dos projetos, montagens, construções e testes até as partidas de operações das Linhas, como é o caso daquelas duas tuneladoras adquiridas para a Linha 6-Laranja, mas que não servirá para a Linha 2-Verde entre outros.

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